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10 anos de Cotas: ação afirmativa em busca de equidade racial e social na Universidade

Graduação

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Neste ano, Maria de Fátima dos Santos, 17 anos, natural de Itambé, resolveu prestar Vestibular na Uesb para o curso de Administração. Segundo ela, a escolha aconteceu durante um curso de gestão que fez em sua cidade, quando descobriu afinidade com a área. A jovem é a primeira da família a tentar ingressar no Ensino Superior. Filha de pai tratorista e mãe diarista, Maria de Fátima optou pelo sistema de cotas étnico-raciais: “ouvi o questionamento de uma professora que dizia ‘quando concluírem o ensino médio vão optar em crescer ou não na vida?’”, afirma. A escolha pela Uesb foi motivada pela proximidade com a sua casa e também por ser uma instituição pública.

O sistema de reserva de vagas foi criado na Uesb em 2008, sendo efetivado, pela primeira vez, no Vestibular de 2009. Neste ano, a iniciativa completa, portanto, 10 anos de implantação. De acordo com a assessora especial de Acesso, Permanência e Ações Afirmativas, Selma Matos, a decisão da Uesb em implantar as cotas foi uma atitude política com o intuito de “democratizar o acesso ao ensino superior, fazendo com que grupos sociais historicamente excluídos das universidades pudessem ter acesso ao ensino superior, reparando desigualdades historicamente construídas”.

Por meio das Cotas, a Uesb busca democratizar o acesso ao ensino superior, fazendo com que grupos sociais historicamente excluídos possam ingressar em cursos de graduação.

Desde então, estudantes como Maria de Fátima conseguem ingressar no Ensino Superior, demonstrando como a aplicação de políticas e ações afirmativas rompem ou minimizam ciclos de desigualdade social e racial. Verônica dos Santos, de 37 anos, também protagoniza um desses casos.

Por questões financeiras e pessoais, a diarista não pôde tentar o vestibular quando concluiu o Ensino Médio, mas vislumbrou na universidade uma possibilidade de mudança social: “por ter que trabalhar desde muito cedo, não pude continuar os estudos. Neste ano, resolvi prestar para Biologia, no campus de Itapetinga”. Ela também optou pelo sistema de cotas étnico-raciais e, segunda ela, inaugura na família a tentativa de entrar no Ensino Superior.

Já as estudantes Emanuele Alves e Raquel de Macedo, naturais de Itapetinga, conheceram os cursos disponíveis no campus da cidade por meio de um projeto intitulado “Conhecendo Profissões”, criado pela professora do Colégio AgroIndustrial, Núbia Oliveira. A iniciativa levou professores da Universidade até a escola para que explicassem as especificidades de cada curso. “Vou tentar Pedagogia. Descobri que a Pedagogia tem uma área de atuação mais ampla do que eu imaginava, como mostrou a professora que esteve presente em nossa escola”, explica Emanuele.

Raquel conta que, recentemente, acompanhou a notícia que o curso de Biologia, no campus de Itapetinga, desponta como o segundo melhor do Brasil, conforme dado publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e isso a motivou ainda mais. Ambas estudaram em escola pública, mas não se declararam negras, por isso fizeram a opção da cota social para o Vestibular Uesb 2019.

Das vagas disponibilizadas para o Vestibular, nos três campi, metade é destinada à reserva de vagas. Desse quantitativo de vagas, há duas modalidades: a dos candidatos oriundos de escolas públicas que se declaram negros, para os quais são reservadas 70% das vagas de cotas; e a dos candidatos que estudaram o Ensino Fundamental e o Ensino Médio em escolas públicas, mas não se declaram negros no ato da inscrição, que correspondem a 30% das vagas reservadas.

O Vestibular possui ainda as Cotas Adicionais, que são o acréscimo de uma vaga por curso para cada uma das modalidades: indígena, quilombola e pessoa com deficiência. Ilza Ramos, 37 anos, que está prestando vestibular para Pedagogia, busca uma vaga na Universidade por meio dessas Cotas Adicionais. “Sou natural da comunidade rural de Cabeceira e a cota adicional facilitou o ingresso dessas comunidades na universidade, além de influenciar os jovens a tentarem entrar no Ensino Superior”, afirma Ilza.

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