Graduação

Cursos de Letras: abrindo caminhos para o fazer Universidade

por Emanuela Lisboa

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Por serem as graduações mais antigas da Uesb, falar dos cursos de Letras significa contar também um pouco da história da fundação da Universidade, que forma nesta área profissionais para atuação nos ensinos fundamental e médio, e também para o ensino superior, por meio dos seus programas de pós-graduação.

Informações básicas

Criação: 1977/1980 e 1985
Modalidade: Licenciatura
Campus: Jequié e Vitória da Conquista
Duração mínima: 8 semestres

Entenda os cursos 

A trajetória das graduações começou no início dos anos 1960, com a política de governo para criação de faculdades, que visavam atender à demanda de pessoal qualificado para o exercício do magistério no interior do Estado. A partir daí, surgiram as Faculdades de Educação de Vitória da Conquista (1969) e de Jequié (1970). Contudo, só passaram a funcionar efetivamente com a implantação dos cursos de Letras em Conquista, em 1971, e com o nome de Ciências e Letras, em Jequié, em 1972. Eram licenciaturas curtas, que foram autorizadas por decretos federais em 1977, as chamadas Faculdades de Formação de Professores. O reconhecimento ocorreu, respectivamente, em 1977 e 1984. Posteriormente, esses cursos passaram a funcionar como licenciaturas plenas. Mais tarde, em 1985, já enquanto Universidade, foi criado em Conquista o curso de Letras Modernas, reconhecido em 1992.

Coordenadora do colegiado das graduações em Vitória da Conquista, a professora Maíra Avelar destaca diversos avanços do curso ao longo dos mais de 40 anos de formação docente na região. “No ensino, temos diversas iniciativas conquistadas ao longo do tempo, como ampla participação dos alunos em projetos como o Pibid, voltado para a docência, e o Pibic, voltado para a Iniciação Científica. Na pesquisa, temos hoje três programas de pós-graduação que contam com ampla participação do quadro discente e docente dos cursos de Letras. No âmbito da extensão, os docentes do curso, acompanhados de bolsistas ou voluntários, também desenvolvem projetos relevantes com a comunidade de Vitória da Conquista e região”, destacou Avelar. São projetos nas áreas de Alfabetização, Leitura, Escrita e Literatura Indígena.

As licenciaturas em Letras são as graduações que deram origem à Uesb.

Para o vice-coordenador do curso em Jequié, professor André Luiz Faria, é preciso destacar a relevância da graduação durante todo seu período de existência, como formadora de profissionais para suprir a necessidade de uma realidade que exige cada vez mais pessoas competentes no campo da Educação e ensino de línguas. “Essa relevância (apesar dos esforços individuais dos professores e alunos, no sentido de acompanhar as mudanças de ordem política, cultural e científica por que passa o mundo e o país), pode ficar comprometida se não se operar em termos de reestruturações substanciais em sua constituição curricular, ou seja, naquilo que lhe desenha o perfil, que lhe sintoniza com as transformações sociais, não para reproduzi-las, mas, sobretudo, para questioná-las e modificá-las”, argumenta. O retorno de ex-discentes como professores da Universidade, a oferta de cursos de especialização e a realização de eventos nos âmbitos regional, nacional e internacional integram as conquistas do curso destacadas pelo docente.

Habilitações

A Uesb oferta duas modalidades da graduação: Licenciatura em Letras com habilitação em Português e suas respectivas literaturas (Letras Vernáculas) e Licenciatura em Letras com habilitação em Português/Inglês e suas respectivas literaturas (Letras Modernas). São quatro turmas, totalizando 140 vagas anuais: Letras Vernáculas, funcionando no matutino e noturno no campus de Jequié e, no vespertino, no campus de Conquista; e Letras Modernas em Conquista, também no período da tarde. O graduado, além de professor, pode exercer funções de revisor, pesquisador, crítico literário, roteirista, assessor cultural, entre outras atividades. A formação com habilitação em Inglês, além de capacitar para essas funções, prepara o profissional para o ensino de língua estrangeira, em caráter instrumental, e ele também pode trabalhar como tradutor, intérprete, dentre outras atuações.

André Lisboa, estudante do sexto semestre de Letras Modernas, campus de Conquista, comenta sobre as oportunidades da graduação: “Fazer parte de um curso tão rico, é muito interessante pra mim, porque Letras Modernas aqui na Uesb nos forma de diversas maneiras e a gente pode escolher diversos caminhos, como por exemplo, literatura, linguística e, além disso, a formação de professor nos ajuda muito a lidar com o construir”.

Licenciada em Letras no campus de Jequié, Celiane Lago se tornou escritora e recentemente lançou um livro. Ela conta como o curso foi importante: “Apesar de que sempre gostei de escrever, o curso foi o que mais influenciou, já que lemos e produzimos muito durante esse período. Também tive o incentivo de dois professores de literatura dos quais fui monitora. Através deles passei a produzir trabalhos para apresentar em congressos e, a partir daí, comecei a escrever artigos, depois surgiu a ideia de escrever romances e publicar”, ressalta.

Com 33 anos de Uesb, a professora Ângela Gusmão é atualmente a docente com mais tempo de atuação do curso de Letras de Conquista. Segundo Gusmão, há uma preocupação constante no curso em formar professor pesquisador. “Na formação dos profissionais para atuação como professores de línguas e literaturas, o grande desafio que se tem enfrentado é a formação de professores reflexivos que devem estar cientes de seu papel enquanto leitores e produtores de textos diante de uma sociedade em que a leitura e a escrita, muitas vezes, não se concretizam como práticas rotineiras”, enfatiza. Ainda de acordo com Gusmão, ao longo de sua história, o curso tem mantido uma relação bastante próxima da comunidade de Vitória da Conquista.