Pós-Graduação

Pós-Graduação em Linguística contempla diferentes vertentes da linguagem

por Mariana Lacerda

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Embora no imaginário popular a pesquisa científica ainda esteja muito atrelada às áreas de Exatas e Biológicas, nos estudos do campo das Ciências Humanas, a realidade social tem sido matéria-prima para análises e para a busca de soluções para problemas do cotidiano. É nesse sentido que, além de promover a qualificação, os cursos de pós-graduação permitem a continuidade e aprofundamento de pesquisas iniciadas ainda durante o curso de graduação.

Foi o que aconteceu com Warley Rocha, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Uesb. “Construí, ainda na graduação, uma trajetória acadêmica muito sólida. No curso de Letras Modernas – Português, Inglês e Respectivas Literaturas, encontramos diferentes caminhos teóricos que podemos seguir, especialmente, em relação à Linguística e à Literatura. Nesse caso, desde o primeiro semestre, já me vi encantado pelas análises linguísticas que eu poderia fazer tanto na esfera da língua materna quanto estrangeira”, lembra o egresso.

O Programa de Pós-Graduação em Linguística teve seu curso de Doutorado aprovado pela Capes neste ano de 2018. Com a aprovação, a Uesb passa a oferecer sete opções para quem deseja se tornar doutor.

Graduado também pela Uesb, o interesse pela área acadêmica se fortaleceu por meio da experiência em um grupo de pesquisa, que o permitiu apresentar resultados da Iniciação Científica no âmbito da Linguística. A atuação responsável desde o início rendeu frutos. “A Uesb me proporcionou uma excelente formação de base. Eu não tive dúvidas de que poderia ingressar no Mestrado Acadêmico oferecido pela Instituição, além de dar continuidade às pesquisas já iniciadas”, destaca.

Ao concluir o Mestrado, em 2017, Warley Rocha assumiu o cargo de professor substituto da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e passou a participar da formação de outros profissionais das Letras. Ao falar da atuação do PPGLin na região, ele fala de algumas contribuições das pesquisas realizadas: “Notaremos que muitas pessoas são beneficiadas a partir de estudos sobre a linguagem relacionada à Síndrome de Down, Afasias, Dislexia, etc. Podemos destacar estudos com os quais pesquisadores buscam descrever o dialeto da região, podendo, dessa maneira, traçar perfis, reconhecer identidades linguísticas e demonstrar tendências. Podemos também nos lembrar de trabalhos que já foram desenvolvidos por mestres que objetivaram fazer uma interface entre o estudo do texto e a sua aplicabilidade na sala de aula ou no livro didático”.

revista-estudos-da-linguagemAlgumas ações fizeram parte das movimentações em torno do surgimento do PPGLin, como o Seminário de Pesquisa em Estudos Linguísticos (Spel), que acontece a cada dois anos, e a Revista Estudos da Língua(gem). De acordo com a vice-coordenadora do Programa, “a revista tem, em seu corpo editorial, renomados pesquisadores nacionais e internacionais das diferentes áreas da Linguística. Desde o seu nascimento até os dias de hoje, a revista Estudos da Língua(gem) publica artigos científicos de Linguística de excelência, o que lhe confere alta qualificação junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)”.

Para a vice-coordenadora do Programa, professora Vera Pacheco, o curso se destaca por entender a linguagem nas mais diversas experiências humanas, investigando esse fenômeno em sua completude. “O Programa ainda tem qualificado professores do ensino fundamental e médio, contribuindo de perto para a melhoria na qualidade para a alfabetização e para o ensino de linguagens de modo geral. Além disso, tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida de sujeitos surdos e sujeitos com diferentes tipos de déficit de leitura e escrita, graças aos espaços de pesquisa e atendimento ao público sob a responsabilidade dos professores do PPGLin”, enumera.

As contribuições do Programa não param por aí, e vão além do cenário local, sendo o único com esse perfil de formação no Norte e Nordeste do país. O PPGLin oferece, assim, a possibilidade de ingresso a todos os profissionais que, “de forma direta ou indireta, têm por base a linguagem em suas práticas de trabalho, como professores, fonoaudiólogos, psicólogos, cantores, jornalistas, além de poder contribuir na formação dos profissionais das áreas de Ciência da Computação e da Física, cujas pesquisas buscam automatização via fala”, complementa a vice-coordenadora.

O Programa foi aprovado em 2010 pela Capes, e teve início em 2011. A professora comemora que, de lá pra cá, foram oito anos seguidos de seleções para a entrada de novos alunos. Com aulas em período integral, ela relata que uma das dificuldades encontradas é a de garantir a dedicação exclusiva, quando se tratam de alunos não bolsistas. “Nosso maior desafio ao longo dessa trajetória do curso foi gerenciar o número cada vez mais reduzido de bolsas de estudos disponibilizado pelas agências de fomento”, pontua. No entanto, os obstáculos não têm impedido o PPGLin de atuar de forma positiva no desenvolvimento regional da área. Neste ano, a proposta de Doutorado foi aprovada pela Capes, com nota 4.

“A proposta de Doutorado submetida está recheada de novidades e evidencia a consolidação de nosso trabalho ao longo desses anos e nosso compromisso com a ciência e com a qualidade de vida do cidadão brasileiro”, conclui a vice-coordenadora.