Assistência Estudantil

Você sabe o que são cotas adicionais?

por Mariana Lacerda

O Vestibular Uesb conta com o acréscimo de uma vaga por curso para cada uma das modalidades: quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência.

Israel Peixoto tem 22 anos e busca, na Uesb, o que ainda não encontrou em sua vida escolar: acessibilidade. O jovem cadeirante é um dos candidatos ao curso de Pedagogia e chegou ao local de provas acompanhado de sua avó Maria de Lurdes Peixoto. “Nas outras escolas em que eu estudei, a acessibilidade era uma coisa que estava muito em falta, eu é que tinha que me adaptar à escola e espero que, na Uesb, isso seja diferente”, conta o vestibulando.

Agora, um mundo novo começa para Israel. Além do sistema de reserva de vagas, voltado para estudantes de escolas públicas, negros ou não, o Vestibular Uesb conta com as cotas adicionais. A ação diferencial representa o acréscimo de uma vaga por curso para cada uma das modalidades: quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. Assim, neste ano, são ofertadas 141 vagas especificamente para esse público.

 

 

A experiência universitária – Considerados minorias por serem marginalizados e encontrarem dificuldades em contextos como o de acesso ao Ensino Superior, esses grupos são priorizados na Uesb, um entendimento que representa transformação social. “Quando a universidade volta a sua atenção para o público quilombola, ela traz uma nova perspectiva de vida, que, na maioria das vezes, é inexistente para os habitantes dessas comunidades; mostra para o jovem, ou até mesmo pai ou mãe de família, que a universidade pode ser algo real na vida deles também, que, mesmo parecendo distante pode ser possível”.

Novidade

A partir do Vestibular 2020, os cotistas adicionais passaram a ser contemplados, automaticamente, com a isenção da taxa de inscrição do processo seletivo.

O relato é da concluinte em Química com Atribuições Tecnológicas, Cleia Teixeira. Ela foi a primeira da família a ingressar no Ensino Superior e se tornou exemplo para a irmã mais velha, que, mesmo após alguns anos de conclusão do Ensino Médio, agora, está determinada a cursar uma faculdade.

Já para Aldean Bezerra, estudante de Odontologia, o exemplo vai além. “Ingressei na Uesb, por meio do Vestibular, em 2016, e vejo a importância de nós, como indígenas, buscarmos ocupar nossas vagas e conseguir nos profissionalizarmos para que assim possamos dar um retorno para o nosso povo”. Com 23 anos, o pernambucano pertence ao povo Atikúm, localizado na cidade de Carnaubeira da Penha.

“Vivi e estou vivendo uma experiência muito legal nesta Universidade, onde venho adquirindo conhecimentos e, com eles, consigo sanar algumas dúvidas que surgem na minha aldeia”, complementa o futuro dentista.