{"id":1169,"date":"2021-08-24T14:23:42","date_gmt":"2021-08-24T17:23:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=1169"},"modified":"2021-08-24T14:23:42","modified_gmt":"2021-08-24T17:23:42","slug":"nova-versao-de-bolsonaro-na-cupula-do-clima-nao-convence-e-e-vista-com-ceticismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=1169","title":{"rendered":"Nova vers\u00e3o de Bolsonaro na C\u00fapula do Clima n\u00e3o convence e \u00e9 vista com ceticismo"},"content":{"rendered":"<p>Convencer, de acordo com o dicion\u00e1rio Michaelis, \u00e9 o ato de persuadir com argumentos, raz\u00f5es ou fatos. Essa foi a miss\u00e3o de Bolsonaro na C\u00fapula do Clima:      convencer os l\u00edderes, jornalistas, especialistas e a popula\u00e7\u00e3o mundial de que seu novo tom perante as tem\u00e1ticas ambientais \u00e9 genu\u00edno. Por\u00e9m, a nova vers\u00e3o do presidente, cheia de promessas bonitas e longe de serem alcan\u00e7adas foram vistas com desconfian\u00e7a.<br \/>\nNos dias 22 e 23 de mar\u00e7o, o l\u00edder participou da C\u00fapula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Concretizando sua promessa de campanha, o americano organizou o evento, que objetiva recompor a imagem do pa\u00eds no cen\u00e1rio global, diante do desempenho desastroso nas quest\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais durante o governo de Donald Trump. <\/p>\n<p>Uma semana antes do evento, Bolsonaro come\u00e7ou a p\u00f4r em pr\u00e1tica seu plano de convencer que a sua conveniente mudan\u00e7a de atitude \u00e9 real. Com esse objetivo em mente, enviou uma carta ao presidente Biden, solicitando ajuda. No documento, afirmou estar comprometido a zerar o desmatamento ilegal at\u00e9 2030 (mesmo que seu mandato acabe em 2022).<br \/>\nJ\u00e1 na C\u00fapula do Clima, o presidente brasileiro foi o 19\u00ba l\u00edder a falar, e em sete minutos, usou um discurso j\u00e1 conhecido pelos brasileiros, mas repaginado para \u201camericano ver\u201d. Bolsonaro tentou reverter a imagem catastr\u00f3fica que o Brasil tem tido no setor ambiental, em meio a promessas que n\u00e3o condizem com a postura adotada durante sua gest\u00e3o. Assim, tentou fazer bonito para as na\u00e7\u00f5es do mundo, especialmente os Estados Unidos, que afirmou poder contribuir com uma ajuda de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para combater o desmatamento na Amaz\u00f4nia, caso o Brasil demonstre estar efetivamente trabalhando com esse objetivo. <\/p>\n<p>Mas Bolsonaro se esquece que n\u00e3o foi apagado de nossas mem\u00f3rias, que nossa Floresta Amaz\u00f4nica sofreu com o desflorestamento, que aumentou significativamente em seu comando. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante o governo Bolsonaro, entre agosto de 2019 e julho de 2020, a \u00e1rea florestal destru\u00edda por conta do desmatamento ilegal foi de 11.008 km\u00b2, o equivalente a mais de 1.540 est\u00e1dios de futebol. Registrando a maior destrui\u00e7\u00e3o florestal dos \u00faltimos 12 anos.<\/p>\n<p>N\u00f3s, brasileiros, tamb\u00e9m n\u00e3o esquecemos que o homem escolhido pelo presidente para proteger nossa fauna e flora, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, est\u00e1 sendo investigado por exporta\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. Al\u00e9m disso, esse mesmo ministro, no dia 22 de abril, em reuni\u00e3o ministerial divulgada ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o do STF (Supremo Tribunal Federal), sugeriu que o governo deveria aproveitar o enfoque da imprensa na cobertura da pandemia para \u201cir passando a boiada&#8221;. Logo, de forma cruel, sugeriu que o governo aproveitasse dessa situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica que o Brasil tem passado, para aprovar reformas infralegais que s\u00f3 visam a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>E assim um Brasil que sempre participou ativamente nas quest\u00f5es ambientais, como em 1992, ano em que sediou a Confer\u00eancia da ONU sobre o Meio Ambiente, hoje se v\u00ea desacreditado. Por culpa de um governo irrespons\u00e1vel \u00e9 visto por muitos, como inimigo do meio ambiente, sofrendo consequ\u00eancias econ\u00f4micas por tais a\u00e7\u00f5es. Em 2019, quando recordes negativos de queimadas na Amaz\u00f4nia foram registrados, a Noruega suspendeu o fundo de 100 milh\u00f5es de reais destinados a proteger a floresta. A Alemanha tamb\u00e9m interrompeu a ajuda de 155 milh\u00f5es de reais que visava o mesmo objetivo.<\/p>\n<p>Por esses motivos, j\u00e1 bem conhecidos na comunidade internacional, a imprensa estrangeira viu com ceticismo as promessas que Jair Bolsonaro realizou em seu discurso. Ele prometeu que at\u00e9 2050 o Brasil ir\u00e1 alcan\u00e7ar a neutralidade clim\u00e1tica. Al\u00e9m disso, afirmou que at\u00e9 2030 o desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia ser\u00e1 erradicado e a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa no pa\u00eds ser\u00e3o reduzidos em 40%.<\/p>\n<p>Apesar de alguns classificarem sua postura no evento como moderada, n\u00e3o se engane Bolsonaro, e por consequ\u00eancia o governo brasileiro, sa\u00edram da mesma forma que entraram, desacreditados. Em entrevista concedida ao The Guardian, os ex-ministros do meio ambiente, Rubens Ricupero e Marina Silva alegaram que o constante aumento do desmatamento na regi\u00e3o amaz\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 decorrente da falta de dinheiro, e sim do descaso governamental.<\/p>\n<p>Bolsonaro falhou em sua tentativa de convencer que (repentinamente) se tornou um guardi\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica e amigo do meio ambiente. Agora, promessas n\u00e3o bastam e o presidente ter\u00e1 que, por meio de a\u00e7\u00f5es, mudar sua postura perante o mundo. S\u00f3 assim, o Brasil ser\u00e1 visto de forma confi\u00e1vel novamente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convencer, de acordo com o dicion\u00e1rio Michaelis, \u00e9 o ato de persuadir com argumentos, raz\u00f5es ou fatos. 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