{"id":2230,"date":"2022-10-28T15:02:16","date_gmt":"2022-10-28T18:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2230"},"modified":"2022-10-28T15:02:16","modified_gmt":"2022-10-28T18:02:16","slug":"atividade-pesqueira-a-grande-vila-da-populacao-maritima-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2230","title":{"rendered":"Atividade Pesqueira: a grande vil\u00e3 da popula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima mundial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Corriqueiramente vemos as grandes ONGs lutando pelos oceanos. No imagin\u00e1rio popular, o pl\u00e1stico \u00e9 o grande vil\u00e3o da hist\u00f3ria. Sim, isso est\u00e1 correto. Por\u00e9m, n\u00e3o da forma como imaginamos. Apesar de um movimento crescente pelo fim do uso dos canudos de pl\u00e1stico, esses s\u00f3 representam cerca de 0,025% dos lixos nos oceanos. Existe um grande questionamento por parte de alguns ativistas da raz\u00e3o do canudo ser conhecido como um grande vil\u00e3o, j\u00e1 que representa uma parte t\u00e3o irris\u00f3ria da polui\u00e7\u00e3o. Claro, h\u00e1 registros de animais marinhos mortos por conta deles, ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m reduzir o seu consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA verdade \u00e9 que os res\u00edduos consumidos diariamente pelos humanos n\u00e3o chegam a representar 30% da polui\u00e7\u00e3o nos oceanos. Estima-se que cerca de 85% de todo o lixo que est\u00e1 hoje nos oceanos s\u00e3o provenientes dos materiais de pesca. Os dados que s\u00e3o divulgados pelo Greenpeace s\u00e3o alarmantes por dois motivos: s\u00e3o empresas gigantescas que fazem isso e o foco das campanhas de preserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 onde deveria. Alguns dados apontam ainda que cerca de 640 toneladas de materiais de pesca s\u00e3o descartados ao mar por ano; e todos os dias, s\u00e3o lan\u00e7adas ao mar redes de pesca suficientes para dar 500 voltas no planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUm dos fatores mais preocupantes sobre a quantidade de pl\u00e1stico nos oceanos \u00e9 o tempo de sua decomposi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 estimada em 450 anos. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, o pl\u00e1stico foi inventado em 1862, sendo assim, o primeiro pl\u00e1stico ainda n\u00e3o foi decomposto. Justamente por essa longevidade e resist\u00eancia, o pl\u00e1stico \u00e9 amplamente usado pelas grandes ind\u00fastrias pesqueiras. O principal problema \u00e9 quando o pl\u00e1stico que est\u00e1 no oceano come\u00e7a a se desintegrar, ele se torna o que conhecemos como micropl\u00e1sticos, que s\u00e3o ingeridos pelos peixes e posteriormente, pelos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA amea\u00e7a da ind\u00fastria pesqueira \u00e0 vida nos oceanos &#8211; e \u00e0 ra\u00e7a humana &#8211; n\u00e3o para por a\u00ed. Existe um fen\u00f4meno conhecido como pesca acidental, que ocorre em grande escala todos os dias e deixa um gigantesco rastro de morte por onde passa. A pesca ou captura acidental, se caracteriza na pesca de outros animais que n\u00e3o s\u00e3o o alvo original da atividade. Quando capturados juntos aos outros peixes, tartarugas marinhas, aves marinhas e elasmobr\u00e2nquios (animais que compreendem tubar\u00f5es e raias) n\u00e3o resistem nas redes e acabam morrendo, sendo esse processo o causador da diminui\u00e7\u00e3o da megafauna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA t\u00e9cnica respons\u00e1vel por essa destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida como arrast\u00e3o, que consiste em jogar uma rede no mar que \u00e9 arrastada por um barco em alta velocidade, levando tudo em seu caminho. Outro grande problema desse tipo de pesca \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o da fauna marinha, respons\u00e1vel diretamente pela maior produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nTalvez a mais vil das atrocidades cometidas pela ind\u00fastria da pesca seja um tipo de pr\u00e1tica ilegal, que ocorre principalmente em partes da \u00c1sia: a elimina\u00e7\u00e3o dos predadores. Peixes que est\u00e3o no topo da cadeia alimentar, por vezes, s\u00e3o um estorvo para os pescadores. Tubar\u00f5es e golfinhos se alimentam dos peixes que poderiam ser capturados pela ind\u00fastria. \u00c9 comum que em alguns locais do Jap\u00e3o e China, esses predadores sejam atra\u00eddos para a margem para serem abatidos. N\u00e3o para o consumo, mas para n\u00e3o atrapalharem os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm uma breve explica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 que \u00f3bvia, quando se remove quem est\u00e1 no topo da cadeia alimentar, outra esp\u00e9cie assume o topo. Quando essa esp\u00e9cie \u00e9 ca\u00e7ada para alimentar os exageros da ra\u00e7a humana, bagun\u00e7a cada vez mais a cadeia alimentar. Em dado ponto da altera\u00e7\u00e3o na cadeia, os fitopl\u00e2nctons ser\u00e3o afetados por isso, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio no planeta tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA ind\u00fastria pesqueira \u00e9 certamente uma das ind\u00fastrias que mais amea\u00e7a a vida na terra, o que assusta \u00e9 o qu\u00e3o despercebido isso passa pela sociedade. Caso o consumo de peixe n\u00e3o seja reduzido, existe a possibilidade de em 40 anos n\u00e3o existir mais vida nos oceanos. Saber que o pl\u00e1stico que n\u00f3s humanos comuns usamos no dia a dia n\u00e3o \u00e9 o maior problema \u00e9 de certa forma reconfortante, mesmo sabendo que podemos fazer mais individualmente, por\u00e9m, saber que o principal problema \u00e9 maior que nossos esfor\u00e7os, \u00e9 desesperador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corriqueiramente vemos as grandes ONGs lutando pelos oceanos. 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