{"id":2296,"date":"2022-10-28T21:44:10","date_gmt":"2022-10-29T00:44:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2296"},"modified":"2022-10-31T10:23:02","modified_gmt":"2022-10-31T13:23:02","slug":"dragmentario-um-lembrete-de-que-a-arte-resiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2296","title":{"rendered":"Dragment\u00e1rio: um lembrete de que a arte resiste"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2297\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2297\" class=\"wp-image-2297\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-01-VICTOR-S\u00c1.jpeg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" \/><p id=\"caption-attachment-2297\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Doug, cineasta e graduando do curso de Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Foto: Doug<\/strong><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Douglas Oliveira Santos tem 25 anos, trabalha com m\u00eddias visuais digitais desde 2015 e \u00e9 graduando do curso de Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Doug, seu nome art\u00edstico, \u00e9 conhecido por possuir em seu curr\u00edculo um cat\u00e1logo audiovisual admir\u00e1vel e que dialoga com todos os c\u00edrculos sociais. A partir disso, convidamos o cineasta para falar sobre a obra documental <em>Dragment\u00e1rio<\/em>, um projeto que apresenta o universo da arte <em>drag queen<\/em> na cidade de Vit\u00f3ria da Conquista, interior da Bahia. Ele fala sobre como surgiu a iniciativa de produzir o document\u00e1rio, a mensagem que a obra pretende passar e por fim as suas reverbera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o que retrata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como surgiu a ideia de produzir o primeiro document\u00e1rio sobre a cena drag queen em Vit\u00f3ria da Conquista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doug:<\/strong> A ideia surgiu primeiramente como um trabalho a ser desenvolvido para a mat\u00e9ria de Document\u00e1rio [do curso de Cinema e Audiovisual da UESB]. E dois colegas vieram at\u00e9 mim com a proposta de ser o diretor desse projeto que buscaria retratar a arte <em>Drag<\/em> na cidade. A partir da\u00ed, come\u00e7amos o processo de produ\u00e7\u00e3o, fomos buscar as personagens e de que forma conseguir\u00edamos abordar as tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O document\u00e1rio \u00e9 montado atrav\u00e9s de intert\u00edtulos que revelam ao telespectador diferentes \u00e1reas da viv\u00eancia drag queen. Como voc\u00eas chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de quais tem\u00e1ticas seriam discutidas no projeto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doug:<\/strong> Os meninos que me convidaram pra dirigir o document\u00e1rio j\u00e1 assistiam <em>Ru\u2019Pauls Drag Race<\/em> e por isso j\u00e1 tinham familiaridade com algumas tem\u00e1ticas da universo <em>drag<\/em>. No entanto, os intert\u00edtulos surgiram a partir das viv\u00eancias em comum que as <em>drags<\/em> entrevistadas possu\u00edam. A partir da conversa com as personagens ficou n\u00edtido que temas como a monta\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o na cena cultural conquistense e a homofobia eram temas que atravessavam as hist\u00f3rias das tr\u00eas personagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual a mensagem que voc\u00eas buscam passar com o Dragment\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doug:<\/strong> A nossa inten\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do projeto era buscar naturalizar a arte <em>drag<\/em> e explicar de forma did\u00e1tica o que \u00e9 essa arte. Pra isso, buscamos personagens da vida real, que vivenciassem esse modo de fazer arte. Por isso que, por muitas vezes, os entrevistados falam sobre os seus anseios, sobre o que esperam da arte <em>drag<\/em>, sobre os pr\u00f3ximos passos que almejam para a sua carreira e tamb\u00e9m sobre a dificuldade de viver essa arte aqui em Vit\u00f3ria da Conquista. E buscamos retratar esse processo de naturaliza\u00e7\u00e3o na montagem do document\u00e1rio, em que as cenas transitam dos entrevistados vestindo suas roupas habituais para os mesmos montados, cada um com sua respectiva <em>drag<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais os desafios encontrados por voc\u00ea no processo de produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doug:<\/strong> No que diz respeito aos entrevistados foi super tranquilo, at\u00e9 porque j\u00e1 eram pessoas do nosso conv\u00edvio. Dessa forma ficou f\u00e1cil pra n\u00f3s da produ\u00e7\u00e3o adentrar a intimidade de cada um deles. Fomos muito bem recebidos em suas casas e por suas fam\u00edlias tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, essa parte das grava\u00e7\u00f5es foi de fato tranquila de se fazer. O mais complicado pra n\u00f3s foi gravar as cenas nas quais o p\u00fablico pudesse ver as <em>drags<\/em> performando em alguma festa. Ent\u00e3o ficou sob a nossa responsabilidade criar um espa\u00e7o que fosse seguro para as <em>drag queens<\/em> e pro p\u00fablico LGBTQIA+ poderem se sentir \u00e0 vontade e n\u00f3s pud\u00e9ssemos captar a ess\u00eancia do momento e dos espa\u00e7os onde acontece a arte <em>drag<\/em>. Isso por si s\u00f3 foi muito trabalhoso, mas conseguimos criar a festa e aconteceu no extinto bar Manifesto. Atrav\u00e9s dessa festa, a nossa proposta era mostrar no document\u00e1rio o que poderia vir a se tornar o movimento <em>drag<\/em> caso a cena cultural da cidade desse abertura para essa arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Ao seu ver, como foi a aceita\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio aqui em Vit\u00f3ria da Conquista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doug:<\/strong> Aqui em Conquista o document\u00e1rio foi apresentado no CINEPET, evento realizado pelo PET-Engenharias do IFBA, e logo ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o n\u00f3s participamos junto aos professores da Institui\u00e7\u00e3o de uma mesa cujo tema era a discuss\u00e3o de G\u00eanero e Diversidade. N\u00e3o chegamos a submet\u00ea-lo \u00e0 Mostra de Cinema Conquista devido \u00e0s quest\u00f5es burocr\u00e1ticas. E logo em seguida, viajei para apresentar o document\u00e1rio em Belo Horizonte, \u00e0 convite de uma turma de Design da UEMG que estava produzindo um cat\u00e1logo LGBTQIA+ de filmes e document\u00e1rios nacionais, e eles acabaram aprovando o Dragment\u00e1rio para publica\u00e7\u00e3o no livro. Hoje, al\u00e9m da obra visual em si, o Dragment\u00e1rio segue eternizado no cat\u00e1logo de obras nacionais LGBTQIA+ da Universidade Estadual de Minas Gerais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doug pretende continuar no campo do audiovisual documental, contando hist\u00f3rias reais e abordando tem\u00e1ticas com teor pol\u00edtico-social. Seu objetivo segue sendo o de ajudar a formar um coletivo social consciente e identit\u00e1rio. Em seu pr\u00f3ximo document\u00e1rio (que tamb\u00e9m \u00e9 o seu TCC) o produtor pretende abordar os temas identidade, pertencimento e forma\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito racial, a partir dos relatos de mulheres negras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Douglas Oliveira Santos tem 25 anos, trabalha com m\u00eddias visuais digitais desde 2015 e \u00e9 graduando do curso de Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Doug, seu nome art\u00edstico, \u00e9 conhecido por possuir em seu curr\u00edculo um cat\u00e1logo audiovisual admir\u00e1vel e que dialoga com todos os c\u00edrculos sociais. 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