{"id":2326,"date":"2022-10-29T17:28:18","date_gmt":"2022-10-29T20:28:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2326"},"modified":"2022-10-29T17:29:28","modified_gmt":"2022-10-29T20:29:28","slug":"o-cenario-musical-conquistense-problematicas-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2326","title":{"rendered":"O cen\u00e1rio musical conquistense: problem\u00e1ticas e desafios"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2327\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2327\" class=\"wp-image-2327\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2-FABIANA-ALVES-FRANCISCO-SCHETTINI-E-HANIA-OLIVEIRA-1024x799.jpg\" alt=\"\" width=\"780\" height=\"609\" \/><p id=\"caption-attachment-2327\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Anna Lacerda e seu melhor amigo, o viol\u00e3o. Foto: Francisco Schettini<\/strong><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea costuma ouvir artistas independentes? A arte est\u00e1 em nosso cotidiano em diferentes formas. E na m\u00fasica, como todo palco, precisa de plateia. Anna Lacerda, artista natural de Vit\u00f3ria da Conquista &#8211; BA, iniciou a sua carreira no cen\u00e1rio musical conquistense em dupla e, ap\u00f3s um per\u00edodo, decidiu seguir sozinha no seu nicho musical. Agora, ela nos conta um pouquinho sobre os desafios do m\u00fasico independente. Na entrevista, conheceremos um pouco mais sobre a sua carreira e suas experi\u00eancias como cantora de MPB. Anna, 24, n\u00e3o consegue se manter financeiramente somente com a m\u00fasica. Ela concilia a arte e a atividade no ramo imobili\u00e1rio para o seu sustento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Anna, como se deu o in\u00edcio da sua carreira musical?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Eu comecei na m\u00fasica, de verdade, muito nova. Sempre fui muito apaixonada por m\u00fasica. Me inspirei em alguns artistas. Comecei a correr atr\u00e1s de aula de viol\u00e3o\u2026 e cada vez me encantando. Passei a fazer apresenta\u00e7\u00f5es em escolas de Brumado, cidade em que eu morava e, depois, em saraus. Vim para Conquista e, em seguida, vieram as apresenta\u00e7\u00f5es em barzinhos. Foi uma descoberta pessoal. Eu n\u00e3o me entendia profissionalmente, n\u00e3o sabia para onde ia. Mas, tive um estalo. J\u00e1 tinha tentado duas, tr\u00eas faculdades, mas sem \u00eaxito. E a\u00ed eu falei: se for pra comer e conseguir ser feliz tocando em barzinho, eu vou ser\u2026 ent\u00e3o, foi a\u00ed que eu comecei a fazer shows.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais s\u00e3o as suas refer\u00eancias na m\u00fasica? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Desde muito nova, eu me inspirava em Justin Bieber. Era apaixonada. Posteriormente, quando eu comecei a dar aula de viol\u00e3o, me inspirei nas m\u00fasicas que minha m\u00e3e ouvia: MPB, internacional\u2026gosto muito de C\u00e1ssia Eller, Djavan, enfim, tem uma galera que desde ent\u00e3o eu me inspiro muito e ou\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como \u00e9 cantar na noite conquistense?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Esse ramo de m\u00fasica, de barzinho, \u00e9 muito complicado. \u00c9 um ramo que n\u00e3o valoriza o artista em si. Eles valorizam t\u00e1 ali tocando, s\u00f3 n\u00e3o valorizam o que eu digo. Eles querem que tenha uma m\u00e1quina ali tocando&#8230; qualquer coisa que pedirem, de qualquer estilo musical, como se tivesse um banco de dados ali. E outra dificuldade \u00e9 a quest\u00e3o financeira. Eles n\u00e3o d\u00e3o muito valor financeiramente aos artistas. Se aproveitam da variedade para oferecer valores baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Ainda falando sobre essas dificuldades\u2026 como voc\u00ea lida, em contraponto a isso, para manter seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Atualmente, estou voltando para o ramo imobili\u00e1rio. \u00c9 uma \u00e1rea que eu gosto e que voltaria independentemente, mas que vai me ajudar a conseguir me manter firme no ramo da m\u00fasica, porque, se eu n\u00e3o tiver outra renda, n\u00e3o consigo me manter na m\u00fasica. E \u201cc\u00ea\u201d v\u00ea que todos os artistas s\u00e3o assim: tem um trabalho por fora e tamb\u00e9m tem o trabalho com a m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Durante quase dois anos os artistas passaram muitas dificuldades por conta da pandemia da Covid-19. Para voc\u00ea como foi durante esse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Complicado, porque foi justamente no per\u00edodo que eu estava come\u00e7ando. Tinham poucos lugares abertos, havia restri\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio e muitos artistas procurando onde tocar. J\u00e1 t\u00eam muitos artistas em atua\u00e7\u00e3o nesse ramo hoje em dia. Anteriormente na pandemia, por ter mais lugares fechados ficou mais dif\u00edcil para todo mundo. Os barzinhos se aproveitaram desse cen\u00e1rio no quesito financeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O bar \u00e9 um ambiente muito machista. Como voc\u00ea lida com isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> A gente n\u00e3o lida, porque n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer. Como artista, tendo a oportunidade, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, de tocar em um estabelecimento, vou ter algum comportamento que contrap\u00f5e algum cliente ou funcion\u00e1rio machista? Se assim fizesse, eu n\u00e3o me encaixaria mais nesses estabelecimentos, entendeu? \u00c9 mal visto para o artista. N\u00e3o seria mais contratada. \u00c9 ignorar essas atitudes e fazer o seu trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: H\u00e1 algum momento que te moldou como pessoa e como artista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Sim. O primeiro momento foi aquele de descoberta que referi anteriormente. E o segundo momento foi quando eu sa\u00ed da dupla, e decidi fazer da minha \u00e1rea musical, o meu nicho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como foi para voc\u00ea sair da dupla e come\u00e7ar a caminhar sozinha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Eu sempre quis caminhar sozinha. Comecei porque gostava muito de tocar com ele. A dupla tinha uma energia bem bacana e era necess\u00e1rio por conta do cen\u00e1rio da cidade. Bem, eu falei anteriormente que, para tocar em Vit\u00f3ria da Conquista, precisa de uma bagagem musical, n\u00e9? Eu tinha bagagem de MPB, de pop, rock e internacional, mas n\u00e3o tinha de tudo necess\u00e1rio para come\u00e7ar. A dupla acabou posteriormente. Eu estava morando sozinha e estava arcando com custos maiores. Ent\u00e3o, de qualquer forma, n\u00e3o tinha mais como continuar com a dupla por uma necessidade pessoal e financeira. E ent\u00e3o, cada um prosseguiu no seu rumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Tem algum artista Conquistense que tenha te inspirado e motivado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Eu nem sonhava em tocar em barzinho ainda e Herbert me mandou uma mensagem. Ele me motivou muito a come\u00e7ar, me colocou pra tocar em alguns lugares, abriu portas pra mim e me motiva at\u00e9 hoje. Um curte o trabalho do outro. Ent\u00e3o a gente tem essa rela\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o a\u00ed que \u00e9 dif\u00edcil aqui no cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Seus familiares e amigos te apoiam na carreira musical?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Sim. Inclusive, ao come\u00e7ar a cantar em bares, quem me incentivou foi minha noiva, ela falou: \u201cvai que voc\u00ea consegue\u201d. Se n\u00e3o fosse ela, n\u00e3o teria come\u00e7ado. Eu queria muito come\u00e7ar, mas eu n\u00e3o ia, tinha muito medo, sou t\u00edmida. At\u00e9 hoje ela me motiva muito a continuar. E\u2026 fam\u00edlia, em quest\u00e3o de pai e m\u00e3e, eles tamb\u00e9m me incentivam muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Para quem tem essa vis\u00e3o engessada e preconceituosa em rela\u00e7\u00e3o aos artistas independentes. Voc\u00ea teria algum recado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Lacerda:<\/strong> Eu acho que&#8230; \u00e9 interessante voc\u00ea pesquisar e conhecer outras \u00e1reas, outros estilos musicais, artistas novos, para ter uma maior vis\u00e3o de m\u00fasica. Porque a arte de cada um \u00e9 muito individual. E tem uma galera muito boa. D\u00e1 pra descobrir e vale muito a pena.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Voc\u00ea costuma ouvir artistas independentes? 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