{"id":2757,"date":"2023-07-14T10:06:19","date_gmt":"2023-07-14T13:06:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2757"},"modified":"2023-07-14T10:06:19","modified_gmt":"2023-07-14T13:06:19","slug":"negligencia-estatal-ataques-aos-povos-indigenas-e-crise-climatica-um-olhar-critico-sobre-a-relacao-com-o-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2757","title":{"rendered":"Neglig\u00eancia estatal, ataques aos povos ind\u00edgenas e crise clim\u00e1tica: um olhar cr\u00edtico sobre a rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No cap\u00edtulo VIII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira, est\u00e1 posto o reconhecimento do Estado e seu papel de defensor das culturas, cren\u00e7as, constru\u00e7\u00f5es sociais e direitos \u00e0s terras que os povos origin\u00e1rios ocupam. E \u00e9 a mesma na\u00e7\u00e3o que escreveu essa constitui\u00e7\u00e3o que assiste diariamente os ataques a esses, a quem, constitucionalmente, deveriam proteger. O Estado brasileiro falhou e continua falhando. Afinal, pouca gente tinha consci\u00eancia do que ocorria com o povo <em>Yanomami<\/em> at\u00e9 janeiro de 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O massacre a esse povo j\u00e1 vinha acontecendo h\u00e1 algum tempo e o desconhecimento da popula\u00e7\u00e3o acerca do que ocorria n\u00e3o foi por falta de den\u00fancias. Exemplo disso foi uma carta sobre o agravamento da crise sanit\u00e1ria na Terra <em>Yanomami<\/em> (entre Roraima e o Amazonas), enviada ao coordenador do Distrito Sanit\u00e1rio <em>Yanomami<\/em> e <em>Ye\u2019kwana<\/em> (<em>Dsei-YY<\/em>), e ao presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena <em>Yanomami<\/em> e <em>Yek&#8217;wana<\/em> (<em>Condisi-YY<\/em>), escrita e enviada pela <em>Hutukara<\/em> Associa\u00e7\u00e3o <em>Yanomami<\/em> em julho de 2022, seis meses antes da mat\u00e9ria publicada pelo portal Suma\u00fama que ganhou destaque internacional por trazer \u00e0 margem o genoc\u00eddio ind\u00edgena que ocorria sob \u00e0 vis\u00e3o do Estado brasileiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o muito longe da realidade de onde escrevemos, no dia 23 de Abril de 2023, uma aldeia Patax\u00f3 no sul da Bahia foi invadida e ocupada por um grupo de pessoas que estariam interessadas na explora\u00e7\u00e3o da flora local, em busca da comercializa\u00e7\u00e3o madeireira. A Terra possui registro como \u00e1rea ind\u00edgena e est\u00e1 demarcada como \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas, como Estado brasileiro, falhamos tamb\u00e9m por aqui.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No caso <em>Yanomami<\/em>, seu povo assistiu ao longo de anos a contamina\u00e7\u00e3o de suas fontes h\u00eddricas, a obstru\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 sa\u00fade fornecida pela Uni\u00e3o e a morte de centena das suas crian\u00e7as por conta de doen\u00e7as trazidas pelo contato com aqueles que chegaram em busca de oportunidades dentro do garimpo ilegal. Todas essas, em seu tempo, facilitadas e incentivadas pelos governos correntes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nos dois casos citados anteriormente, sabemos que a causa do problema \u00e9 a mesma: h\u00e1 interesse de explora\u00e7\u00e3o industrial nos espa\u00e7os dos povos ind\u00edgenas por conta da sua conex\u00e3o \u00edntima com a natureza. Suas cren\u00e7as religiosas est\u00e3o enraizadas na percep\u00e7\u00e3o de que a floresta \u00e9 sagrada e que todas as formas de vida est\u00e3o interligadas. Nesse sentido, h\u00e1 uma diviniza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as naturais, ocasionando na luta cont\u00ednua desses povos em busca de que as florestas permane\u00e7am intactas, sem impacto da a\u00e7\u00e3o humana para a continuidade da vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em contrapartida ao que defendem os povos origin\u00e1rios, a civiliza\u00e7\u00e3o que os rodeia parece buscar o completo oposto. Assim como os garimpeiros e madeireiros veem oportunidade comercial na utiliza\u00e7\u00e3o desenfreada de recursos naturais, o agroneg\u00f3cio e outras grandes ind\u00fastrias brilham em estudos e relat\u00f3rios como aqueles que possuem as a\u00e7\u00f5es que mais geram consequ\u00eancias no meio ambiente. O efeito estufa, ainda que tenham surgido d\u00favidas nos \u00faltimos anos sobre sua exist\u00eancia, \u00e9 o exemplo dessa rela\u00e7\u00e3o mantida entre o capital e o ambiente em que estamos inseridos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do relat\u00f3rio divulgado em 2021 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC), mostravam que haviam tend\u00eancias irrevers\u00edveis no que diz respeito \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica global. Segundo a institui\u00e7\u00e3o mundial, a temperatura m\u00e9dia do planeta tendia a subir em aproximadamente 2\u00baC nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. J\u00e1 o documento divulgado em 2023 sugere a ocorr\u00eancia de uma eleva\u00e7\u00e3o de aproximadamente 3,3\u00b0C e 5,7\u00b0C at\u00e9 o ano de 2100, caso as atuais pol\u00edticas clim\u00e1ticas dos pa\u00edses n\u00e3o mudem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sempre existiram. Enquanto planeta, enfrentamos sazonalmente eras de gelo e calor. O problema surge quando come\u00e7a a ser observada a acelera\u00e7\u00e3o desses processos por meio de atividades humanas e industriais. Para al\u00e9m do consumo desenfreado de materiais que possuem um longo tempo de decomposi\u00e7\u00e3o, as atividades como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, a emiss\u00e3o de gases poluentes e a polui\u00e7\u00e3o dos solos, rios e mares, desempenham um papel crucial no aumento do aquecimento global, permitindo uma maior libera\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa. \u00c9 fundamental reconhecer seus impactos na intensifica\u00e7\u00e3o dessa crise ambiental e na altera\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio clim\u00e1tico do nosso planeta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uma solu\u00e7\u00e3o para amenizar o que ocorre, sugerida por Ant\u00f3nio Guterres, secret\u00e1rio-geral da ONU, \u00e9 que a ind\u00fastria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis deve transformar seus meios de produ\u00e7\u00e3o e avan\u00e7ar nas buscas por fontes de energia limpas e renov\u00e1veis &#8220;e se distanciar de um produto incompat\u00edvel com a sobreviv\u00eancia humana&#8221;. Mas ainda assim \u201cavan\u00e7amos para o desastre com os olhos bem abertos, dispostos demais a apostar tudo em ilus\u00f5es, tecnologias n\u00e3o testadas e solu\u00e7\u00f5es milagrosas. \u00c9 hora de acordarmos e darmos um passo adiante\u201d. Nesse sentido, talvez seja v\u00e1lido come\u00e7armos a enxergar o fen\u00f4meno da vida como nossos povos origin\u00e1rios que cruzaram o norte do globo e sobrevivem h\u00e1 mil\u00eanios no novo mundo. Isso porque, uma rela\u00e7\u00e3o profunda com a natureza, como a dos ind\u00edgenas, \u00e9 capaz de impulsionar a tomada de consci\u00eancia ambiental e a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de manejo de recursos, promovendo assim a conserva\u00e7\u00e3o e a regenera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo VIII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira, est\u00e1 posto o reconhecimento do Estado e seu papel de defensor das culturas, cren\u00e7as, constru\u00e7\u00f5es sociais e direitos \u00e0s terras que os povos origin\u00e1rios ocupam. E \u00e9 a mesma na\u00e7\u00e3o que escreveu essa constitui\u00e7\u00e3o que assiste diariamente os ataques a esses, a quem, constitucionalmente, deveriam proteger. O Estado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":123459,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[492,493,368],"class_list":["post-2757","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-aquecimento-global","tag-indigenas","tag-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/123459"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2757"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2759,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions\/2759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}