{"id":2811,"date":"2023-07-16T18:37:37","date_gmt":"2023-07-16T21:37:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2811"},"modified":"2025-07-18T11:50:36","modified_gmt":"2025-07-18T14:50:36","slug":"jornalismo-institucional-e-os-novos-desafios-do-jornalista-da-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2811","title":{"rendered":"Jornalismo Institucional e os novos desafios do jornalista da atualidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2812\" style=\"width: 679px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2812\" class=\"wp-image-2812 \" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Foto-1-Lu\u00eds-Fernando-Lima-Helinho-Sitos-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"669\" height=\"447\" \/><p id=\"caption-attachment-2812\" class=\"wp-caption-text\">Lu\u00eds Fernando, Secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o da PMVC, no seu ambiente de trabalho. Foto: Helinho Sitos<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na era da velocidade das informa\u00e7\u00f5es e da comunica\u00e7\u00e3o em massa atrav\u00e9s das redes sociais, \u00e9 necess\u00e1ria cada vez mais uma adapta\u00e7\u00e3o do jornalista aos novos tempos. Isso aumenta a sua dificuldade diante de um cen\u00e1rio t\u00e3o desafiador, como por exemplo o combate \u00e0s fake news que chegam \u00e0s pessoas, sem controle. Seja no jornalismo convencional ou institucional, o objetivo final \u00e9 levar as informa\u00e7\u00f5es com clareza e veracidade ao p\u00fablico. E foi diante desse cen\u00e1rio que entrevistei Lu\u00eds Fernando Lima, Secret\u00e1rio Municipal de Comunica\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Vit\u00f3ria da Conquista, Bahia. Lu\u00eds Fernando \u00e9 formado em jornalismo e atuou na coordena\u00e7\u00e3o-geral da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa da Bahia. Trabalhou na cobertura pol\u00edtica h\u00e1 mais de 15 anos e como rep\u00f3rter, passou pelas reda\u00e7\u00f5es dos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia, al\u00e9m de sites, assessorias de comunica\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, privadas e campanhas eleitorais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Com pouco mais de um m\u00eas como Secret\u00e1rio Municipal de Comunica\u00e7\u00e3o em Vit\u00f3ria da Conquista, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o parcial de como est\u00e1 sendo essa experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> J\u00e1 sim. A Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o funciona como um meio dentro da estrutura da gest\u00e3o. \u00c9 um meio que comporta um trip\u00e9 dentro da comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o seguinte: rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, publicidade e propaganda e jornalismo. Em cada um desses segmentos, a gente precisa desenvolver a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e de planejamento. O maior desafio ao assumir a Secretaria \u00e9 voc\u00ea conseguir montar esse mosaico para melhor definir quais s\u00e3o as estrat\u00e9gias que v\u00e3o ser tra\u00e7adas para alcan\u00e7ar o objetivo maior, que \u00e9 informar a popula\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 sendo feito pela gest\u00e3o (municipal). Ent\u00e3o, o principal balan\u00e7o dessa experi\u00eancia \u00e9 que \u00e9 muito satisfat\u00f3rio quando voc\u00ea consegue transmitir isso e encontra nas pesquisas o resultado desse trabalho que \u00e9 feito a muitas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Voc\u00ea j\u00e1 teve longa experi\u00eancia no jornalismo di\u00e1rio em ve\u00edculos da m\u00eddia impressa e digital. Quais elementos desse tipo de trabalho voc\u00ea pode trazer para a experi\u00eancia no jornalismo institucional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> O jornalismo di\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o, seja ele impresso, televis\u00e3o, r\u00e1dio ou digital, ele tem um foco na s\u00edntese, no interesse p\u00fablico, enquanto o desafio para a gente que est\u00e1 na gest\u00e3o institucional \u00e9 mostrar para as pessoas, dar transpar\u00eancia ao que est\u00e1 sendo realizado pela gest\u00e3o. Ent\u00e3o, as principais caracter\u00edsticas que a gente emprega do jornalismo di\u00e1rio dentro do jornalismo institucional \u00e9 voc\u00ea sintetizar a informa\u00e7\u00e3o, deixar os adjetivos de lado e mostrar para a sociedade aquilo que de fato est\u00e1 sendo realizado em tempo r\u00e1pido, mas contextualizando. A institui\u00e7\u00e3o, o poder p\u00fablico de um modo geral serve \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 preciso que a popula\u00e7\u00e3o se enxergue naquilo que est\u00e1 sendo produzido pelo jornalismo institucional. A experi\u00eancia nos ajuda a instrumentalizar isso e tamb\u00e9m a lidar com pessoas, a lidar com equipe, a \u201cazeitar\u201d e ouvir todo mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Voc\u00ea acredita que, em um futuro pr\u00f3ximo, o ser humano, no caso, o jornalista, estar\u00e1 trabalhando em conjunto com a Intelig\u00eancia Artificial?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> Eu acho que n\u00e3o tem muito para onde correr. As ferramentas est\u00e3o a\u00ed, elas n\u00e3o v\u00e3o sumir, desaparecer, e n\u00e3o h\u00e1 processo nenhum que seja poss\u00edvel que freie isso. As pessoas, a gente vive um tempo da din\u00e2mica. O maior ativo do ser humano hoje \u00e9 o tempo. Ningu\u00e9m tem tempo e n\u00e3o quer perder tempo com nada. O Twitter \u00e9 o sucesso que \u00e9, porque ele desenvolve tudo com poucos caracteres. As pessoas n\u00e3o querem ler grandes textos. Elas v\u00e3o ler manchetes. E quem vai fazer manchete melhor? Voc\u00ea ali, quebrando a cabe\u00e7a, ou uma m\u00e1quina que junta a palavra de acordo com o algoritmo que a pessoa j\u00e1 procura? Ent\u00e3o, voc\u00ea vai ter que trabalhar consorciado com a m\u00e1quina, n\u00e3o tem jeito. Brigar com isso \u00e9 besteira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: As fake news n\u00e3o s\u00e3o novidade no jornalismo, mas foram intensificadas pela dissemina\u00e7\u00e3o das m\u00eddias sociais, de alguns anos para c\u00e1. Quais as formas mais eficientes de combat\u00ea-las?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> A melhor forma de se combater fake news \u00e9 com informa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem a\u00ed as ag\u00eancias de checagem de informa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem as fontes para correr atr\u00e1s. \u00c9 importante que a gente n\u00e3o fique, nesse momento que a gente est\u00e1 vivendo, no jornalismo declarativo. \u00c9 checando, pegando o maior n\u00famero de fontes. \u00c9 ouvindo de todos os lados, buscando a informa\u00e7\u00e3o na origem. Na \u00faltima pesquisa que n\u00f3s fizemos aqui em Conquista, em junho, a gente percebeu que 80% da popula\u00e7\u00e3o se informa atrav\u00e9s do Whatsapp e eu costumo dizer que \u00e9 o novo boca a boca. Quando voc\u00ea recebe alguma coisa do Whatsapp de algum conhecido, voc\u00ea leva em considera\u00e7\u00e3o que aquela pessoa \u00e9 de confian\u00e7a. Ent\u00e3o, voc\u00ea tende a acreditar naquilo. Como \u00e9 que voc\u00ea combate isso? \u00c9 dif\u00edcil, \u00e9 um desafio. O desafio da gente \u00e9 estar presente tamb\u00e9m no Whatsapp, atrav\u00e9s dos leads, fazer com que a mensagem institucional, por exemplo, no caso da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o, chegue \u00e0s pessoas. Ent\u00e3o assim, se combate fake news com informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem para onde correr. \u00c9 o ponto base.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Pessoalmente, qual a \u00e1rea do jornalismo que voc\u00ea mais se identifica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> Pol\u00edtica e economia sempre foram as \u00e1reas, que para mim, foram muito significativas. Eu sempre gostei muito do cultural tamb\u00e9m, s\u00f3 que eu acho que o jornalismo cultural exige um requinte textual que eu nunca me dediquei a estudar para t\u00ea-lo. A pol\u00edtica aconteceu na minha vida antes do jornalismo, ent\u00e3o n\u00e3o tinha muito para onde correr. E a economia para mim \u00e9 o que baseia, o que lastreia tudo isso. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m foi uma \u00e1rea que eu me dediquei, estudei e trabalhei como setorista durante um per\u00edodo longo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O jornalismo passou por muitas mudan\u00e7as no mercado de trabalho. Qual recomenda\u00e7\u00e3o voc\u00ea daria para os estudantes que est\u00e3o se iniciando nesse curso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Fernando:<\/strong> O jornalismo tem um paradigma, ele exige que voc\u00ea cada vez mais \u201cniche\u201d, setorize, segmente seu conhecimento, se aprofunde nele e ao mesmo tempo que voc\u00ea saiba um pouco de cada coisa. Ent\u00e3o, voc\u00ea vai ter que ser um generalista que tem um foco, um hiper foco. Esse \u00e9 o paradigma, n\u00e3o tem moleza. O que vai diferenciar um jornalista que est\u00e1 come\u00e7ando agora? \u00c9 a sua capacidade de se aprofundar, de criar inter-rela\u00e7\u00e3o entre os assuntos, de ter bagagem de conhecimento para criar as contextualiza\u00e7\u00f5es e o olhar humano criativo, que isso a m\u00e1quina vai demorar um pouco para desenvolver. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que a gente olhe para a pauta e olhe para que ela serve, a quem ela serve ou a quem ela impacta, com o olhar de ser humano. Essa empatia tem um feeling que \u00e9 intuitivo, mas ela tem tamb\u00e9m uma bagagem de conhecimento que precisa ser adquirida. E ela \u00e9 adquirida com leitura, com filme, com m\u00fasica, com viv\u00eancia, com intera\u00e7\u00e3o humana, com abra\u00e7os, choros, bar, com campo de futebol, com sa\u00eddas, com igreja, com as \u00e1reas de conviv\u00eancia social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na era da velocidade das informa\u00e7\u00f5es e da comunica\u00e7\u00e3o em massa atrav\u00e9s das redes sociais, \u00e9 necess\u00e1ria cada vez mais uma adapta\u00e7\u00e3o do jornalista aos novos tempos. Isso aumenta a sua dificuldade diante de um cen\u00e1rio t\u00e3o desafiador, como por exemplo o combate \u00e0s fake news que chegam \u00e0s pessoas, sem controle. 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