{"id":2885,"date":"2023-07-17T11:12:54","date_gmt":"2023-07-17T14:12:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2885"},"modified":"2025-07-18T11:54:46","modified_gmt":"2025-07-18T14:54:46","slug":"o-olhar-sob-a-maternidade-na-perspectiva-de-maes-de-filhos-portadores-de-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=2885","title":{"rendered":"O olhar sob a maternidade na perspectiva de m\u00e3es de filhos portadores de defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2886\" style=\"width: 763px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2886\" class=\"wp-image-2886\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Foto-1-Elza-Rodrigues-Ana-Almeida-e-Caique-Oliveira-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"753\" height=\"501\" \/><p id=\"caption-attachment-2886\" class=\"wp-caption-text\">Elza Rodrigues, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Foto: Caique Oliveira<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viv\u00eancia da maternidade sob o olhar das m\u00e3es de filhos com defici\u00eancia \u00e9 uma grande jornada repleta de desafios e supera\u00e7\u00f5es. Por conta disso, entrevistamos Elza Rodrigues, ex-presidente do conselho da Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que tem um filho de 33 anos com espectro autista e j\u00e1 enfrentou muitos desafios durante sua jornada na maternidade. Elza compartilhou conosco o seu ponto de vista sobre o tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Elza, como foi para voc\u00ea receber o diagn\u00f3stico do seu filho?<\/strong><br \/>\n<strong>Elza Rodrigues:<\/strong> Costumamos falar que a m\u00e3e de pessoas com necessidades especiais n\u00e3o tem o diagn\u00f3stico, n\u00f3s da fam\u00edlia percebemos. Quando percebemos isso, ficamos sem aceita\u00e7\u00e3o, sem saber o que fazer, sem concordar com a situa\u00e7\u00e3o, mesmo enxergando algo diferente a gente n\u00e3o aceita, chamamos isso de luto. Quando a not\u00edcia chegou n\u00e3o foi com muita alegria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Na sua jornada como m\u00e3e, como foi o processo de adapta\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o do seu filho e como isso influenciou na sua vida geral?<\/strong><br \/>\n<strong>Elza Rodrigues:<\/strong> Eu tenho 4 filhos, Junior \u00e9 o terceiro, a vis\u00e3o come\u00e7ou a ser diferente dele. A primeira preocupa\u00e7\u00e3o, pelo menos minha quando tive Junior, foi que o pr\u00f3ximo tivesse alguma defici\u00eancia. Comecei a enxergar o mundo diferente, comecei a ter um olhar atrav\u00e9s da pessoa com defici\u00eancia que voc\u00ea tem em casa, atrav\u00e9s do que acontecia em volta dele. Comigo foi assim, comecei a enxergar com os olhos dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Em rela\u00e7\u00e3o ao preconceito e aos estigmas da sociedade, voc\u00ea j\u00e1 presenciou alguma situa\u00e7\u00e3o que seu filho foi alvo de preconceito ou atitudes preconceituosas?<\/strong><br \/>\n<strong>Elza Rodrigues:<\/strong> Como eu j\u00e1 havia dito, o maior preconceito foi na fam\u00edlia, o primeiro lugar que sofri foi dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia. O maior preconceituoso dentro da minha casa era o meu marido, quando busquei a APAE ele n\u00e3o aceitava, dizia que era lugar de doido. Sofria preconceito at\u00e9 com os meus cunhados. Tinha um cunhado que dizia: \u201cCad\u00ea meu sobrinho doidinho?\u201d, ele se referia ao meu filho assim, \u201csobrinho doidinho\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais foram os principais desafios em rela\u00e7\u00e3o aos suportes p\u00fablicos, sistemas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea percebeu que seu filho precisava?<\/strong><br \/>\n<strong>Elza Rodrigues:<\/strong> No come\u00e7o foi dif\u00edcil, tentei buscar ajuda em Conquista e n\u00e3o tinha, n\u00e3o consegui diagn\u00f3stico de autismo aqui, mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o tinha recursos para pagar. Foi quando entrei na APAE, consegui uma vaga e encontrei todo o apoio. N\u00e3o tive muita dificuldade depois, porque a APAE me deu esse apoio, pois dentro est\u00e1 implantado esses recursos inclusive o da sa\u00fade, como psicol\u00f3gico, neurol\u00f3gico e terap\u00eautico e educa\u00e7\u00e3o, temos esportes, a arte e ainda tem assist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como voc\u00ea se sente atualmente, depois de todas as suas experi\u00eancias na maternidade com o seu filho?<\/strong><br \/>\n<strong>Elza Rodrigues:<\/strong> Eu diria que \u00e9 uma das melhores fases da minha vida. Ele agora como adulto, com mais entendimento, \u00e9 outra pessoa. Com 33 anos, ele n\u00e3o \u00e9 mais aquela crian\u00e7a que corria para l\u00e1 e para c\u00e1 e n\u00e3o parava, agitada, que gritava o tempo todo. Hoje \u00e9 outro comportamento, claro, com suas limita\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 outra pessoa. Sinto que vencemos 70% de tudo, todos notam a diferen\u00e7a, na APAE, em casa, porque antes n\u00f3s t\u00ednhamos que correr atr\u00e1s dele o tempo todo. Agora, s\u00f3 tenho que levantar minhas m\u00e3os para o c\u00e9u e dizer \u201cGratid\u00e3o, Deus!\u201d, tudo que era mais dif\u00edcil passou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A viv\u00eancia da maternidade sob o olhar das m\u00e3es de filhos com defici\u00eancia \u00e9 uma grande jornada repleta de desafios e supera\u00e7\u00f5es. 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