{"id":3362,"date":"2025-07-18T12:38:16","date_gmt":"2025-07-18T15:38:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3362"},"modified":"2025-07-18T12:38:16","modified_gmt":"2025-07-18T15:38:16","slug":"sobrevivencia-e-coragem-a-historia-de-luciana-contra-a-violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3362","title":{"rendered":"Sobreviv\u00eancia e coragem: a hist\u00f3ria de Luciana contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/FOTO-EQUIPE-ARTHUR-VITOR-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3363\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luciana Santos Almeida sendo entrevistada pela equipe. Foto: Sarah Andrade<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Luciana Santos Almeida \u00e9 uma mulher que carrega na palavra \u201csobreviv\u00eancia\u201d o resumo de uma vida marcada por viol\u00eancias silenciadas e supera\u00e7\u00f5es solit\u00e1rias. Fugiu de casa aos 14 anos, tornou-se m\u00e3e ainda na adolesc\u00eancia e enfrentou, por anos, um relacionamento abusivo n\u00e3o tendo uma rede de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem den\u00fancia formal, sem escuta da fam\u00edlia e com medo como companheiro constante, foi nos filhos que encontrou for\u00e7as para romper o ciclo. Hoje, aos 47 anos, \u00e9 empres\u00e1ria e av\u00f3 de um garotinho e vive uma vida tranquila. Luciana olha para sua trajet\u00f3ria com orgulho da for\u00e7a que teve para seguir viva, e com a certeza de que viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o tem rosto, nem justificativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Voc\u00ea contou para algu\u00e9m logo de in\u00edcio?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> N\u00e3o. Fugi de casa aos 14 anos de idade. Tive meu primeiro filho aos 16 e o segundo aos 19. No meu entendimento, porque foi eu quem decidi sair de casa cedo e que n\u00e3o fiz uma boa escolha, ningu\u00e9m tinha nada com isso. A escolha foi minha. Portanto, eu n\u00e3o gostava de compartilhar as amarguras que sofria em casa com ningu\u00e9m. Nem com minha fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quando voc\u00ea percebeu que estava em um relacionamento abusivo?<br>Luciana Santos Almeida<\/strong>: Quando houve discuss\u00f5es mais agressivas (com ofensas verbais) e viol\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que mais te marcou durante esse per\u00edodo?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> O medo! Durante o relacionamento, a casa s\u00f3 tinha paz quando ele n\u00e3o estava. Quando dava final de semana, que era quando ele chegava, tudo mudava. Depois foi o medo da aproxima\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje, mesmo depois de quase 15 anos, ainda tenho medo. N\u00e3o s\u00f3 dele, mas de todo e qualquer sinal de altera\u00e7\u00e3o de comportamento, dele ou de outro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como foi o processo de sair dessa situa\u00e7\u00e3o?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Muito dif\u00edcil. Tentava de todas as formas sair de maneira amig\u00e1vel, mas n\u00e3o tive sucesso. At\u00e9 que houve trai\u00e7\u00e3o da minha parte como forma de retribui\u00e7\u00e3o \u00e0 trai\u00e7\u00e3o por parte dele, a\u00ed a coisa ficou insustent\u00e1vel. Da\u00ed a viol\u00eancia s\u00f3 aumentou e eu fugi para outra cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual foi o estopim para buscar ajuda?<br>Luciana Santos Almeida<\/strong>: Nunca busquei ajuda! Nunca tive ajuda de ningu\u00e9m. Nem minha m\u00e3e ou qualquer membro da minha fam\u00edlia sabia do ocorrido. E quando falei para a irm\u00e3 dele, com quem eu tinha aproxima\u00e7\u00e3o, ela me falou pra n\u00e3o prestar queixa porque a fam\u00edlia n\u00e3o ia ficar do meu lado, pois n\u00e3o gostavam de esc\u00e2ndalos ou delegacia. Portanto, n\u00e3o sei o que \u00e9 \u201cter ajuda\u201d em casos de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que mais te ajudou na recupera\u00e7\u00e3o emocional?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Meus filhos! Precisava ser forte, sobreviver para cuidar deles!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que voc\u00ea diria para quem est\u00e1 vivendo o que voc\u00ea viveu?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Que tome as decis\u00f5es corretas! Sempre levando em conta o que ela mais ama!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Hoje, como voc\u00ea enxerga a Luciana de antes?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> A Luciana de antes era nova, inexperiente e ainda acreditava na mudan\u00e7a das pessoas. N\u00e3o tenho o que reclamar dela! S\u00f3 agradecer por ela ter sido forte e sobrevivido at\u00e9 aqui!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: E a de agora?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Uma sobrevivente que aprendeu muito ao longo dos anos e continua aprendendo! Para entender melhor os homens, passei a pensar como eles. Hoje eu consigo entender um pouco da mente masculina. Inclusive li alguns livros sobre o assunto e estou sempre estudando o comportamento humano em geral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual \u00e9 o maior mito sobre relacionamentos abusivos?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Que o abusador\/abusadora vai mudar! N\u00e3o mudam! Voc\u00ea se adapta e se cala! S\u00f3 isso\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual palavra voc\u00ea usaria para representar a sua hist\u00f3ria?<br>Luciana Santos Almeida:<\/strong> Sobreviv\u00eancia!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciana Santos Almeida \u00e9 uma mulher que carrega na palavra \u201csobreviv\u00eancia\u201d o resumo de uma vida marcada por viol\u00eancias silenciadas e supera\u00e7\u00f5es solit\u00e1rias. Fugiu de casa aos 14 anos, tornou-se m\u00e3e ainda na adolesc\u00eancia e enfrentou, por anos, um relacionamento abusivo n\u00e3o tendo uma rede de apoio. 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