{"id":3365,"date":"2025-07-18T12:46:17","date_gmt":"2025-07-18T15:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3365"},"modified":"2025-07-18T12:46:17","modified_gmt":"2025-07-18T15:46:17","slug":"o-lar-da-misericordia-em-vitoria-da-conquista-acolhimento-e-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3365","title":{"rendered":"O Lar da Miseric\u00f3rdia em Vit\u00f3ria da Conquista: acolhimento e transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1002\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/FOTO-1-EQUIPE-DANIEL-SENA-1002x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3366\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza, 42 anos, fundador da Organiza\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o Social Lar da Miseric\u00f3rdia. Foto: @lardamisericordia (Instagram)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O abandono social \u00e9 uma realidade que afeta milhares de brasileiros, especialmente aqueles em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, agravada pelo uso abusivo de subst\u00e2ncias il\u00edcitas, transtornos mentais e doen\u00e7as que limitam a sua capacidade cognitiva. Esses fatores contribuem para o isolamento, a exclus\u00e3o e a invisibiliza\u00e7\u00e3o de pessoas que mais necessitam de aten\u00e7\u00e3o, acolhimento e acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas. Sensibilizado por essa realidade e motivado pela frase b\u00edblica sobre altru\u00edsmo: \u201cViu, sentiu compaix\u00e3o e cuidou dele.\u201d Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza, de 42 anos, fundou o Lar da Miseric\u00f3rdia, uma organiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o social de natureza filantr\u00f3pica, sem fins lucrativos, que atua de forma aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, sustentando-se por meio de doa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, parcerias e trabalho volunt\u00e1rio. A institui\u00e7\u00e3o tem como intuito abrigar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de risco social, priorizando aquelas em processo de vulnerabiliza\u00e7\u00e3o por transtornos ps\u00edquicos ou abandono familiar. O Lar da Miseric\u00f3rdia promove a\u00e7\u00f5es voltadas para reintegrar socialmente os acolhidos, oferecendo suporte psicossocial e acompanhamento t\u00e9cnico para ajudar no desenvolvimento da autonomia dos internos. Dessa forma, a organiza\u00e7\u00e3o contribui com a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e amplia a rede de prote\u00e7\u00e3o para as 13 pessoas que moram no Lar da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como iniciou o projeto do Lar da Miseric\u00f3rdia?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Foi um processo bem demorado, fomos conhecendo pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua atrav\u00e9s de um grupo de jovens, que fazia trabalhos volunt\u00e1rios. E nessa conviv\u00eancia com essas pessoas foi se criando um la\u00e7o de amizade e nascendo o desejo de ajudar de uma maneira maior do que somente o ato de cuidar deles na rua. A gente se sentia satisfeito de estar ajudando o outro e tamb\u00e9m de v\u00ea-los recebendo essa ajuda. Mas n\u00e3o era o bastante, n\u00e9? Ent\u00e3o nasceu o sonho de ter uma casa que pudesse acolher aqueles que precisassem. Assim, nasce o Lar da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O Lar da Miseric\u00f3rdia surgiu por conta de um grupo de jovens, de que igreja?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza: <\/strong>Surgiu com um grupo de jovens da Par\u00f3quia [Nossa Senhora] de F\u00e1tima e logo aconteceu um movimento de pessoas da pr\u00f3pria igreja cat\u00f3lica, de pessoas de outras igrejas, e de pessoas sem denomina\u00e7\u00e3o religiosa. Pessoas com uma motiva\u00e7\u00e3o moral ou espiritual, juntas, com o intuito de ajudar o pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Tem a imagem de Santa Dulce dos Pobres aqui na parede da frente desta casa. Qual a rela\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o com a Santa?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> A institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com a Santa, pelo menos n\u00e3o quanto se imagina diante do legado da irm\u00e3 Dulce. [\u2026] Acontece que em 2020, est\u00e1vamos em outro endere\u00e7o na Avenida Brumado, ent\u00e3o veio a pandemia e a gente estava assustado com toda aquela situa\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio. Na casa eram 26 pessoas vivenciando a quarentena e este espa\u00e7o ainda n\u00e3o existia. Havia irm\u00e3os que sa\u00edam e n\u00e3o pod\u00edamos acolher de volta, e pessoas que nos procuravam e a gente n\u00e3o podia acolher. Ent\u00e3o nos emprestaram esse lugar e ficou o mesmo nome \u201cLar da Miseric\u00f3rdia\u201d, mas pela canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Dulce coube nomear de \u201cLar da Miseric\u00f3rdia \u2013 Casa Irm\u00e3 Dulce\u201d para diferenciar os dois endere\u00e7os. Depois entregamos a antiga casa e esta continuou com a inspira\u00e7\u00e3o na caridade e no legado dela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais s\u00e3o os suportes que a organiza\u00e7\u00e3o oferece para os acolhidos?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Ofertamos aquilo que est\u00e1 ao nosso alcance. Abrigo, alimenta\u00e7\u00e3o, roupas, o b\u00e1sico. Al\u00e9m dos cuidados na \u00e1rea da sa\u00fade, para pessoas que t\u00eam demanda psiqui\u00e1trica, a gente encaminha pro Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) ou para o Centro Municipal de Aten\u00e7\u00e3o Especializada (CEMAE) e tamb\u00e9m assist\u00eancia jur\u00eddica quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Existe uma colabora\u00e7\u00e3o com outras institui\u00e7\u00f5es?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Com o tempo surgiram la\u00e7os com outras a\u00e7\u00f5es, n\u00f3s conhecemos outras institui\u00e7\u00f5es, e vai acontecendo uma troca. Principalmente com ajuda das pessoas, uma assist\u00eancia, n\u00e3o financeira. A nossa conviv\u00eancia \u00e9 no sentido da partilha, tudo o que n\u00f3s recebemos, n\u00f3s compartilhamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como \u00e9 a equipe do Lar da Miseric\u00f3rdia? S\u00e3o volunt\u00e1rios ou pessoas contratadas?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> No come\u00e7o n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos recursos financeiros para pagar ningu\u00e9m, ent\u00e3o cont\u00e1vamos com o servi\u00e7o volunt\u00e1rio das pessoas. Mas hoje, n\u00f3s temos aqui cinco pessoas que antes eram apenas volunt\u00e1rios, mas agora s\u00e3o prestadores de servi\u00e7os com remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais s\u00e3o as principais fontes de financiamento do Lar?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> O Lar come\u00e7ou a ser mantido apenas por doa\u00e7\u00f5es, sem qualquer v\u00ednculo com o poder p\u00fablico. Com o passar do tempo, alguns moradores passaram a receber aux\u00edlio e aposentadoria, sendo que cerca de 70% desses valores s\u00e3o utilizados de forma coletiva, enquanto os 30% restantes ficam reservados para as necessidades individuais. Al\u00e9m disso, uma outra fonte de recurso \u00e9 o projeto \u2018Amigo Nota 10\u2019, que convida as pessoas a contribu\u00edrem com R$10 mensais para as despesas da casa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Voc\u00ea consegue separar o trabalho da sua vida pessoal?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Dediquei cinco anos da minha vida morando na institui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que ela conseguisse se estabilizar e ter recursos pr\u00f3prios para se manter. Ainda n\u00e3o me afastei totalmente, mas j\u00e1 faz um ano e meio que praticamente n\u00e3o durmo mais aqui, pois preciso cuidar da minha m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como voc\u00eas lidam com os acolhidos que enfrentam depend\u00eancia qu\u00edmica?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> No in\u00edcio, t\u00ednhamos uma casa onde os moradores de rua passavam apenas a noite e, durante o dia, muitos voltavam a consumir \u00e1lcool. Adotamos como princ\u00edpio a ideia de acolher, amar e cultivar, pois acreditamos que \u00e9 essencial estar aberto para ouvir e cuidar dessas pessoas. Com o tempo, percebemos que alguns moradores demonstraram o desejo de superar a depend\u00eancia, mas acabavam sendo influenciados por aqueles que ainda n\u00e3o estavam prontos para essa mudan\u00e7a. Diante disso, entendemos a necessidade de oferecer um espa\u00e7o mais est\u00e1vel, um verdadeiro lar, onde pessoas em condi\u00e7\u00f5es mais equilibradas pudessem reconstruir suas vidas com mais serenidade. Por isso, h\u00e1 cerca de dois anos, decidimos n\u00e3o acolher mais pessoas em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia qu\u00edmica, buscando preservar um ambiente mais harm\u00f4nico para todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Existe uma boa conviv\u00eancia entre os acolhidos?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Sim. O lar s\u00f3 funciona at\u00e9 hoje porque, apesar das dificuldades, conseguimos criar um sentimento de pertencimento entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Algum acolhido j\u00e1 passou por uma grande mudan\u00e7a de vida?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> Tivemos um jovem que casou, tem dois filhos, conseguiu comprar um carro e, atualmente, faz um curso t\u00e9cnico. Mas tamb\u00e9m lidamos com realidades dif\u00edceis. Muitos n\u00e3o conseguem se reintegrar ao mercado de trabalho devido a transtornos mentais ou \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica. Hoje, dos 13 acolhidos que vivem conosco, 9 ainda n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de voltar \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que voc\u00ea aprendeu com as pessoas que foram acolhidas pelo Lar da Miseric\u00f3rdia?<br>Jo\u00e3o Paulo de Oliveira Souza:<\/strong> \u00c9 bom ter algu\u00e9m que cuide da gente. Quando n\u00e3o temos ningu\u00e9m cuidando ou olhando para n\u00f3s, a gente se sente muito sozinho e abandonado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Lar da Miseric\u00f3rdia \u00e9 uma entre muitas organiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o social espalhadas pelo Brasil. Essas institui\u00e7\u00f5es nascem e se mant\u00eam gra\u00e7as a compaix\u00e3o, solidariedade e senso de humanidade daqueles que, movidos pelo amor ao pr\u00f3ximo, dedicam seu tempo e cora\u00e7\u00e3o a causas maiores, \u00e0 vida. O Lar \u00e9 um exemplo de que o cuidado deve ser dado a todos aqueles que precisam, que com amor ao pr\u00f3ximo e comunh\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acolher e transformar vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea deseja contribuir com a miss\u00e3o filantr\u00f3pica do Lar da Miseric\u00f3rdia, pode ajudar com doa\u00e7\u00f5es, trabalho volunt\u00e1rio ou divulgando o projeto. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre como apoiar o Lar da Miseric\u00f3rdia, entre em contato pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lardamisericordia\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/lardamisericordia\/\">Instagram (@lardamisericordia)<\/a> ou do pelo telefone (77) 98817-8050. Qualquer gesto, por menor que pare\u00e7a, faz uma grande diferen\u00e7a para quem mais precisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abandono social \u00e9 uma realidade que afeta milhares de brasileiros, especialmente aqueles em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, agravada pelo uso abusivo de subst\u00e2ncias il\u00edcitas, transtornos mentais e doen\u00e7as que limitam a sua capacidade cognitiva. 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