{"id":3555,"date":"2026-01-11T19:46:18","date_gmt":"2026-01-11T22:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3555"},"modified":"2026-01-11T19:46:20","modified_gmt":"2026-01-11T22:46:20","slug":"e-no-final-o-tempo-passou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3555","title":{"rendered":"E no final, o tempo passou"},"content":{"rendered":"\n<p>Eu sempre desejei que o tempo passasse r\u00e1pido. Lembro de querer completar logo os 10 anos, para que minha idade fosse formada por uma m\u00e3o completa. Depois queria que chegasse logo os 15, para ter uma bela festa e finalmente \u201ccrescer\u201d aos olhos da sociedade. E \u00e9 claro, ansiava pelos 18 anos, pela promessa de liberdade, pela carteira de motorista, pela faculdade, pela vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na escola n\u00e3o era diferente, sempre odiei usar uniforme e fazer provas chatas de biologia. Queria que o tempo passasse, queria entrar logo no ensino m\u00e9dio e depois no \u00faltimo ano. Contava os dias para a formatura e para eu nunca mais precisar pisar naquela institui\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o, o tempo passou e passou depressa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o percebi quando parei de assistir desenho e comer p\u00e3o com Nescau nas manh\u00e3s de s\u00e1bado. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei quando parei de brincar no play do meu pr\u00e9dio e n\u00e3o me lembro da \u00faltima vez que pulei em um pula-pula. Todo o mundo encantado da inf\u00e2ncia e o mundo confuso da adolesc\u00eancia sumiram e se tornaram o mundo rotineiro da vida adulta, sem eu me dar conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro beijo tamb\u00e9m passou. \u00c0s vezes, ele volta como uma lembran\u00e7a r\u00e1pida, um rosto borrado, um nervosismo sem necessidade e a sensa\u00e7\u00e3o de ter vivido algo extraordin\u00e1rio, mas logo passa de novo. Depois dele, vieram outros beijos, hist\u00f3rias e pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Queria que o tempo s\u00f3 tivesse levado minha juventude. Mas o tempo \u00e9 cruel e a presen\u00e7a de V\u00f3 Willma \u00e9 a maior prova de que o tempo n\u00e3o para. Um dia ela estava ali, rindo pro vento e preparando comidas deliciosas, no outro dia, foi levada, pelo tal do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta que ela faz vai muito mais al\u00e9m da presen\u00e7a f\u00edsica. \u00c9 a culpa de n\u00e3o lembrar de sua voz. \u00c9 a vontade de abra\u00e7\u00e1-la pela \u00faltima vez. \u00c9 a for\u00e7a de n\u00e3o demonstrar estar mal perto de minha m\u00e3e. O pior \u00e9 que o tempo n\u00e3o parou para eu sentir falta dela. O sol continuou nascendo e as obriga\u00e7\u00f5es continuaram existindo. Eu tinha pressa, muita pressa de crescer, tanta pressa que n\u00e3o percebi que eu tinha muito mais tempo que ela.<br>Hoje, continuo ansiando pelos pr\u00f3ximos dias, pelas festas, pelas f\u00e9rias, para viajar at\u00e9 minha cidade natal e visitar todos aqueles que eu amo, mas percebi que o tempo n\u00e3o \u00e9 exatamente uma conquista, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma derrota. O tempo apenas \u00e9 o tempo. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora eu sei que devo aproveitar o agora.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sempre desejei que o tempo passasse r\u00e1pido. Lembro de querer completar logo os 10 anos, para que minha idade fosse formada por uma m\u00e3o completa. Depois queria que chegasse logo os 15, para ter uma bela festa e finalmente \u201ccrescer\u201d aos olhos da sociedade. 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