{"id":3558,"date":"2026-01-11T19:48:18","date_gmt":"2026-01-11T22:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3558"},"modified":"2026-01-11T19:48:19","modified_gmt":"2026-01-11T22:48:19","slug":"a-minhoca-do-quintal-de-vozinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3558","title":{"rendered":"A \u201cminhoca\u201d do quintal de v\u00f3zinha"},"content":{"rendered":"\n<p>Eu morava em S\u00e3o Paulo-SP, cercada por pr\u00e9dios altos e barulhos que nunca cessavam. Mas todos os anos, quando as f\u00e9rias chegavam, meu cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ava a bater diferente. Era hora de ir pra Po\u00e7\u00f5es, interior da Bahia, pra casa de v\u00f3zinha. Assim mesmo, no diminutivo, porque amor grande sempre cabe num nome pequeno.<br>A casa dela era um ref\u00fagio. Tinha cheiro de caf\u00e9 fresco e afeto espalhado por todos os cantos. O quintal, ent\u00e3o, era o meu mundo encantado, enorme, cheio de flores e plantas. Ali eu criava hist\u00f3rias, falava com minhas bonecas e acreditava que tudo podia ganhar vida.<br>Era uma tarde calma e eu passeava com minha boneca pelo quintal, inventando que ela morava ali comigo. Foi quando vi algo estranho no ch\u00e3o: algo comprido, gosmento. Parei. Fiquei olhando, tentando entender o que era. Me agachei e observei cada pedacinho \u201cdaquilo\u201d. E, de repente, na minha cabe\u00e7a veio a lembran\u00e7a das figuras do livro de Ci\u00eancias, da escola. Tinha todas as caracter\u00edsticas de uma minhoca! Fiquei um pouco enojada, confesso, mas medo eu n\u00e3o senti.<br>Corri at\u00e9 a sala, onde toda a fam\u00edlia estava reunida, e contei sobre a suposta minhoca que tinha visto. Minha m\u00e3e, deitada no sof\u00e1, pediu para o meu primo ir verificar, j\u00e1 que ela morria de nojo desses bichos. Levei-o at\u00e9 o lugar onde eu tinha visto a tal minhoca. Ele olhou, ficou p\u00e1lido e, num salto, gritou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 uma minhoca, \u00e9 uma cobra!<\/p>\n\n\n\n<p>A casa virou um alvoro\u00e7o. Todos correram assustados, e eu, parada, sem entender o motivo do p\u00e2nico. Na minha cabe\u00e7a, cobras viviam na floresta, apareciam em livros e nos desenhos da televis\u00e3o, n\u00e3o no quintal de v\u00f3zinha. Fiquei observando, tentando compreender porque algo t\u00e3o pequeno podia causar tanto medo.<br>Naquele dia, aprendi que nem sempre o perigo tem cara de perigo e que o mundo \u00e9 cheio de descobertas escondidas nas coisas mais simples. Mas, mais do que isso, compreendi que as mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia, como a daquela tarde no quintal de v\u00f3zinha, s\u00e3o os tesouros de um tempo que agora carrego em mim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu morava em S\u00e3o Paulo-SP, cercada por pr\u00e9dios altos e barulhos que nunca cessavam. Mas todos os anos, quando as f\u00e9rias chegavam, meu cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ava a bater diferente. Era hora de ir pra Po\u00e7\u00f5es, interior da Bahia, pra casa de v\u00f3zinha. Assim mesmo, no diminutivo, porque amor grande sempre cabe num nome pequeno.A casa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":123459,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/123459"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3558"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3560,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3558\/revisions\/3560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}