{"id":3602,"date":"2026-01-16T08:10:23","date_gmt":"2026-01-16T11:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3602"},"modified":"2026-01-16T08:31:12","modified_gmt":"2026-01-16T11:31:12","slug":"a-inclusao-ou-nao-da-diversidade-lgbt-no-espaco-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3602","title":{"rendered":"A inclus\u00e3o (ou n\u00e3o) da diversidade LGBT no espa\u00e7o universit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FOTO-EQUIPE-RAFAELA-DIAS-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3603\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor universit\u00e1rio Marcus Assis Lima, idealizador do projeto de extens\u00e3o LALIDIS. Foto: Lav\u00ednia Marinho.\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De acordo com dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ no mundo. Segundo o Observat\u00f3rio de 2024, publicado pelo grupo no in\u00edcio de 2025, foram registradas 291 mortes violentas, um aumento de 8,83% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. A viol\u00eancia enfrentada por pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil \u00e9 estrutural, refletindo, inevitavelmente, ambientes institucionais como as universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o professor Marcus Assis Lima (62), do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e do curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e Linguagem, tamb\u00e9m da Uesb, criou o Laborat\u00f3rio de Linguagem e Diversidade Sexual (LALIDIS), um programa de extens\u00e3o voltado para os estudantes e para a comunidade LGBTQIAPN+ em geral. Nesta entrevista, o professor explica como tem trabalhado para acolher esse p\u00fablico no espa\u00e7o acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Professor Marcus, o que lhe motivou a dar in\u00edcio ao LALIDIS e de que forma isso foi feito?<br>Marcus Assis Lima:<\/strong> As minhas pesquisas. Chegou um momento em que eu pensei, \u201cbom, eu j\u00e1 tenho um conhecimento acumulado e agora preciso levar isso pra fora, transformar em algo pra comunidade externa&#8221; &#8220;[a Universidade]\u201d. Estava na hora de fazer um projeto de extens\u00e3o para que esse conhecimento que eu tenho pudesse servir pra alguma coisa na comunidade \u201c[de Vit\u00f3ria da Conquista-BA]\u201d. Foi da\u00ed que nasceu o LALIDIS. Queria criar um projeto de extens\u00e3o para isso, oferecer cursos e trazer pra Universidade, principalmente, a popula\u00e7\u00e3o travesti, transexual, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Para o senhor, qual a import\u00e2ncia desse tipo de projeto nas universidades?<br>Marcus Assis Lima: <\/strong>Ah, \u00e9 important\u00edssimo. Bom, eu sou um homem gay, todo mundo sabe, sempre estive fora do arm\u00e1rio. Mas, por exemplo, quando eu fui fazer meu mestrado, um projeto sobre uma revista gay, foi um alvoro\u00e7o na universidade \u201c[que estudei]\u201d. Eu sempre percebi, na minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica, que, embora as pessoas me aceitem, por tr\u00e1s sempre tem uns risinhos. \u00c9 claro que eu sofro bem menos preconceito porque eu sou branco, homem, de classe m\u00e9dia, isso eu tenho certeza. Mas, na minha trajet\u00f3ria toda, mesmo quando eu vim pra UESB, sempre foi uma coisa que eu tive interesse, a Universidade precisa abrir espa\u00e7o e acolher essas pessoas. E acolher n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter a cota pra ela entrar, porque depois que ela entra\u2026 Joga ela aqui dentro e ela que se vire. Acho que a Universidade ainda n\u00e3o tem esse tipo de acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual o maior desafio ou retalia\u00e7\u00f5es que enfrentou quando deu in\u00edcio ao projeto?<br>Marcus Assis Lima: <\/strong>Ah, o maior desafio foi a falta de verba, n\u00e9? Falta de aux\u00edlio financeiro, porque para fazer essas coisas eu preciso de dinheiro. Eu queria trazer no come\u00e7o, por exemplo, transexuais e travestis para a Universidade. Mas como que eu vou trazer essas pessoas? Quem vai pagar o \u00f4nibus delas para sair l\u00e1 da onde elas moram para vir para a Universidade? Como \u00e9 que elas v\u00e3o comer? Isso a Universidade n\u00e3o me d\u00e1.<br>Isso aliado ao fato de que, at\u00e9 mesmo as pr\u00f3prias pessoas da comunidade \u201c[LGBTQIAPN+]\u201d t\u00eam resist\u00eancia com isso. A pr\u00f3pria comunidade n\u00e3o me procura. O espa\u00e7o t\u00e1 aberto, eu estou aqui. Eu n\u00e3o posso sair catando la\u00e7o, n\u00e9? Falar: \u201c\u2019\u201d Vem c\u00e1 viado, vem sua sapa\u201c\u2019\u201d. N\u00e3o posso fazer isso. Eu j\u00e1 convidei milhares de pessoas, pergunto \u201c\u2018\u201cVoc\u00ea n\u00e3o quer contribuir com o site, escrever? Voc\u00ea pode escrever o que voc\u00ea quiser\u201d\u2019\u201d. E fica por isso mesmo. Teve gente que j\u00e1 me perguntou o que ganharia com isso, eu falei: \u201c\u2018\u201c\u2018Um espa\u00e7o acad\u00eamico para voc\u00ea se manifestar\u201d\u2019\u201d. \u00c9 o que eu posso dar, mas a pr\u00f3pria comunidade n\u00e3o quer se envolver. E na \u00e9poca da pandemia, com o Bolsonaro, por exemplo, \u201c[o projeto]\u201d enfrentou muitas \u201c[retalia\u00e7\u00f5es]\u201d. N\u00e3o s\u00f3 o projeto, mas eu tamb\u00e9m, com amea\u00e7as, essas coisas. Tem essas pessoas, n\u00e9? Que s\u00e3o contra.<\/p>\n\n\n\n<p>E<strong>XTRA!Ordin\u00e1rio: Voc\u00ea poderia detalhar quais s\u00e3o os principais focos ou projetos que o LALIDIS est\u00e1 trabalhando atualmente ou j\u00e1 trabalhou?<br>Marcus Assis Lima:<\/strong> Ixe, a gente j\u00e1 fez tanta coisa. O LALIDIS deu uma inclinada, mas continua l\u00e1 o site. De vez em quando a gente atualiza, mas eu t\u00f4 sem ningu\u00e9m para fazer isso. Mas j\u00e1 fizemos muita coisa, eu sempre dou esses nomes engra\u00e7adinhos, t\u00e1? Ent\u00e3o, por exemplo, tinha o \u201cSextou da Balb\u00fardia&#8221;, que eram aulas abertas sobre tem\u00e1ticas de g\u00eanero e sexualidade, que eram sempre na sexta-feira. A gente tinha um um talk show, que chamava \u201cQueerVersando no Lalids\u201d, brincando queer com conversando, eram entrevistas com pessoas LGBT para conversar, e tal. E, o que mais\u2026 O pr\u00f3prio site.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual o impacto que o LALIDIS espera gerar ao permitir que essas vozes ocupem e transformem o espa\u00e7o acad\u00eamico?<br>Marcus Assis Lima: <\/strong>A ideia \u00e9 tentar diminuir um pouco o preconceito. Poder mostrar que n\u00f3s somos pessoas normais. A gente come, caga, peida, do mesmo jeito. S\u00f3 tem uma coisa de diferente, que \u00e9 que eu gosto de uma pessoa que n\u00e3o \u00e9 o que a sociedade acha que \u00e9 o que eu devo gostar. E, tamb\u00e9m, de alguma forma, fazer com que a universidade fale sobre isso. Dar visibilidade para essa tem\u00e1tica. De uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, as cotas para trans a\u00ed na universidade, \u00e9 um reflexo de que eu botei a boca no trombone. Falei: &#8220;\u00d3, existe LGBT na universidade&#8221;. De alguma forma, nos meus sonhos, n\u00e9? Eu penso que, pelo menos, chamei a aten\u00e7\u00e3o para isso e eles resolveram fazer pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como voc\u00ea imagina o LALIDIS daqui a 5 anos?<br>Marcus Assis Lima: <\/strong>Eu espero que, daqui a 5 anos, eu tenha um espa\u00e7o f\u00edsico. Eu tenho um grande acervo de livros, de revistas, de filmes e etc que eu gostaria de colocar nesse espa\u00e7o de conviv\u00eancia. A ideia \u00e9 essa: o LALIDIS ser um espa\u00e7o de conviv\u00eancia para a comunidade LGBTQIAPN+<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ no mundo. 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