{"id":363,"date":"2018-09-25T21:06:42","date_gmt":"2018-09-26T00:06:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=363"},"modified":"2018-09-25T21:06:42","modified_gmt":"2018-09-26T00:06:42","slug":"um-amor-em-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=363","title":{"rendered":"Um amor em constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez me perguntaram qual era a minha lembran\u00e7a mais triste. V\u00e1rios momentos surgiram na minha mente, dif\u00edcil saber o pior. Logo em seguida, perguntaram a lembran\u00e7a mais feliz. N\u00e3o tinha. Fiz esfor\u00e7o para lembrar de ao menos uma situa\u00e7\u00e3o, um segundo de extrema felicidade. N\u00e3o tinha. Aquilo me frustrou de uma forma que tentei recapitular ano por ano da minha vida, para talvez encontrar nem que fosse um breve segundo em que fui plenamente feliz. Ora, me lembro daquela vez em que me senti flutuando no para\u00edso! S\u00f3 que estava sob efeito de drogas. N\u00e3o pude considerar esse fato j\u00e1 que se tratava de uma felicidade induzida.<\/p>\n<p>Puxa vida! Logo eu, que sou t\u00e3o alegre e vivo sorrindo \u00e0 toa. Tanta coisa bonita acontece ao meu redor e n\u00e3o sou capaz de descrever nada, nadinha que tenha me impactado positivamente? Mais tarde neste mesmo dia, senti uma ang\u00fastia se apossar de mim, manifestando-se atrav\u00e9s do meu corpo ao passo que eu me encolhia na cama. Quis chorar. N\u00e3o consegui. Agora j\u00e1 n\u00e3o conseguia me impactar nem com as coisas ruins, e isso tornava a situa\u00e7\u00e3o mais triste ainda. Antes sofrer do que n\u00e3o sentir nada. O vazio pode doer tanto quanto uma ferida, e depois de um certo tempo, assim como as feridas se cicatrizam mas deixam suas marcas, acostuma-se com ele. E assim aconteceu comigo, me acostumei com o meu. Abracei-o. J\u00e1 n\u00e3o importava se eu possu\u00eda lembran\u00e7as felizes ou lembran\u00e7as tristes. Depois de certa hora a gente guarda esse tipo de coisa numa caixinha e enterra bem fundo, finge que n\u00e3o existe. Passam os dias, passam as noites, levanta, come, conversa, sorri, se \u00e9 feliz de mentirinha. Alimenta a carne, ignora o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Eu vivia assim, at\u00e9 que, quando eu menos esperava, algu\u00e9m encontrou minha caixinha, sim, a caixinha da felicidade e da dor, e esse algu\u00e9m pediu licen\u00e7a para abri-la com bastante cuidado. Relutei, afinal, eu a enterrei por um motivo. Desaprendi a sentir, e aquilo que n\u00e3o sabemos nos assusta. Ao mesmo tempo, queria proteger o algu\u00e9m dos perigos que dentro da caixinha podiam estar. Ent\u00e3o, ele me respondeu que tamb\u00e9m possu\u00eda uma caixinha como a minha e que estava cansado de carregar o peso do seu vazio. Sem contar que achou a minha um tanto bonita, e estava disposto a enfrentar o que fosse necess\u00e1rio para que n\u00f3s dois pud\u00e9ssemos nos libertar. Admirei sua coragem e aceitei a proposta. Abrimos nossas caixas e aqueles sentimentos guardados se transformaram em fogos de artif\u00edcio, explodindo cores e luzes, queimando e nos acendendo para a vida. Chorei de al\u00edvio. At\u00e9 que enfim senti de novo! Senti! E foi lindo, ainda \u00e9. Compreendi que, mesmo quando achamos que tudo est\u00e1 perdido e que n\u00e3o h\u00e1 mais esperan\u00e7as para si, que os sentimentos, por mais ruins que sejam, servir\u00e3o para algo maior em algum momento. Desistir n\u00e3o deve ser uma op\u00e7\u00e3o, apenas persistir, pois o que hoje \u00e9 uma caixinha cheia de emo\u00e7\u00f5es confusas e embaralhadas, amanh\u00e3 pode ser um amor em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez me perguntaram qual era a minha lembran\u00e7a mais triste. V\u00e1rios momentos surgiram na minha mente, dif\u00edcil saber o pior. Logo em seguida, perguntaram a lembran\u00e7a mais feliz. N\u00e3o tinha. 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