{"id":3644,"date":"2026-01-20T12:01:07","date_gmt":"2026-01-20T15:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3644"},"modified":"2026-01-20T12:01:08","modified_gmt":"2026-01-20T15:01:08","slug":"mulheres-no-futebol-a-verdade-por-tras-dos-ataques-de-odio-direcionados-a-mulheres-no-esporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3644","title":{"rendered":"Mulheres no futebol: a verdade por tr\u00e1s dos ataques de \u00f3dio direcionados a mulheres no esporte"},"content":{"rendered":"\n<p>Mulheres no futebol: a verdade por tr\u00e1s dos ataques de \u00f3dio direcionados a mulheres no esporte<\/p>\n\n\n\n<p>Por Nanda Deda e Sofia Rezende<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, o futebol \u00e9 um esporte praticado e dominado por homens, por\u00e9m, desde o final da d\u00e9cada de 1970, quando a lei que proibia mulheres de praticar o esporte foi revogada, a modalidade feminina vem crescendo. Com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007 pela sele\u00e7\u00e3o feminina e, principalmente pela obrigatoriedade exigida pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) a partir de 2019, em que times da S\u00e9rie A do campeonato brasileiro precisam manter um time feminino, as mulheres v\u00eam ganhando cada vez mais espa\u00e7o no esporte, ocupando fun\u00e7\u00f5es como jogadoras, \u00e1rbitras e narradoras.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mesmo com a constante desconstru\u00e7\u00e3o da imagem de que s\u00f3 homens devem praticar ou comentar o esporte, as mulheres nessas fun\u00e7\u00f5es ainda enfrentam preconceito, fruto de uma sociedade machista, que descredibiliza sua atua\u00e7\u00e3o e perpetua desigualdades, principalmente a salarial. A arbitragem feminina e a narra\u00e7\u00e3o esportiva feita por mulheres exemplificam bem essa realidade, mostrando como a discrimina\u00e7\u00e3o, tanto aberta quanto velada, ainda passa despercebida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata de mulheres no meio da arbitragem, elas sofrem cr\u00edticas e cobran\u00e7as muito mais duras e maldosas do que os homens, mesmo quando ambos cometem erros semelhantes. Temos, por exemplo, o caso do \u00e1rbitro Juliano Jos\u00e9, acusado de falas machistas contra jogadoras do Campeonato Paulista 2025. Tal atitude levou a uma suspens\u00e3o preventiva do profissional pelo Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva de S\u00e3o Paulo-SP. Essa situa\u00e7\u00e3o revela n\u00e3o s\u00f3 o machismo estrutural do esporte, mas tamb\u00e9m evidencia como as mulheres s\u00e3o expostas a um ambiente hostil, com cr\u00edticas desproporcionais, oriundas das redes sociais, quando comparadas aos colegas de trabalho homens.<\/p>\n\n\n\n<p>A cobran\u00e7a exagerada sobre as \u00e1rbitras mostra um preconceito disfar\u00e7ado, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 relacionado ao desempenho delas. Afinal, os homens tamb\u00e9m erram com frequ\u00eancia, mas recebem cr\u00edticas muito menores, o que refor\u00e7a um machismo oculto. Esse preconceito n\u00e3o s\u00f3 atrapalha o crescimento das mulheres na profiss\u00e3o, como tamb\u00e9m prejudica o futebol, porque impede a diversidade que tornaria o esporte mais justo e qualificado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 quando se trata de narra\u00e7\u00e3o esportiva, o cen\u00e1rio n\u00e3o muda. A presen\u00e7a de narradoras mulheres no futebol \u00e9 algo relativamente recente e tem sido alvo de cr\u00edticas baseadas tamb\u00e9m em preconceito de g\u00eanero. Alguns torcedores criticam a narra\u00e7\u00e3o feita por mulheres por \u201cn\u00e3o combinarem com o estilo tradicional\u201d, tamb\u00e9m existem coment\u00e1rios que falam que falta emo\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia. Entretanto, esses coment\u00e1rios s\u00e3o na maioria das vezes r\u00e9plicas do preconceito e desconforto com vozes e perspectivas que antes n\u00e3o eram ouvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora isso, a maioria desses coment\u00e1rios vem de homens que nem acompanham jogos narrados por mulheres, espalhando opini\u00f5es baseadas em discursos de \u201chype\u201d e rejei\u00e7\u00e3o coletiva. Essas falas acabam descredibilizando o trabalho realizado pelas narradoras e dificulta a presen\u00e7a feminina no meio futebol\u00edstico. A resist\u00eancia cultural, junto com preconceitos abertos, prejudicando que mulheres narradoras sejam reconhecidas como profissionais competentes e respeitadas, mesmo estando plenamente qualificadas para o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse recorte feminino na arbitragem e na narra\u00e7\u00e3o brasileira evidencia um problema maior, em que a descredibiliza\u00e7\u00e3o das mulheres nas profiss\u00f5es relacionadas ao mundo esportivo, est\u00e3o entrela\u00e7adas ao machismo e a cultura patriarcal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a cobran\u00e7a excessiva e o preconceito contra mulheres na arbitragem e na narra\u00e7\u00e3o esportiva derivam de um machismo enraizado, o que torna necess\u00e1rio um combate mais firme e direto, partindo das federa\u00e7\u00f5es. Mulheres enfrentam um julgamento mais severo simplesmente por desafiarem padr\u00f5es hist\u00f3ricos, enquanto os homens que ocupam as mesmas posi\u00e7\u00f5es profissionais cometem os mesmos erros e dificilmente s\u00e3o cobrados t\u00e3o duramente. Para evoluir e se democratizar, o futebol, e seu p\u00fablico, devem reconhecer e valorizar a presen\u00e7a dessas mulheres, n\u00e3o apenas como s\u00edmbolos, mas como profissionais competentes e indispens\u00e1veis para o esporte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres no futebol: a verdade por tr\u00e1s dos ataques de \u00f3dio direcionados a mulheres no esporte Por Nanda Deda e Sofia Rezende Tradicionalmente, o futebol \u00e9 um esporte praticado e dominado por homens, por\u00e9m, desde o final da d\u00e9cada de 1970, quando a lei que proibia mulheres de praticar o esporte foi revogada, a modalidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":123459,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-3644","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/123459"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3645,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3644\/revisions\/3645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}