{"id":3648,"date":"2026-01-20T20:22:36","date_gmt":"2026-01-20T23:22:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3648"},"modified":"2026-01-20T20:36:37","modified_gmt":"2026-01-20T23:36:37","slug":"os-impactos-do-streaming-no-mundo-da-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=3648","title":{"rendered":"Os impactos do streaming no mundo da m\u00fasica"},"content":{"rendered":"\n<p>Popularizado na d\u00e9cada de 2010, impulsionado por plataformas como o Spotify (2006) e pela populariza\u00e7\u00e3o da banda larga, o streaming \u00e9 uma tecnologia que permite assistir a v\u00eddeos, ouvir m\u00fasicas ou acompanhar transmiss\u00f5es ao vivo pela internet, sem a necessidade de baixar o arquivo completo para o seu dispositivo. A dissemina\u00e7\u00e3o do streaming transformou permanentemente a forma como ouvimos m\u00fasica; democratizando o acesso, facilitando a descoberta de novos artistas e estabeleceu ferramentas para o usu\u00e1rio montar as suas pr\u00f3prias listas de reprodu\u00e7\u00f5es com poucos cliques, o que antes necessitaria de horas garimpando vinis e CDs.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Do ponto de vista do consumidor, o streaming oferece um pre\u00e7o mais acess\u00edvel, praticidade e variedade infinita, o que o torna muito mais interessante para o p\u00fablico geral do que adquirir o produto f\u00edsico ou esperar que a m\u00fasica escolhida seja tocada no r\u00e1dio. Al\u00e9m disso, a l\u00f3gica algor\u00edtmica cria trilhas sonoras personalizadas para cada momento do dia, tornando a experi\u00eancia do usu\u00e1rio com a tecnologia extremamente responsiva. No Brasil, os \u00faltimos dados divulgados revelam que os servi\u00e7os de streaming representaram 87,6% do faturamento das receitas do setor musical no ano de 2024, colocando o pa\u00eds na nona posi\u00e7\u00e3o da lista de maiores consumidores do mercado musical do mundo e comprovando sua popularidade entre os consumidores. Entretanto, a comodidade segue com o risco da perda afetiva e material em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica. Fomentando um mercado cada vez mais focado no consumo, que deturpa o valor simb\u00f3lico originalmente projetado para o \u00e1lbum e fazendo com que a m\u00fasica perca seu valor art\u00edstico. Reduzindo a arte a um produto med\u00edocre pensado somente para o consumo r\u00e1pido, movido por uma ind\u00fastria cultural gananciosa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O impacto se torna ainda mais evidente para os artistas, especialmente os independentes. Uma pesquisa realizada na Europa em julho de 2024 pela IAO (International Artist Organization), um guarda-chuva de organiza\u00e7\u00f5es de artistas do continente que entrevistou 9.542 artistas em 19 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, revelou que 69,1% dos artistas entrevistados n\u00e3o estavam satisfeitos com os ganhos do streaming, e que apenas 44,2% dos entrevistados possu\u00edam ter contrato com uma gravadora, enquanto 55,8% s\u00e3o nomes da m\u00fasica independente. As plataformas pagam centavos por reprodu\u00e7\u00e3o, e muitos m\u00fasicos precisam de milh\u00f5es de streams para gerar uma renda satisfat\u00f3ria. O modelo favorece quem j\u00e1 \u00e9 famoso, quem j\u00e1 possu\u00ed grande exposi\u00e7\u00e3o, e, por isso, consegue alcan\u00e7ar mais ouvintes e atingir n\u00fameros muito maiores de reprodu\u00e7\u00f5es. A suposta democratiza\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica, se converte em uma luta desigual, na qual n\u00e3o vence aquele que tem a melhor obra, mas sim quem melhor se adapta ao jogo dos algoritmos, prejudicando a qualidade da m\u00fasica como produto.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Gra\u00e7as a esse fator, a l\u00f3gica algor\u00edtmica influencia cada vez mais a cria\u00e7\u00e3o musical, impulsionando m\u00fasicas de menor dura\u00e7\u00e3o e incentivando a audi\u00e7\u00e3o ansiosa. Muitos artistas passam a compor pensando em agradar a plataforma, produzindo m\u00fasicas mais curtas para n\u00e3o serem ignoradas, introdu\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas para n\u00e3o perder a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte e refr\u00f5es de impacto imediato. Isso empobrece a diversidade est\u00e9tica do mercado, tornando-o previs\u00edvel, padronizado e domesticado.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Cabe a n\u00f3s, ent\u00e3o, enquanto consumidores, o discernimento para apoiar artistas e as op\u00e7\u00f5es alternativas para o consumo da m\u00fasica e da arte, participando dos shows e eventos realizados por artistas locais e incentivando a compra de m\u00fasica diretamente da plataforma do artista. Assim, tornamos as medidas dos servi\u00e7os de Streaming menos predat\u00f3rias, al\u00e9m de fortalecer novas obras e a rela\u00e7\u00e3o afetiva com a arte, dando maior liberdade para experimentalismos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em \u00faltima an\u00e1lise, cabe tamb\u00e9m \u00e0s empresas repensar seus modelos de remunera\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia, e ao p\u00fablico valorizar e apoiar os artistas que desafiam a l\u00f3gica da homogeneiza\u00e7\u00e3o. Mesmo que muitas vezes nos percebamos como v\u00edtimas de uma ind\u00fastria cultural, que manipula nossa percep\u00e7\u00e3o da m\u00eddia entregando cada vez maior imediatismo, com assustadora acessibilidade e um conte\u00fado cada vez mais curto e engessado, \u00e9 sobre reconhecer a atual condi\u00e7\u00e3o do mercado musical e adaptar a forma de que consumimos entretenimento em busca de uma maneira consciente, mantendo-se adeptos pela luta dos direitos que carregamos tanto como consumidores, quanto como artistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popularizado na d\u00e9cada de 2010, impulsionado por plataformas como o Spotify (2006) e pela populariza\u00e7\u00e3o da banda larga, o streaming \u00e9 uma tecnologia que permite assistir a v\u00eddeos, ouvir m\u00fasicas ou acompanhar transmiss\u00f5es ao vivo pela internet, sem a necessidade de baixar o arquivo completo para o seu dispositivo. 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