{"id":517,"date":"2018-09-26T11:06:44","date_gmt":"2018-09-26T14:06:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=517"},"modified":"2018-09-28T10:09:11","modified_gmt":"2018-09-28T13:09:11","slug":"a-vida-pede-forca-coragem-e-confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=517","title":{"rendered":"A vida pede for\u00e7a, coragem e confian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_542\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-542\" class=\"wp-image-542\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-1-ANDRESSA-E-TAINARA-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-1-ANDRESSA-E-TAINARA-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-1-ANDRESSA-E-TAINARA-300x169.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-1-ANDRESSA-E-TAINARA-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-542\" class=\"wp-caption-text\">Maria das Gra\u00e7as estava em p\u00e9 na sala de TV da Casa do Amor enquanto apresentava a institui\u00e7\u00e3o. Foto: EXTRA!Ordin\u00e1rio.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De vez em quando a vida nos deixa surpresas e nos permite conhecer pessoas, capazes de nos mostrar o quanto a vida \u00e9 fr\u00e1gil e forte ao mesmo tempo. Onde h\u00e1 vida humana h\u00e1 relatos de experi\u00eancias, vivenciais. \u00a0Foi em uma casa de apoio a pacientes com c\u00e2ncer que essa hist\u00f3ria nos encontrou. Em um dia comum decidimos conhecer a Casa do Amor que acolhe pacientes com c\u00e2ncer h\u00e1 13 anos em Vit\u00f3ria da Conquista &#8211; BA, garantindo que essas pessoas consigam atendimento e tratamento adequado. Os sil\u00eancios e os olhares nos corredores daquela casa j\u00e1 nos prometiam hist\u00f3rias incr\u00edveis.<\/p>\n<p>Com um olhar sereno, os cabelos curtos, as sobrancelhas falhas, um tom de pele meio p\u00e1lido e a voz rouca pelo tratamento das quimioterapias, Maria das Gra\u00e7as Soares, de 64 anos, foi a primeira pessoa a nos dar boas-vindas e mostrar como funcionava as atividades no interior da casa. Os olhos dela eram pequenos, mas revelavam sentimentos profundos. Ap\u00f3s conhecermos todo o ambiente, perguntamos a ela se poderia conversar conosco e a resposta foi positiva.<\/p>\n<p>Caminhamos at\u00e9 chegar embaixo de um enorme p\u00e9 de ciriguela. Segundo ela, esse \u00e9 o seu lugar preferido na casa, por ter sombra e ar puro. Ao iniciar nossa conversa, Dona Maria nos disse que guardava consigo muitas hist\u00f3rias. Contou que era cuidadora especializada de pessoas que tinham c\u00e2ncer e que, em maio de 2017, ela descobriu que tinha c\u00e2ncer de mama. Deixou o pr\u00f3prio marido em S\u00e3o Paulo, entrou em um \u00f4nibus e chegou na rodovi\u00e1ria de Vit\u00f3ria da Conquista, em 2017, com apenas dez reais no bolso. Uma mulher, uma doen\u00e7a cruel e uma hist\u00f3ria de vida incr\u00edvel embalam as perguntas do blog Extra!ordin\u00e1rio nessa entrevista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que significa para voc\u00ea lutar pela vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Eu n\u00e3o luto pela minha vida, porque eu tenho um grande Deus. S\u00f3 de Ele me dar a vida eu n\u00e3o luto por ela, eu j\u00e1 tenho ela de gra\u00e7a. Agora, o que a gente faz \u00e9 procurar o melhor meio de sobreviver, mas eu n\u00e3o luto pela vida n\u00e3o. Eu vivo um dia atr\u00e1s do outro de acordo com o que me acontece. E se hoje eu tiver o que comer agrade\u00e7o a Deus e, se n\u00e3o tiver, eu agrade\u00e7o tamb\u00e9m. Essa \u00e9 a minha forma de viver, n\u00e3o sei se est\u00e1 errada, mas \u00e9 a minha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quando voc\u00ea descobriu a doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Eu descobri a doen\u00e7a em maio do ano passado. Eu cuidava de um idoso de 96 anos em S\u00e3o Paulo e no final do dia, quando fui tomar banho, me lavando, senti uma diferen\u00e7a na mama e a\u00ed eu falei: \u201calguma coisa de errado est\u00e1 acontecendo\u201d. Pedi um dia de folga para o filho do senhorzinho para ir ao m\u00e9dico. Quando cheguei no m\u00e9dico n\u00e3o deu outra, fiz o exame e realmente ele constatou o c\u00e2ncer de mama. O m\u00e9dico aconselhou que eu parasse de trabalhar, porque qualquer movimento brusco poderia agravar o problema. A\u00ed eu pedi as contas no servi\u00e7o, j\u00e1 conhecia aqui a Casa, ent\u00e3o eu vim pra c\u00e1. Chegando aqui, conversei com Carminha [administradora da Casa do Amor] que eu n\u00e3o tinha casa, n\u00e3o tinha fam\u00edlia e ela me disse: \u201cvoc\u00ea est\u00e1 na sua casa e n\u00f3s vamos ser a sua fam\u00edlia\u201d. J\u00e1 faz 9 meses que eu entrei aqui e n\u00e3o quero mais sair. Agora em mar\u00e7o vou fazer a retirada da mama no Hospital de Base e a\u00ed vou procurar uma casinha para morar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como voc\u00ea enxerga o c\u00e2ncer? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Um m\u00e9dico me disse h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, quando minha m\u00e3e morreu tamb\u00e9m com a doen\u00e7a, que eu tinha as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas no corpo e que elas precisariam de uma grande alegria ou de uma grande tristeza para abrir. Eu n\u00e3o cuidei muito. Quando descobri, vim logo pra c\u00e1 e comecei o tratamento com quimioterapias, mas, no meu racioc\u00ednio eu n\u00e3o me imagino nem velha e nem doente, eu me imagino nova e saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Al\u00e9m da estadia, o que mais voc\u00ea encontrou na Casa do Amor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Al\u00e9m da estadia eu tenho tudo. Tenho o amor e o carinho de Carminha, que \u00e9 a dona da Casa. Tenho o carinho das enfermeiras, tenho o carinho dos colegas. Tudo o que eu preciso, eu tenho aqui dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que voc\u00ea deixou para tr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>O que eu deixei para tr\u00e1s foram empregos bons que eu tive, amigos, porque depois do meu problema poucos v\u00eam aqui me visitar. Muitos que eu pensei que fossem ficaram para tr\u00e1s, e deixei tamb\u00e9m um marido para tr\u00e1s. Eu preferi deixar ele fora do problema. Depois de 15 anos de casada, eu descobri a doen\u00e7a e a\u00ed, quando cheguei em casa um dia, ele tinha arrumado outra pessoa. A\u00ed eu preferi deixar ele l\u00e1 e vir embora pra c\u00e1. Foi essa a minha grande tristeza que fez a c\u00e9lula do c\u00e2ncer abrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como era a vida antes de estar aqui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Fiquei 25 anos em S\u00e3o Paulo sem vir aqui. L\u00e1 eu casei e trabalhava muito. Fiz curso no Hospital do C\u00e2ncer para entender a doen\u00e7a e hoje eu cuido dela, eu n\u00e3o deixo ela cuidar de mim. Cuidei de v\u00e1rias pessoas, cuidei de uma mo\u00e7a que tinha c\u00e2ncer no \u00fatero e tinha tr\u00eas filhos. Ela acabou falecendo. Eu queria ter ficado com as crian\u00e7as, mas o pai acabou levando eles para outro bairro. Logo em seguida descobri a doen\u00e7a, descobri que meu marido tinha outra e a\u00ed falei pra ele que n\u00e3o tinha problema. No outro dia eu j\u00e1 estava dentro do \u00f4nibus para vir pra Conquista, a\u00ed cheguei aqui sem eira nem beira com dez reais no bolso. Fui procurar a casa da minha irm\u00e3. Nesse per\u00edodo todo meus pais faleceram e ela vendeu a casa do meu pai, aplicou o dinheiro, comprou um bom apartamento e mandou os filhos para os Estados Unidos. Ela tem uma vida tranquila, sossegada e eu fiquei aqui sem ter pra onde ir. Ela sabe que eu estou aqui, mas nunca veio me ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Quais os empregos que mais marcaram sua vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Meu primeiro emprego foi em uma firma de medicamentos chamado Distritar. Eu sempre gostei de trabalhar, ter minhas coisas. Passei por v\u00e1rios lugares: M\u00f3vel, Johnson e Johnson Brasil, Banco Econ\u00f4mico, Motel Las Vegas, Hotel Hollywood. O trabalho eu sabia fazer, o que me importava era a grana, o que me pagava mais eu estava indo, porque na \u00e9poca eu tinha um pai e uma m\u00e3e idosos para cuidar, precisava de dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual \u00e9 o seu maior sonho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Eu tenho um sonho de ter minha casa, minha casa pr\u00f3pria. Esse \u00e9 o meu maior sonho, porque eu nunca tive uma casa minha. Quando eu era jovem eu comprei uma casa e passei no nome do meu pai e da minha m\u00e3e, porque eu era muito jovem e n\u00e3o podia passar a escritura no meu nome. Eu fui embora pra S\u00e3o Paulo e deixei minha irm\u00e3 cuidando dos meus pais. A\u00ed eles faleceram e ela vendeu a casa que eu tinha dado para o meu pai e n\u00e3o passou nada para ningu\u00e9m. Em S\u00e3o Paulo, eu morava de aluguel com meu marido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Diante da sua experi\u00eancia de vida, caso tivesse uma chance de mudar o seu passado ou prever o futuro, qual escolheria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Prever o futuro, o passado j\u00e1 passou. Ver o futuro pra mim \u00e9 mais importante, tenho muita vida pela frente ainda. Eu vejo o futuro com for\u00e7a, perseveran\u00e7a e vou vencer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Um lugar que voc\u00ea quer conhecer?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Quando eu terminar o tratamento quero conhecer a Chapada da Diamantina. \u00c9 pra l\u00e1 que eu quero ir depois que eu operar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como voc\u00ea se descreveria em palavras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Boa, bonita e barata (risos). Eu n\u00e3o sou gastadeira, como o que tiver e passo qualquer coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual foi o dia mais feliz da sua vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria:<\/strong> O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que eu entrei aqui nessa Casa. Aqui voc\u00ea v\u00ea os problemas dos outros e voc\u00ea fala: \u201ceu n\u00e3o tenho nada, eu n\u00e3o estou sofrendo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual a primeira comida que vai provar quando terminar o tratamento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Um pav\u00ea. Aqui a gente n\u00e3o pode comer doce, \u00e9 tudo light, nada com a\u00e7\u00facar, de vez em quando eles me arrumam uma cocada, mas eu amo pav\u00ea.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Uma Saudade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Sinto saudade do meu pai, da minha m\u00e3e, dos meus irm\u00e3os quando eram crian\u00e7as e da minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Supera\u00e7\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Tudo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Um amor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>\u00a0O que ficou em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Para voc\u00ea onde fica o melhor lugar do mundo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria:<\/strong> Pra mim o melhor lugar do mundo \u00e9 esse em que eu estou vivendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Qual a sua melhor lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>\u00c9 uma sainha azul de bolinhas pretas, um sapatinho preto de verniz, uma blusinha branca de babados e umas fitinhas de veludo que eu dancei na minha primeira festinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Um \u00eddolo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria:<\/strong> Lucas Lucco. Lindo n\u00e9? Nossa Senhora (risos)!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Uma m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Detalhes.<\/p>\n<p>\u201cDetalhes t\u00e3o pequeno de n\u00f3s dois,<\/p>\n<p>S\u00e3o coisas muito grandes pra esquecer<\/p>\n<p>E toda hora v\u00e3o estar presentes, voc\u00ea vai ver.\u201d<\/p>\n<p>(Trecho da m\u00fasica que Maria cantou durante a entrevista).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Uma data?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>Dois do um de mil novecentos e cinquenta e quatro. A data em que eu nasci. Eu tenho saudade da data em que nasci.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Felicidade \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>\u00c9 um grande amor. Quando se tem um grande amor se \u00e9 feliz.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: A vida \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dona Maria: <\/strong>A vida \u00e9 como ela \u00e9. A vida \u00e9 isso aqui que eu estou vivendo. O que foi ruim eu tirei e s\u00f3 deixei as coisas boas, a vida \u00e9 o que j\u00e1 teve de bom e o que ainda tem de bom pra passar. Voc\u00ea s\u00f3 passa a entender a vida quando voc\u00ea passa a conviver com outras pessoas e cada um tem um sonho, uma realidade pra viver. Muitos aqui n\u00e3o sonham mais, acham que \u00e9 s\u00f3 isso e acabou. Eu sonho em encontrar uma pessoa, eu sonho com amor tamb\u00e9m. Eu quero viver, n\u00e3o vou olhar pra tr\u00e1s, quero olhar pra frente. Gosto de dan\u00e7ar e \u00e9 essa a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias est\u00e3o a\u00ed para serem contadas e contar essa foi um dos maiores privil\u00e9gios que a vida nos deu. Maria nos mostrou que a vida \u00e9 sobre a gra\u00e7a de ter coragem, de ter esperan\u00e7a, de ser humana, de olhar o outro com amorosidade, de reconhecer a fragilidade e ao mesmo tempo permitir que as circunst\u00e2ncias nos mostrem caminhos para que possamos fortalec\u00ea-la. \u00c9 sobre correr riscos, mesmo que fiquem no caminho pessoas e amores, o que vale \u00e9 manter a ess\u00eancia de ser o que \u00e9.<\/p>\n<p>Dona Maria \u00e9 uma entre tantas Marias com c\u00e2ncer e que se v\u00eaem abandonadas pelos familiares. Dona Maria \u00e9 uma entre as muitas Marias que optam por viver um dia de cada vez, tirando dele o que foi bom. Dona Maria sabe que outras Marias tamb\u00e9m perdem seus amores, mas ainda assim tenta n\u00e3o perder sua pr\u00f3pria companhia e seu sonhos. Dona Maria \u00e9 como muitas Marias, apesar das dificuldades encara a vida com for\u00e7a coragem e confian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; De vez em quando a vida nos deixa surpresas e nos permite conhecer pessoas, capazes de nos mostrar o quanto a vida \u00e9 fr\u00e1gil e forte ao mesmo tempo. Onde h\u00e1 vida humana h\u00e1 relatos de experi\u00eancias, vivenciais. \u00a0Foi em uma casa de apoio a pacientes com c\u00e2ncer que essa hist\u00f3ria nos encontrou. 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