{"id":561,"date":"2018-09-28T10:30:31","date_gmt":"2018-09-28T13:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=561"},"modified":"2018-09-28T10:30:31","modified_gmt":"2018-09-28T13:30:31","slug":"a-vida-de-uma-mulher-taxista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=561","title":{"rendered":"A vida de uma mulher taxista"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_563\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-563\" class=\"wp-image-563\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-BRENDON-EDUARDO-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-BRENDON-EDUARDO-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-BRENDON-EDUARDO-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-BRENDON-EDUARDO-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-BRENDON-EDUARDO.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-563\" class=\"wp-caption-text\">Time de taxistas do terminal rodovi\u00e1rio reunido, destaque para Naildes, a \u00fanica mulher do grupo. Foto: EXTRA!Ordin\u00e1rio.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMulher no volante, perigo constante\u201d. Esse antigo dito popular nunca esteve t\u00e3o errado quando se refere \u00e0 Naildes de Jesus dos Santos. H\u00e1 cinco anos que Naildes \u00e9 taxista. Apesar de ser uma profiss\u00e3o dominada por homens, ela levanta cedo todos os dias para ir ao terminal rodovi\u00e1rio de Vit\u00f3ria da Conquista (BA), determinada em trabalhar, levar seus passageiros, para assim ganhar p\u00e3o de cada dia. A vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e para Naildes, n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: <\/strong>H\u00e1 quanto tempo a senhora exerce a fun\u00e7\u00e3o de taxista?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>H\u00e1 cinco anos exer\u00e7o a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: <\/strong>J\u00e1 trabalhou com outra coisa antes do t\u00e1xi?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>J\u00e1 sim. Tinha um sal\u00e3o de beleza, eu era cabeleireira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: <\/strong>Por que a senhora deixou essa profiss\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Na verdade eu n\u00e3o deixei. Eu tive que deixar. Porque a profiss\u00e3o de taxista n\u00e3o fui eu que escolhi, foi ela quem me escolheu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Por que a senhora acha que a profiss\u00e3o de taxista a escolheu?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Por que eu n\u00e3o sabia dirigir, n\u00e3o era habilitada. At\u00e9 ent\u00e3o eu era uma simples cabeleireira. E de uma hora para outra eu tive que aprender a dirigir, entrar numa auto- escola, tirar uma habilita\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dela ser uma primeira habilita\u00e7\u00e3o, ela tinha que ser remunerada pra exercer a profiss\u00e3o e eu tive que exercer a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Por que a senhora afirma que teve que exercer a profiss\u00e3o? N\u00e3o teve nenhuma outra escolha?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>N\u00e3o. Eu n\u00e3o tive outra escolha. A escolha era essa. Por motivos de obriga\u00e7\u00e3o e na \u00e9poca tamb\u00e9m, o pai dos meus filhos estava com problemas de sa\u00fade, cedo ou tarde ele teria que parar de trabalhar. Eu fiquei no lugar dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong> Hoje em dia, como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com os seus colegas de trabalho?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>No in\u00edcio foi dif\u00edcil, muito dif\u00edcil. Teve preconceito, as pessoas acharam que eu n\u00e3o ia dar conta. Que eu ia bater o carro, esse tipo de coisa, que acha que mulher n\u00e3o tem capacidade. Mas depois eu mostrei para eles que tinha capacidade e hoje tenho o respeito deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong>\u00a0Quais coment\u00e1rios deselegantes que a senhora mais ouviu deles?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Logo no in\u00edcio da profiss\u00e3o, primeira vez que eu peguei o t\u00e1xi para dirigir mesmo, o primeiro coment\u00e1rio desagrad\u00e1vel foi: \u201cEla vai acabar batendo esse carro\u201d. E nunca aconteceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong> Como lida com os passageiros?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Da forma mais natural poss\u00edvel. Quando eles entram no carro e falam: \u201cNossa uma mulher taxista, que legal, eu nunca tinha visto, primeira vez\u201d. Eu dou risada e os levo para o destino que eles querem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: J\u00e1 ouviu algum coment\u00e1rio deselegante dos passageiros?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Hum&#8230;j\u00e1. Uma vez. Eu levei um passageiro e ele falou: \u201cMulher no volante, perigo constante\u201d. Mas depois eu provei pra ele que a frase dele foi indelicada, a\u00ed eu o levei no seu destino, deixei o amigo dele e depois trouxe o rapaz que fez o coment\u00e1rio de volta para rodovi\u00e1ria. A\u00ed, depois disso, ele pediu desculpas pelo coment\u00e1rio e disse que eu dirijo muito bem. A\u00ed eu disse pra ele que eu j\u00e1 estava acostumada aos homens primitivos pensarem que as mulheres n\u00e3o t\u00eam capacidade denada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Algum passageiro j\u00e1 recusou seu t\u00e1xi pelo fato da senhora ser mulher?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>N\u00e3o. Nunca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Como lidaria caso isso acontecesse?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Normal. Eu lidaria normal. Porque \u00e9 uma escolha deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Transportando diversos homens em seu t\u00e1xi, j\u00e1 se sentiu ou foi assediada por algum?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Sempre. Pedem o telefone como desculpa de que vai querer o t\u00e1xi de novo, mas como hoje em dia tudo \u00e9 whatsapp, eles mandam mensagem, falam que sou linda, essas coisas, mas a\u00ed eu ajo com profissionalismo eexcluo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Como lida com as dificuldades da profiss\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Eu procuro lidar o mais normal poss\u00edvel. Na verdade, n\u00e3o tem muita dificuldade. A \u00fanica dificuldade, que eu vejo, nessa profiss\u00e3o \u00e9 o cansa\u00e7o f\u00edsico e mental, fora isso o tr\u00e2nsito, o risco de assalto. Mas eu procuro lidar o mais normal poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Como concilia as coisas de casa com as coisas do trabalho?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Eu separo. Antes eu queria fazer tudo ao mesmo tempo. Hoje eu sou mais calma. Eu me dedico mais a profiss\u00e3o. Servi\u00e7o de casa eu deixo para depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Recomendaria essa profiss\u00e3o para outras mulheres?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Com certeza. Eu diria para elas n\u00e3o ter medo e enfrentarem as dificuldades e provarem que tem capacidade como qualquer homem. Porque o mesmo risco que o homem corre a mulher tamb\u00e9m est\u00e1 correndo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio<\/strong>: Que mensagem gostaria de passar para a sociedade?<\/p>\n<p><strong>Naildes: <\/strong>Bom! Ser mulher n\u00e3o \u00e9 um sin\u00f4nimo de sexo fr\u00e1gil. N\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea \u00e9 mulher que voc\u00ea n\u00e3o tem capacidade de dirigir um t\u00e1xi, ou um \u00f4nibus, ou um caminh\u00e3o. Mulher pode fazer qualquer coisa, basta ela querer. Ela pode tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a mitologia grega pudesse ser reescrita, a deusa H\u00e9stia n\u00e3o seria apenas a deusa do lar, seria a deusa que motivaria as mulheres a irem atr\u00e1s dos seus sonhos, irem atr\u00e1s de ocupa\u00e7\u00f5es fora de casa. Afinal a mulher conquistou seu espa\u00e7o e deixou de se dedicar exclusivamente as tarefas dom\u00e9sticas. Naildes \u00e9 a prova de que as pessoas podem fazer tudo o que quiserem desde que corra atr\u00e1s dos seus objetivos com foco e determina\u00e7\u00e3o. Correr atr\u00e1s de um sonho \u00e9 como caminhar na areia, se cada passo for feito com dedica\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel parar e olhar para tr\u00e1s e ao fazer isso poder\u00e1 ver as marcas, marcas essas que o tempo n\u00e3o pode apagar. Naildes reafirma essa frase ao trabalhar naquilo que gosta independente das dificuldades que enfrenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cMulher no volante, perigo constante\u201d. Esse antigo dito popular nunca esteve t\u00e3o errado quando se refere \u00e0 Naildes de Jesus dos Santos. H\u00e1 cinco anos que Naildes \u00e9 taxista. 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