{"id":572,"date":"2018-09-28T10:48:04","date_gmt":"2018-09-28T13:48:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=572"},"modified":"2018-09-28T10:48:04","modified_gmt":"2018-09-28T13:48:04","slug":"o-lazer-de-uma-mulher-na-terceira-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/?p=572","title":{"rendered":"O lazer de uma mulher na terceira idade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_574\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-574\" class=\"wp-image-574\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/extraordinario\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/FOTO-2-1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-574\" class=\"wp-caption-text\">\u201c(&#8230;) na hora que eu acho uma brechinha, eu corro pra c\u00e1\u201d, diz Nalva, sobre o Centro de Conviv\u00eancia dos Idosos. Foto: EXTRA!Ordin\u00e1rio.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira idade pode vir acompanhada de alguns empecilhos como limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e mentais para algumas pessoas. Segundo a pesquisa do professor Vegard Skirbekk, da Universidade da Col\u00fambia (EUA), cinco em cada seis pessoas querem chegar aos 80 anos. Mas o medo das complica\u00e7\u00f5es que acompanham essa fase tamb\u00e9m possui relev\u00e2ncia. Para Lidinalva Novais Santos, 71 anos, isso, entretanto, n\u00e3o \u00e9 algo que ela d\u00ea muita import\u00e2ncia. Nalva ou Nalvinha, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida, \u00e9 residente do Bairro Patag\u00f4nia, em Vit\u00f3ria da Conquista \u2013Ba, e frequenta o Centro de Conviv\u00eancia dos Idosos que fica no centro da cidade, onde participa do programa \u201cVivendo A Terceira Idade\u201d, no qual desfruta de atividades que antes n\u00e3o tinha acesso.<\/p>\n<p>O projeto atende idosos da cidade entre 55 e 100 anos, dividindo-os \u00a0em grupos de acordo os bairros que moram. Cada grupo frequenta o Centro em um determinado dia da semana e desempenham sua vivacidade em tarefas como artesanato, escolariza\u00e7\u00e3o, oficina de teatro, oficina de inform\u00e1tica, canto em coral, grupo de contadores de hist\u00f3rias, bailes, entre outros eventos que proporcionam divers\u00e3o e lazer. Nalva foi alfabetizada por meio do programa e conta sobre as experi\u00eancias que obteve durante as pr\u00e1ticas desenvolvidas em seus 20 anos de viv\u00eancia no programa.<\/p>\n<p>A idosa se mostrou bem-humorada e receptiva \u00e0 entrevista, relatando hist\u00f3rias de inf\u00e2ncia e de acontecidos que constru\u00edram sua personalidade. Ao expor seus casos, Nalva revela um olhar nost\u00e1lgico, mas n\u00e3o abandona o entusiasmo de poder aproveitar a terceira idade de uma forma bastante saud\u00e1vel. Durante o di\u00e1logo, demonstrou satisfa\u00e7\u00e3o em estar ali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O programa sempre funcionou aqui no centro da cidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> N\u00e3o, n\u00f3s viemos ter acesso \u00e0 essa casa tem uns dez anos. N\u00f3s faz\u00edamos as atividades do programa nos bairros, cada grupo tinha o seu. Mas como a gente conseguiu a casa na Prefeitura, desceu todo mundo pra c\u00e1. Cada dia re\u00fane um grupo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Para a senhora foi melhor essa mudan\u00e7a de local?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva: <\/strong>Foi bom. Aqui n\u00f3s temos acesso a tudo. Porque n\u00e3o podia levar nada daqui pros bairros, n\u00e9? Aqui a gente tem as atividades, tem teatro, tem coral, contos de hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong> <strong>Qual dessas atividades a senhora mais gosta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva<\/strong>: Oh, minha fia. Eu fiquei um pouco doente e me afastei, mas eu gosto muito do teatro e dos contos de hist\u00f3ria. Estudei quatro anos, formei na alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: J\u00e1 na terceira idade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Sim. Tem uns quatro anos que um bocado de idosas formou em alfabetiza\u00e7\u00e3o. E a\u00ed eu encerrei minha carreira, porque agora eu n\u00e3o vou mais estudar, n\u00e9? Meu caso \u00e9 dan\u00e7ar!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: A senhora tem alguma hist\u00f3ria relacionada \u00e0 dan\u00e7a ou \u00e0 alguma apresenta\u00e7\u00e3o para nos contar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Sim. J\u00e1 fiz apresenta\u00e7\u00e3o de folclore, cantos de roda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Do que a senhora mais gosta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Eu gosto do canto de roda. Eu dan\u00e7o carimb\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como s\u00e3o os encontros da senhora com o pessoal? A senhora tem amigos aqui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> \u00c9 muito boa. Aqui a gente tem uma uni\u00e3o que voc\u00eas precisam ver. Fico doida para chegar logo o dia de vir. Na minha casa, meu marido sai pra rua, minha fia faz curso de enfermagem e na hora que eu acho uma brechinha, eu corro pra c\u00e1. Aqui n\u00f3s temos brincadeiras, como n\u00f3s fizemos agora, o bingo, baralho, domin\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como a senhora veio parar aqui, nesse projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> N\u00e3o, minha fia. \u00c9 porque eu sou uma pessoa muito inspirada. A\u00ed foi os convites pra par\u00f3quia que eu fa\u00e7o parte e eu vim, mas n\u00e3o tinha idade ainda. Eu vim com 50 anos. Hoje, eu fa\u00e7o parte da delegacia da defesa da mulher. Tudo atrav\u00e9s daqui. Aqui n\u00f3s tem o conselho do estatuto do idoso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que marcou a vida da senhora aqui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Foi o aconchego das pessoas que me marcou quando eu vim pra c\u00e1 porque dentro de casa era a solid\u00e3o, tristeza. E aqui me marcou a forma com que eles tratam a gente, o jeito que a gente \u00e9 recebida na sociedade. Inclusive, quase sempre n\u00f3s recebemos grupos de estudantes, que v\u00e3o para o baile com a gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Dona Nalva, como \u00e9 dan\u00e7ar nos bailes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Vixe! \u00c9 bom demais! \u00c9 uma das coisas que eu mais gosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong> <strong>Tem alguma coisa que a senhora faz hoje em dia que a senhora n\u00e3o fazia quando era mais nova? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> O que mudou foi que eu aprendi mais. Como eu falei pra voc\u00eas, aqui eu estudei. \u00c0s vezes eu s\u00f3 assinava o nome e lia a b\u00edblia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que a senhora gostaria que tivesse aqui, mas ainda n\u00e3o tem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Um professor de dan\u00e7a!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Do que a senhora sentia falta antes de vir para c\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Eu sentia falta de lazer. Apesar que eu viajo muito. Mas se eu pudesse, n\u00e3o ficava nenhum dia dentro de casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio:<\/strong> <strong>Qual o maior talento da senhora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> \u00c9 cantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: O que a senhora queria ser quando era crian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Eu queria ser quem eu sou hoje. Mas nunca tive oportunidade, fui criada na ro\u00e7a. E naquele tempo n\u00e3o tinha essas coisas pra ensinar a gente. Me casei duas vezes fiquei vi\u00fava com 16 anos. Eu tenho um filho de 51 anos, tem um de 45, tem um de 43. Tinha uma filha que morreu, mas hoje eu crio uma neta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EXTRA!Ordin\u00e1rio: Como \u00e9 a senhora hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nalva:<\/strong> Hoje eu me vejo outra pessoa, eu tenho conhecimento da sociedade. Aprendi a tratar as pessoas como eu quero ser tratada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nalva precisou ir embora, mas nos deixou na sala onde faz\u00edamos a entrevista com um sorriso no rosto e um abra\u00e7o apertado, encerrando nosso di\u00e1logo. Idosos s\u00e3o fontes de sabedoria e ensinamentos de vida, e, nesse contexto, obtivemos uma troca de sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es ao conversar com Lidinalva e esperamos que voc\u00ea, leitor, sinta o mesmo ao ler esta entrevista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A terceira idade pode vir acompanhada de alguns empecilhos como limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e mentais para algumas pessoas. Segundo a pesquisa do professor Vegard Skirbekk, da Universidade da Col\u00fambia (EUA), cinco em cada seis pessoas querem chegar aos 80 anos. Mas o medo das complica\u00e7\u00f5es que acompanham essa fase tamb\u00e9m possui relev\u00e2ncia. 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