{"id":9,"date":"2023-02-02T11:57:06","date_gmt":"2023-02-02T14:57:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gpeafp.test\/?page_id=9"},"modified":"2023-02-02T12:11:16","modified_gmt":"2023-02-02T15:11:16","slug":"o-inicio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www2.uesb.br\/grupos\/gpeafp\/?page_id=9","title":{"rendered":"o in\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p>GRUPO DE PESQUISA EM EDUCA\u00c7\u00c3O AMBIENTAL E FORMA\u00c7\u00c3O DE PROFESSORES\u00a0(GPEA-FP)<\/p>\n<p> \tA denomina\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o ambiental se constituiu na radicalidade questionadora dos anos de 1960. Seu contexto de cria\u00e7\u00e3o era composto por pelo menos quatro &#8220;vetores&#8221; que foram decisivos para a defini\u00e7\u00e3o dos seus princ\u00edpios, diretrizes e orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-pedag\u00f3gicas: (1) movimentos sociais diversos; (2) o movimento de contracultura; (3) os padr\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da natureza promovidos por antiga tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e por grupos voltados para garantir a biodiversidade; e (4) os intensos debates pol\u00edticos e filos\u00f3ficos da ecologia pol\u00edtica, com car\u00e1ter de questionamento radical \u00e0 sociedade capitalista e aos modos de vida dominantes (euroc\u00eantricos), e seus intr\u00ednsecos processos de uso insustent\u00e1vel dos recursos naturais e expropria\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p> \tNo Brasil, a educa\u00e7\u00e3o ambiental teve seu in\u00edcio reconhecido publicamente nos anos de 1970, durante a ditadura militar, por dentro do aparato estatal ambiental. Nessa \u00e9poca, n\u00e3o poderia ser diferente, a educa\u00e7\u00e3o ambiental foi reduzida pelo discurso dominante \u00e0 transmiss\u00e3o de conhecimentos ecol\u00f3gicos, ao ensino de t\u00e9cnicas e de comportamentos ecologicamente vi\u00e1veis, mesmo que pud\u00e9ssemos identificar algumas falas e pr\u00e1ticas mais pol\u00edticas em pessoas e grupos.<\/p>\n<p> \tNos anos de 1980, com o processo de &#8220;redemocratiza\u00e7\u00e3o&#8221;, esse cen\u00e1rio come\u00e7a a se reverter, o que n\u00e3o significou um imediato di\u00e1logo entre educa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental. Nessa \u00e9poca, a organiza\u00e7\u00e3o dos primeiros grupos ambientalistas que afirmavam que as causas dos problemas ambientais estavam na organiza\u00e7\u00e3o social e a incorpora\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o ambiental por educadores populares, adeptos do m\u00e9todo Paulo Freire, al\u00e9m dele mesmo, s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos por uma altera\u00e7\u00e3o discursiva com cr\u00edticas aos reducionismos biol\u00f3gicos, \u00e0 simplifica\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 transmiss\u00e3o de conhecimentos e \u00e0 sua instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> \tA aproxima\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o ambiental e educa\u00e7\u00e3o, no entanto, estava apenas come\u00e7ando e com um grau de criticidade bastante modesto na an\u00e1lise das pol\u00edticas p\u00fablicas em educa\u00e7\u00e3o e suas implica\u00e7\u00f5es nas institui\u00e7\u00f5es escolares e no tratamento da quest\u00e3o ambiental. Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da Rio 92, h\u00e1 um aumento consider\u00e1vel de professores e demais trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, escolas e universidades envolvidos com a educa\u00e7\u00e3o ambiental. E ao longo da d\u00e9cada de 1990 observam-se as primeiras a\u00e7\u00f5es concretas de maior envergadura do MEC, que promove iniciativas de forma\u00e7\u00e3o de professores, cria o primeiro Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e institui o tema transversal meio ambiente nos Par\u00e2metros Curriculares Nacionais.<\/p>\n<p> \t\u00c9 de fato na d\u00e9cada de 2000, particularmente ap\u00f3s 2002, com o in\u00edcio do governo Lula, que se pode dizer que a rela\u00e7\u00e3o se consolida. Nesse contexto, o MEC intensifica v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es e consegue contribuir para praticamente universalizar a presen\u00e7a da educa\u00e7\u00e3o ambiental nas escolas. Em pesquisa realizada em 2006 por este minist\u00e9rio, cerca de 96% das escolas brasileiras declararam realizar a educa\u00e7\u00e3o ambiental (seja como projeto, disciplina, tema transversal, via projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico, integra\u00e7\u00e3o entre duas ou mais disciplinas, entre outras op\u00e7\u00f5es n\u00e3o necessariamente excludentes entre si), com patamares quantitativos bastante equivalentes entre todas as regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p> \tNo entanto, a a\u00e7\u00e3o desde ent\u00e3o se voltou para um movimento do exterior para o interior escolar, com reduzida influ\u00eancia da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental do MEC junto \u00e0s pol\u00edticas centrais da educa\u00e7\u00e3o brasileira (curr\u00edculo, forma\u00e7\u00e3o de professores, gest\u00e3o escolar, autonomia da escola p\u00fablica etc.). Mais do que isso, como historicamente a educa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o se constituiu no di\u00e1logo e na disputa em torno das principais pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, no geral, o m\u00e1ximo que consta nestas pol\u00edticas, \u00e9 uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade como princ\u00edpio, sem rebatimento pr\u00e1tico e sem que o campo da educa\u00e7\u00e3o ambiental reflita de forma madura sobre suas implica\u00e7\u00f5es e a quem servem.<\/p>\n<p> \tMais do que isso, as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o vagas quando falam em forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o, apesar desta ser a principal demanda dos professores identificada na referida pesquisa feita pelo MEC em 2006, al\u00e9m de ser um direito destes e dos educandos. Em sendo uma necessidade reconhecida e uma demanda exigida por professores, \u00e9 fundamental a constitui\u00e7\u00e3o de grupos de pesquisa que enfrentem esses desafios. Que avancem na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos que permitam n\u00e3o s\u00f3 compreender criticamente os processos de forma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ajudem na proposi\u00e7\u00e3o de caminhos transformadores da realidade. Que sejam elementos de reflex\u00e3o sobre pol\u00edticas educacionais de forma\u00e7\u00e3o e de defesa do car\u00e1ter efetivamente p\u00fablico de tais pol\u00edticas na garantia do ambiente como bem comum.<\/p>\n<p> \tPor isso entendo que o Grupo de Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Forma\u00e7\u00e3o de Professores, coordenado pela professora Silvana do Nascimento, vem em boa hora e tem elevada import\u00e2ncia acad\u00eamicas nas atuais discuss\u00f5es e desafios da educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GRUPO DE PESQUISA EM EDUCA\u00c7\u00c3O AMBIENTAL E FORMA\u00c7\u00c3O DE PROFESSORES\u00a0(GPEA-FP) A denomina\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o ambiental se constituiu na radicalidade questionadora dos anos de 1960. 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