
Campo de algodão em Luís Eduardo Magalhães. Foto ABAPA.
A associação baiana dos produtores de algodão (ABAPA) tem como um de seus pilares, a sustentabilidade e desde de sua fundação vem investindo em pesquisas e tecnologias com intuito de melhorar a produção do algodão de forma a ser produzido de maneira responsável e justa para com o meio ambiente. Como explicou o presidente da Abrapa, Julio Cezar Busato.
Desde o início da produção de algodão no Brasil as safras sofreram bastante com algumas doenças e pragas, chegando até ser devastada toda a produção nacional, muito por culpa de um besouro conhecido como bicudo-do-algodoeiro, como explicou o representante da Embrapa Fabiano Perina. E desde então o papel das pesquisas ganharam enorme importância na produção do algodão, para encontrar formas de combater as pragas mantendo a qualidade do algodão brasileiro que está entre as melhores fibras produzidas do mundo.
O processo de pesquisa se faz a partir de três pontos. Passado: Soluções tecnológicas criadas, lições aprendidas. Futuro: Tentativas sistemáticas de antever condições futuras, criam no Presente, perspectivas estrategicamente bem direcionadas. Uma das principais evoluções das safras foi o aumento da produção sem a necessidade de aumentar a área plantada, visando maior sustentabilidade e respeitando os 35% de toda área destinada à reserva florestal.
Outro ponto onde o Brasil se destaca é sua produção cerqueira onde 92% do algodão é produzido com água da chuva, a fim de comparação, os Estados Unidos, principal concorrente do Brasil, tem quase 100% do seu algodão produzido por meio de irrigação. Em entrevista exclusiva com o Técnico Agrícola Marcelo Andrade, ele explica um pouco sobre a estratégia utilizada quando falta chuva na região.
“Todos os nossos poços têm um monitoramento de quantidade de hora ligado e do nível do reservatório, em questão do manejo da água, quando está irrigando eu sempre venho a campo monitorar a questão do solo e o quanto ele está precisando de água. Além de que também tem algumas empresas que vem auxiliar a gente nessa gestão, eles avaliam quanto de água tem no solo e contabiliza isso em cima da energia elétrica e a gente fica estudando o quanto deve ou não irrigar”, explica o técnico agrícola após ser perguntado quais são as estratégias usadas quando necessário irrigar de forma a não desperdiçar água.
A Bahia é um dos grandes pólos agrícolas graças às nascentes que temos aqui, e em 2017, a Abapa criou um programa voltado para essas nascentes o “Identificação, Preservação e Recuperação de Nascentes” desenvolvido pelos produtores rurais do Oeste da Bahia. Esse programa vem realizando diversas ações de intervenção para a conservação e recuperação da vegetação em “Áreas de Preservação Permanente” (APP’s), no entorno de nascentes, veredas e margens dos cursos d’água, em nove municípios da Região Oeste da Bahia.
Em quatro anos, o projeto já identificou 220 nascentes passíveis de intervenções de preservação ou recuperação, 92 minadouros já passaram por diagnóstico técnico e, em 63 já foram executadas ações, com recursos da Abapa e IBA (Instituto Brasileiro de Atuária) em parceria com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e municípios da região. Em março de 2021 o programa foi premiado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), na categoria Organizações Civis.
O prêmio da ANA busca reconhecer iniciativas que se destaquem pela excelência de sua contribuição para a promoção da segurança hídrica, da gestão e do uso sustentável dos recursos hídricos para o desenvolvimento sustentável. A Abapa conta com três programas de sustentabilidade do algodão brasileiro, sendo eles:
Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) – Certificação Brasileira para unidades produtivas de algodão, cujo o protocolo de 183 itens (sendo 51 a quantidade de Critérios Mínimos de Produção) e o Programa Algodão Brasileiro Responsável para Unidades de Beneficiamento de Algodão (ABR-UBA) -Certificação brasileira para algodoeiras, cujo o protocolo de 165 itens (sendo 16 a quantidade de Critérios Mínimos de Produção) atende:
31 itens sobre o contrato de trabalho
2 itens sobre proibição de trabalho infantil
3 itens sobre proibição do trabalho análogo a escravo, indigno ou degradante
4 itens sobre liberdade de associação sindical
2 itens sobre proibição de discriminaçao de pessoas
109 itens sobre segurança, saúde e meio ambiente do trabalho rural
11 itens sobre desempenho ambiental
21 itens sobre boas práticas agrícolas e industriais

Laboratório de análise da fibra do algodão. Foto ABAPA
Os critérios ambientais e boas práticas agrícolas estão 100% de acordo com o Código Florestal Brasileiro, e inclui todas as fazendas certificadas, que são cadastradas no Cadastro Ambiental Rural do Ministério do Meio Ambiente. Em todas as fazendas certificadas, os mapeamentos e as documentações ligadas à questão ambiental são conferidas.
Por último o Programa Better Cotton – Certificação internacional da cadeia produtiva do algodão, presente em 23 países do mundo cujo o protocolo contém 51 itens a serem seguidos
Outro grande avanço das pesquisas foi em relação à saúde do solo, com foco na parte biológica além da química e física, tanto no manejo da plantação quanto no controle contra pragas. Com a utilização de drones facilita a pulverização aérea e aplicação de químicos e defensivos, aplicando a dosagem correta para cada área necessitada.

Foto de experimentos e melhoramento do solo. Foto: Fabiano Perina.