Cultura do Gladíolo
Gladiolus x grandiflorus L.
1 -
INTRODUÇÃO
O
gladíolo, comumente conhecido como palma-de-santa rita e palma-holandesa, é uma
planta originária de clima tropical, sendo que, das 150 espécies existentes,
100 são nativas da África do Sul e Equatorial. As variedades atuais diferem
muito das espécies nativas devido aos trabalhos de melhoramento realizados,
por longo tempo, principalmente na Europa.
É
uma planta da família Iridaceae gênero Gladiolus. As primeiras referências sobre a
espécie datam dos anos
Com
a expansão do comércio de flores no Brasil, o gladíolo tornou-se uma cultura de
grande importância, levando vantagem sobre as outras (rosas e
crisântemos, principalmente) devido a seu ciclo curto, fácil cultivo,
baixo custo de implantação e rápido retorno, além da produção comercial de
bulbos e flores para consumo interno e exportação.
FISIOLOGIA DA
PLANTA
Fenologia / ciclo
As variedades de gladíolo podem ser de
ciclo curto, médio e longo, com a floração ocorrendo entre 65 até 120 dias após
o plantio.
De modo geral, o desenvolvimento do
gladíolo ocorre da seguinte forma:
a) 3-5 semanas após o plantio: surgimento
de raízes e início de emissão das folhas;
b) 7-9 semanas após o plantio:
desenvolvimento vegetativo;
c) 12-14 semanas após o plantio:
lançamento de espiga floral e abertura das flores;
d) 16-18 semanas após o plantio: senescência das folhas, formação de novo bulbo e bulbilhos.
Figura 1. - Desenvolvimento dos
bulbos de gladíolo. (Adaptado de Tanaka, sd).
2 - EXIGIÊNCIAS DA CULTURA
2.1. Solo
O solo areno-argiloso, com boa drenagem e permeabilidade, permite melhor desenvolvimento da planta, principalmente dos
bulbos. Solos mais argilosos podem ser utilizados, desde que não haja problema
de encharcamento. O pH ideal fica na faixa de
2.2. Água
É necessário manter
bom teor de umidade. A freqüência de irrigação vai depender das
condições locais.
2.3. Temperatura
Em torno de 22-26o C. É bastante sensível
a geadas.
2.4. Luz
É uma planta de plena
insolação, não respondendo a fotoperíodo para a
indução floral. Porém, em dias mais longos, maior será o seu crescimento e
desenvolvimento.
Quando a produção de flores visa a uma
data definida (finados, dia das mães etc.), é importante atentar,
principalmente, para os efeitos da temperatura e do comprimento do dia no ciclo
da planta. Embora as variedades, dentro de cada grupo, tenham ciclos de
floração bem uniformes, temperaturas elevadas e dias longos tendem a tornar a
produção precoce, enquanto o inverso - baixas temperaturas e dias curtos -
tendem a retardar a mesma.
3 - PLANTIO
3.1.
Época
Em locais onde a temperatura média não
fica muito abaixo da exigida pela cultura e não haja geadas,
o gladíolo pode ser cultivado o ano inteiro. Entretanto, o plantio vai depender
diretamente da época de comercialização das flores.
3.2.
Variedades
As variedades cultivadas não apresentam
muita diferença com relação ao porte das plantas, número de flores e tamanho da
espiga e se distribuem, de acordo com o ciclo de floração, em:
a) Variedades precoces - Florescem em 60
dias, aproximadamente, após o plantio.
b) Variedades de
ciclo médio - Florescem, em 80 dias, após o plantio.
c) Variedades tardias - Florescem em 120
dias, após o plantio.
O ciclo vegetativo (amadurecimento
completo do bulbo) é
As variedades mais cultivadas e
disponíveis para o produtor são:
"Peter
Pears" (ciclo curto) - Flores dobradas,
comumente chamadas de coral, devido à cor alaranjada das pétalas.
"Nova
Lux" (ciclo médio) - Flores dobradas; pétalas de
cor amarela.
"Gold Field" (ciclo médio) - Flores dobradas, pétalas de cor
amarela.
"White Friendship"
(ciclo curto) - Flores dobradas, de cor branca.
"Traderhorn"
(ciclo curto) - Flores dobradas, de cor vermelha.
3.3. Escolha dos Bulbos
Os
bulbos devem ser uniformes em tamanho e em quebra de dormência, para permitir
também uma colheita uniforme de flores. As firmas produtoras vendem os bulbos
classificados e com dormência quebrada. O primeiro lote de bulbos a ser
adquirido deve ser, preferivelmente, de bulbos de segunda geração (peso, altura
e diâmetro em torno de
O controle da brotação dos bulbos para a
programação da florada pode ser feito, armazenando os bulbos em câmaras frias,
à temperatura de 5° C, e com baixa umidade (70-80% u.r.), isto
quando se quer atrasar o plantio, ou colocando-os em condições de temperatura e
intensidade favoráveis (
Figura -2 – Classificação dos bulbos de
gladíolo: A – em formação; B – bulbo “velho”; C – bulbilhos em formação; D –
bulbo grande; E – bulbo médio; F – bulbilho.
3.4. Preparo do Solo e
Adubação
Deve ser feito preparo em nível, se a
topografia do terreno assim o exigir. Arar o terreno a uma profundidade de 25-
Deve aplicar-se 20 litros/m2
de esterco bem curtido e 50-
3.5.
Sistemas de Plantio
3.5.1.
Fileiras duplas
Podem ser utilizadas sem prejuízo para a
cultura, já que as folhas são eretas e a maioria do sistema radicular situa-se
num raio de, aproximadamente,
Para ambos os casos, uma variação no
espaçamento dentro da linha vai depender diretamente do diâmetro do bulbo,
variedade e controle fitossanitário podendo até
dobrar a população quando forem usa_ dos bulbos pequenos.
Os bulbos devem ser plantados com as
gemas voltadas para cima, embora estas possam ser voltadas para
qualquer posição. Podem ser também plantados a lanço, porém os
tratos culturais ficam
dificultados.
O plantio de lotes de
bulbos a cada 15 dias permite uma produção continua de flores.
4 - TRATOS CULTURAIS
4.1. Capinas
Devem ser feitas
quando necessário. No caso de produção de bulbos, a cultura deve ser mantida
sem plantas daninhas até o fim do ciclo.
4.2. Irrigação
Manter uma
freqüência de irrigação que evite o ressecamento do
solo, até o inicio do amarelecimento das folhas. Condições desfavoráveis de
umidade podem causar queima na ponta das espigas e apressar o ciclo, enquanto o
excesso de água pode causar retardamento no ciclo até o apodrecimento dos
bulbos caso esse excesso perdure por períodos longos.
Tutoramento
É uma das práticas mais importantes na cultura do
gladíolo, cujas plantas apresentam grande tendência de tombamento, ocorrendo,
em conseqüência, o desenvolvimento de inflorescências com haste deformada, sem
valor comercial.
Através do tutoramento, é possível manter as plantas com crescimento
vertical, com produção de flores em hastes eretas para o tutoramento, utilizam-se ripas de
madeira ou bambu e fitas plásticas ou fitilhos. Barbantes não são
recomendados, Pois rompem-se com facilidade. Arames
também não são utilizados pela dificuldade de se trabalhar com esses materiais.
O sistema de tutoramento deve ser implantado logo no
início da cultura, ou seja, de
f
Figura 4. Esquema de tutoramento das plantas
de gladíolo. UFLA, Lavras/MG, 1999.
4.3. Amontoa
Como o espigamento pode causar o tombamento da planta por excesso
de peso, recomenda-se fazer amontoa quando as plantas atingirem
4.4. Cobertura Morta
Favorece o controle
de umidade, temperatura e plantas daninhas, além de permitir melhor
estruturação do solo. Se o material utilizado for de alta relação C/N (ex.:
bagaço de cana), deve-se aumentar a adubação nitrogenada.
4.5. Doenças e Pragas
4.5.1. Doenças
Até
bem pouco tempo (1980), as doenças de maior importância no Brasil, para a
cultura, restringiam-se ao bulbo. Porém, com o surgimento da ferrugem (Uromyces transversalis),
que ataca toda a parte aérea da planta, passou-se a exigir um controle
sistemático dessa doença sob pena de perder a produção de flores e bulbos.
Deve-se também dedicar especial atenção à podridão-de-fusario
(Fusarium oxisporum),
que ataca o bulbo no solo e durante o armazenamento, acarretando enormes
prejuízos.
a)
Podridão-dura (Septoria gladioli)
- Mancha irregular no bulbo, de cor marrom-escura, sob as folhas envolventes. O
tecido doente torna-se duro, até a mumificação completa do bulbo. Durante o
crescimento, as plantas crescem pouco, não florescem e podem morrer
prematuramente. Pode atacar folhas próximas da base, formando manchas de cor
marrom-acinzentada, com margens claras. A infecção se dá no campo e
dificilmente no armazenamento. No solo, o fungo permanece pelo menos por
quatro anos.
b)
Podridão-seca (Septoria gladioli)
- O bulbo fica com manchas vermelho-marrom escuras, de forma
circular, ligeiramente deprimida, atingindo também as folhas protetoras.
Vegetando, as folhas começam a amarelar, secam e podem apresentar na sua parte
basal e naquelas de revestimento, vários escleródios.
c)
Podridãode-penicilium (Penicillium
gladioli)- Doença muito
comum no armazenamento. Bulbos com manchas deprimidas, cor vermelho-marrom,
firmes, porém não como na podridão-dura, com dobras concêntricas, algumas
vezes com uma cor amarelo-enxofre. Sob alta umidade, desenvolve-se um mofo
cinza-esverdeado. A infestação ocorre pelas lesões causadas durante o arranquio e o manuseio posterior. Manchas pequenas não
impedem que se plante o bulbo, uma vez que não passa para os bulbos-filhos.
d) Podridão-de-fusario
(Fusarium oxysporum
pv. gladioli)
- A infecção ocorre no solo e prolifera durante o armazenamento. Quando da
colheita, as lesões aparecem como pequenas manchas d'água, marrom-escuras. As folhas protetoras se
descolorem e se tornam quebradiças. No armazenamento, as manchas crescem. São
irregulares, tendendo a circulares, deprimidas pela rápida secagem e pelo
enrugamento do tecido; bordos definidos, comum pequeno halo aquoso. Ocorrem
manchas com anéis ligeiramente concêntricos. O fungo permanece no solo por,
pelo menos, cinco anos. Controle: imersão, durante 30 minutos, em solução de Manzate ou Benlate, ou Tecto 60 na concentração de
e)
Amarelecimento (Fusarium sp.)
- Descoloração e amarelecimento da folhagem, devido á infecção dos feixes
vasculares pelo fusarium. Podridão-marrom, começando
pela cicatriz da base do bulbo, que penetra no seu interior e cresce também na
superfície. Muitos bulbos morrem no campo e outros secam no armazenamento.
f)
Podridão-de-botritis (Botrytis
gladiolorum) - Pode atacar a folhagem,
causando-lhe manchas claras e foscas, às vezes com cor marrom-avermelhada.
Ocorre também no bulbo, durante o armazenamento de bulbos malcurados.
Alta umidade relativa e temperatura entre 28 e 36o C constituem
condição ideal para a infecção das folhas. Controle: pulverizações semanais com
Benlate, Maneb ou similar e
Zineb, na concentração de 2
g/l do produto comercial.
g) Ferrugem (Uromyces
transversalis) - Caracteriza-se pelas
pústulas transversais que ocorrem nas folhas e hastes florais. Os sintomas
iniciam-se por manchas descoloridas, pequenas, que se
tornam salientes, em forma de pústulas de cor amarelo-alaranjada, formando
posteriormente pústulas maiores, que tomam toda a área da folha. O pedúnculo
floral e as sépalas também são afetados. Com o desenvolvimento, as pústulas
tomam coloração pardo-ferruginosa. As flores produzidas por plantas doentes
são de qualidade e sanidade inferiores, e os bulbos-filhos não chegam à
maturação. Se não for feito um controle intensivo, a produção de flores e
bulbos fica totalmente comprometida. Controle: pulverizações semanais com Bayleton, Saprol ou Plantvax, na concentração de 2 g/l
do produto comercial. O uso de fungicidas cúpricos é
eficiente no controle da ferrugem e não causa danos às hastes florais e aos
bulbos, embora haja referência ao efeito tóxico do cobre sobre a planta.
h) Queima-de-curvulária
(Curvularia trifolii)
- Ataca qualquer parte da planta, com mais intensidade as folhagens e
inflorescências.
No bulbo causa lesões deprimidas, enegrecidas, que
não proliferam no armazenamento.
i) Podridão-de-estromatinia
(Stromatinia gladioli)
- Ataca os bulbos, raízes e região do coleto. A região atacada apresenta grande
abundancia de escleródios negros. Em geral, o fungo não apresenta crescimento
durante o armazenamento. O fungo permanece no solo por três anos ou mais.
j) Queima-das-folhas ou Podridão-do-pescoço (Bacterium
maringatum) - Doença das mais comuns no
gladíolo.
k) Mosaico (Doença virosa)
- Causa manchas com coloração mais clara nas pétalas e também nas folhas. A
transmissão dá-se por insetos sugadores.
Algumas medidas para evitar o
aparecimento e disseminação de doenças podem ser tomadas, como segue:
- Durante o cultivo, as plantas doentes devem ser
arrancadas e destruídas (bulbilhos também) e o solo, removido ou desinfetado.
- Rotação de culturas. Não repetir o plantio, no
mesmo solo, pelo menos por quatro ou cinco anos.
- Manuseio apropriado e cuidadoso dos bulbos desde a
colheita, limpeza e armazenamento. Evitar injúrias.
- Bulbos contaminados devem ser separados e
destruídos, bem como os bulbilhos e os restos culturais.
- A boa cura é imprescindível à sanidade. Armazenar
em galpão, 30° C, por 2-4 semanas.
-Termoterapia – Imersão em
água, a
-Armazenamento, em camadas pouco espessas, em bandeja
com fundo telado, prateleiras etc., permitindo não só a temperatura adequada,
como também bom arejamento.
4.5.2. Pragas
a) "Trips"
- Nada menos que 12 espécies de "trips" têm
sido encontradas causando danos ao gladíolo. Dentre elas, a Taeniotrips
simplex (Morison) é a principal.
Os "trips"
atacam os bulbos, folhas, botões florais e flores do gladíolo. No seu ciclo de
vida, o "trips" causa danos ao gladíolo,
tanto na fase de larva quanto na adulta.
Nos bulbos, o ataque se verifica durante
o armazenamento, e a região atacada apresenta um tecido de aparência corticosa,
marrom.
No campo, atacam também as brotações
novas, folhas e inflorescências, onde se reproduzem. As folhas atacadas tomam
uma coloração prateada, tornando-se cor de palha, e os botões atingidos não se
abrem normalmente. O "trips" não é
facilmente visto nas plantas no campo.
O controle preventivo envolve boa limpeza
e desinfecção dos bulbos na colheita e destruição dos restos culturais. Os
bulbos armazenados devem ser tratados com naftalina, que deve ser colocada
entre e sobre os bulbos recém-limpos, em ambiente com
certo controle de arejamento (galpões, caixas cobertas ou mesmo sacos, não
completamente herméticos), na quantidade de
No campo, deve-se controlar,
preventivamente, o "trips" com o uso de
inseticidas sistêmicos (Phosdrin, na concentração de 2 ml/l do produto comercial), a
fim de evitar que a floração fique comprometida.
b) Pulgão lanígero (Pseudococcus maritimus
(Ehrt)) - Ataca especialmente bulbos armazenados,
preferindo á porção basal do prato do bulbo e primórdios de raízes. Bulbos
atacados murcham e originam plantas fracas. No campo, o inseto causa redução no
crescimento da planta. A termoterapia (±
c) Pulgões (Myzus
sp.) - Sugam as brotações dos bulbos, tanto no armazenamento
quanto nos plantios de campo. São bastante prejudiciais às plantas
d) Nematóides (Meloidogyne
incognita) - As plantas atacadas param de
crescer, murcham e mostram galhas no sistema radicular e no bulbo.
Outros insetos mastigadores causam danos ao gladíolo, sendo necessário acurada observação das plantas durante o ciclo de
crescimento.
5 - COLHEITA, CLASSIFICAÇÃO, EMBALAGEM E
ARMAZENAMENTO DAS ESPIGAS FLORAIS
5.1. Colheita
As
espigas devem ser colhidas, preferivelmente, de manhã ou à tarde, quando a
temperatura é mais favorável. Para o mercado interno, a espiga deve ser
colhida quando surgir a coloração do botão. Para a
exportação, a colheita deve ser feita quando a espiga apresentar o máximo de
desenvolvimento, porém sem o surgimento de coloração do botão.
O
corte deve ser feito bem na base da planta, evitando-se ao máximo a retirada de
folhas, pois a planta continuará vegetando até o final do ciclo, quando os
bulbos serão colhidos.
A
abertura das flores após a colheita vai depender, principalmente, da
temperatura ambiente e da variedade. Variedades de cores mais claras tendem a
entrar em senescência mais rapidamente. A duração da
florada de uma espiga é 10-15 dias, uma vez que as flores abertas podem ser
eliminadas, enquanto outras novas se abrem.
5.2. Classificação
A Sociedade Americana e Inglesa de Gladíolos classifica as
espigas de acordo com a forma,
tamanho e número de flores/espiga.
A
Cooperativa Agropecuária "Holambra"
classifica as espigas de acordo com o seu comprimento e número de botões em:
Extra - espiga
com mais de
I - espiga com 100 -
lI - espiga com 80 -
III - espiga com 60
-
A qualidade das
espigas é afetada pela distância entre as flores e a distância entre a base da
espiga e a inserção da primeira flor. As flores quando abertas não devem ter
espaços livres entre si, e a parte da espiga (sem flores) não deve ter mais de
5.3. Embalagem
São feitos feixes de
1-2 dúzias, que são acondicionados em caixas de papelão ou engradados de
alumínio. Em ambos os casos, as espigas devem ser colocadas de pé, devido ao
geotropismo negativo das mesmas (quando colocadas deitadas, as hastes começam a
curvar a ponta em direção oposta ao solo, afetando sua qualidade).
5.4. Armazenamento
Após a colheita, as espigas devem ser
imersas em água para evitar a murcha e a conseqüente redução na vida da flor.
As espigas devem ser armazenadas em
câmaras frias (3-
Para armazenamento em curto prazo, a base
das espigas pode ser colocada em água, em local de temperatura amena. Pode-se
usar um dos produtos germicidas (AgNO3, 30 ppm
ou Al2(SO4)3, 500 ppm
ou Citrato de 8-Hidroxiquinoleina,
200 ppm) mais a sacarose, na concentração de 5%, para
aumentar a duração da espiga.
6 - PRODUÇÃO DE BULBOS COMERCIAIS
Podem ser produzidos através de sementes,
bulbilhos ou, mesmo, bulbos comerciais. O bulbo comercial é aquele que tem
reservas suficientes para produzir uma espiga de qualidade. Um bulbo com pelo
me nos
6.1. Sementes e Bulbilhos
O uso de sementes e inviável, pois se a
variedade for heterozigota ocorre segregação,
formando uma população de plantas desuniformes quanto
a ciclo, cor, produção de flores, bulbos e bulbilhos e dormência de bulbos e
bulbilhos, dificultando a comercialização de flores e bulbos. Para se obter
bulbo comercial a partir de sementes, são necessárias pelo menos três gerações
de plantio. O plantio deve ser feito em sementeiras, onde se tem melhor
controle de temperatura umidade.
Os bulbilhos (estruturas reprodutivas
produzidas por estolões de reserva entre o bulbo-mãe e o bulbo-filho), quando
cultivados por 2-3 gerações, podas originar um bulbo comercial. São pobres em reservas, exigindo, como as sementes, local
mais controlado para o cultivo.
A adubação de plantio, tanto para sementes
quanto para bulbilhos, é de 50-
6.2. Bulbo Comercial
O bulbo comercial
produz a espiga floral, além de possibilitar a produção de 1-2 bulbos e
bulbilhos. O número de bulbos produzidos depende do número de gemas que
quebram a dormência. A produção de bulbilhos varia com a variedade (Quadro 1) e o solo. Solos de textura mais leve possibilitam maior
produção de bulbilhos e melhor qualidade de bulbos e bulbilhos. O número de
dias do plantio à colheita varia de 150-210 dias.
Com a finalidade de estudar o
comportamento de quatro variedades quanto à produção de bulbos e bulbilhos,
nas condições de Viçosa, foi feito um plantio em 1984. O Quadro 1 mostra algumas características anotadas em um ciclo de
produção.
QUADRO 1 - Produção
de bulbos e bulbilhos em quatro variedades de gladíolo cultivadas no Setor de Jardinocultura da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em
1984, em viçosa-MG
|
Variedades |
N° de Dias do
Plantio |
N°- de Bulbos-Filhos Colhidos |
Peso Médio do Bulbo-Filho |
N°- de Bulbilhos |
|
|
1ª Colheita de Flores |
Arranquio do Bulbo-Filho |
||||
|
"Peter Pears" |
62 |
149 |
995 |
|
5.200 |
|
"Cold Field" |
90 |
169 |
1.560 |
- |
6.500 |
|
"White Friendship" |
63 |
154 |
777 |
|
6.700 |
|
"Traderhorn" |
83 |
149 |
1.104 |
|
40.000
|
"White Friendship" - 850 bulbos (Diâmetro médio =
04/04/84.
"Fèter Pears", "Cold Field" e "Traderhorn" - 1.000 bulbos (Diâmetro médio =
Observa-se que as variedades se comportam
diferentemente quanto ao ciclo e à produção de bulbos e bulbilhos.
7 -
COLHEITA, CURA, CLASSIFICAÇÃO,
TRATAMENTO E QUEBRA DE DORMÊNCIA DOS BULBOS E BULBILHOS
7.1. Colheita
Os bulbos devem ser colhidos quando as
folhas começarem o pro cesso de senescência, o que
coincide com o amadurecimento total do bulbo e bulbilhos. A irrigação deve ser
suspensa para facilitar a colheita e evitar o apodrecimento dos bulbos.
É
possível a colheita antes da maturação total dos bulbos, mas bulbos colhidos
prematuramente apresentam maior dormência e os bulbilhos são perdidos, pois
estão imaturos (coloração creme-clara) ou ainda não foram produzidos. Porém, a
redução do ciclo traria vantagens, como melhor qualidade no aspecto fitossanitário, menor custo de produção e melhor utilização
do solo.
O
arranquio pode ser feito com enxadão ou cultivador.
7.2. Cura e Classificação
A
cura consiste em deixar os bulbos secarem, á sombra (se não poderá haver queima
dos mesmos, principalmente de bulbos colhidos prematuramente), por 48-72 horas,
após o que serão limpos e classificados.
A
classificação dos bulbos é feita com base no diâmetro dos mesmos, como segue:
Grande (jumbo) diâmetro
≥
Numero 1 diâmetro 3,8 -
Número 2 diâmetro 3,2 -
Número 3 diâmetro 2,5
-.
Número 4 diâmetro 1,9 -
Número 5 diâmetro 1,2 -
Os bulbos com diâmetro
≥
7.3. Tratamento
Devido ao grande
número de pragas e doenças que atacam os bulbos, torna-se necessário o
tratamento preventivo dos mesmos. Podem ser imersos em soluções fungicidas,
utilizando-se um dos seguintes produtos: Manzate, Benlate, Cercoran, 3 g/l ou Tecto-60 e 4 g/l do
produto comercial. Também podem ser submetidos à termoterapia
(
7.4. Quebra de Dormência
A
dormência é um período de repouso vegetativo, causado por indutores como ácido abscisico e outros, que levam á
interrupção do crescimento e possibilitam a sobrevivência em condições
adversas, em estado de
dormência. Quando o meio se torna
favorável, a quebrada dormência ocorre pela redução da concentração desses
inibidores ou pelo aumento de substância, que os antagonizam,
como a giberelina. A produção de giberelina
ou a menor concentração de inibidores podem ser induzidas por baixa
temperatura ou luminosidade. A quebra da dormência pode ser induzida
artificialmente.
A temperatura do solo no estádio final da
cultura afeta a dormência, sendo que temperatura baixa apressa a quebra da
mesma. Quanto maior o número de dias de armazenamento, mais rápida será a
quebra da dormência dos bulbos. 0 grau de dormência varia com o cultivar, e os
bulbilhos têm maior dormência que os bulbos.
É possível medir a profundidade da
dormência dos bulbos de gladíolo através do método do tetrazólio
(T.T.C.), no qual ocorre uma correlação negativa entre profundidade de
dormência e a taxa de redução do T.T.C.
Para quebra de dormência os bulbos devem
ser armazenados em câmaras frias por 20-30 dias, a 5º C, dispostos em camadas
que favoreçam a ventilação, evitando a formação de microclimas,
o que possibilita maior controle de doenças.
Os bulbilhos perdem água facilmente e
apresentam maior intensidade de dormência, devendo ser armazenados por maior
período (4-6 meses, a 2-7º C). Durante o armazenamento, a umidade deve ser
controla da, acondicionando os bulbilhos em areia, vermiculita
ou em saco de plástico.
Após o armazenamento, os bulbos e
bulbilhos devem ser expostos à temperatura ambiente, a fim de induzi-los à
brotação para, posteriormente, serem plantados.
No Quadro 2, observa-se o efeito do número de dias de armazenamento, a
8oC, sobre a quebra de dormência de bulbos de gladíolo.
O aumento do número de dias de
armazenamento causou redução do número de dias para a brotação, mas o número de
dias do armazenamento à brotação foi pouco alterado.
A uniformidade de quebra de dormência e,
conseqüentemente, da brotação vai influenciar diretamente na uniformidade da
cultura no campo.
QUADRO 2 - Influência
do número de dias de armazenamento na quebra de dormência de bulbos de
gladíolo, cv. White Frienship. Viçosa, 1984.
|
Data do armazenamento |
Nº de dias de
armazenamento na câmara |
Nº de dias para
brotação |
Nº de dias do
armazenamento à brotação |
|
14/09/84 |
21 |
34 |
55 |
|
14/09/84 |
24 |
31 |
55 |
|
14/09/84 |
27 |
28 |
55 |
|
14/09/84 |
31 |
21 |
52 |
|
14/09/84 |
34 |
21 |
55 |
|
14/09/84 |
38 |
21 |
59 |
|
14/09/84 |
41 |
18 |
59 |
8 - LITERATURA CONSULTADA
1. COELHO, G.W.C. Relatório
técnico/dez. 83. Jaguariúna-SP. Coop. Agrop. Holambra, 1983. 10
p.
2.
FORSBERG, J.L. Diseases of ornamental plants.
Urbana, University of Illinois Press, 1975. 220 p.
3. JANICK, J. A ciência da horticultura.
Rio de Janeiro, USAID,
1966. 485 P.
4. LOPES, L.C.;
BARBOSA, J.G.; CRUZ FILHO, J. da. Efeito de fungicidas no controle da ferrugem
(U. transversalis (Thuemen)
Winter) do gladíolo. Revista Ceres,
Viçosa, 30(171):366-74, 1983.
5. LOPES, L.C. &
BARBOSA, J.G. Relação entre o tamanho do bulbo semente e produção de flores e
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Anais... Brasília, EMBRAPA, 1983. p.161-4.
6. LOPES, L.C. &
BARBOSA, J.G.; CRUZ FILHO, J. da.; ALMEIDA, J.S. de.
Tratamento pré-plantio de bulbos de gladíolo, cv. Peter Pears,
com os fungicidas Benlate, Cercoram
e Manzate. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FLORICULTURA E
PLANTAS ORNAMENTAIS, 42 Rio de Janeiro, 1983. Anais... Brasília, EMBRAPA,
1983. P. 241-4.
7. MANTOVANI, E.C. Efeito da dessecação
com gramoxone e do corte
da
folhagem na redução do ciclo vegetativo
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