GLOXÍNIA

1. DESCRIÇÃO
Pertencente à família
Gesneriaceae, a Gloxínia (Sinningia speciosa-Lood. Hiern.) é uma planta
brasileira, de raiz tuberosa, herbácea, perene, que possui um ou mais caules
com fo1h as pareadas, ovaladas ou oblongas, e com pubescência. Na
inflorescência, suas flores são tubulares, pendentes, de coloração variada e
colocadas em longos pedúnculos axilares.
Nos híbridos comerciais, as
flores apresentam-se nas formas simples ou dobradas, em cores de diversos tons
desde branco puro, lilás, rosa, vermelho até a tonalidade púrpura-escura,
podendo ainda ser bicolores, com bordas, pintas ou faixas contrastantes.
Graças ao trabalho de
melhoristas, novos híbridos apresentam suas flores não mais pendentes, mas
voltadas para cima, tomando o formato de um buquê.
2. REPRODUÇÃO
A multiplicação ao nível de
produção comercial é feita por sementes. Estas podem ser importadas ou obtidas
na própria propriedade, desde que o produtor obtenha e selecione suas plantas
matrizes e realize seus próprios cruzamentos.

2.1. Seleção de plantas matrizes
A seleção das plantas
matrizes é feita de acordo com o porte da planta, quantidade e disposição das
flores, sua coloração e formato. A planta ideal deve apresentar as folhas
contornando completamente o centro do vaso preenchido por flores e botões, de
modo a formar o aspecto de um buquê.
2.2. Obtenção de sementes
As sementes são obtidas através da polinização manual,
colocando-se o pólen (parte masculina) sobre o estigma (p feminina) receptivo
das flores abertas. As flores dobradas normalmente não possuem pólen, devido à
transformação das anteras em pétalas; portanto, o cruzamento geralmente é feito
entre uma planta simples, fornecedora de pólen, e uma dobrada, produtora das
sementes.
A tendência do tipo de flor nas diversas combinações
de cruzamentos é a seguinte:
|
Cruzamento simples x simples simples x dobrada dobrada x dobrada |
Descendência 100% simples simples e dobrada dobrada, com
pequena porcentagem de simples |
Após a fecundação, ocorre a
formação de uma cápsula, cuja maturação leva de 45 a 60 dias. As sementes são
colhidas quando a cápsula começa a abrir-se, podendo ser imediatamente
semeadas.
2.3. Semeadura
A semente
da gloxínia é muito pequena: 1 grama contém aproximadamente 30.000 sementes. A
semeadura deve ser feita em caixas de madeira (30 x 40cm>, contendo um
substrato leve e rico em matéria orgânica. Esse substrato deve ser previamente
esterilizado, por exemplo, tratando-se com vapor de água durante 15 a 20
minutos, ou com Brometo de metila, conforme recomendação técnica. As sementes
são distribuídas a lanço na superfície do substrato, evitando-se cobri-las,
pois não germinam quando sufocadas sob a camada de solo.
A irrigação da sementeira
pode ser feita mergulhando-se a parte baixa da caixa diretamente na água, ou
então por nebulização. A aspersão deve ser evitada, pois pode mexer as sementes
e enterrá-las e, com isso, prejudicar a germinação.
A germinação ocorre em
ambiente úmido e escuro; portanto, as caixas já semeadas devem ser recobertas
com papel ou plástico escuro. A temperatura ideal para a germinação é de 210
Centígrados.
Após 2 a 3 semanas da
semeadura, obtêm-se as plântulas que devem receber gradualmente maior
luminosidade.
2.4. Primeiro transplante
Passados 30 dias da
semeadura, as plântulas são transferidas para novas caixas de madeira de 30 x
40cm, contendo igualmente um substrato leve e esterilizado, colocando-se 40
plântulas por caixa, onde permanecem por 60 dias.
2.5. Segundo transplante
Neste segundo transplante,
as mudas são passadas para canteiros construídos de sarrafo de madeira de 7cm a
10cm de altura, fixados no chão com pinos de madeira e preenchidos com
substrato leve e poroso. O espaçamento é de 12cm - 15cm entre as plantas.
As plantas permanecem no
canteiro por um mês aproximadamente. Finalmente são transferidas para vasos de
15cm - 16cm para
variedades de plantas grandes, ou de 10cm - 12cm (4-5") para variedades de
plantas pequenas.
3. ENVASAMENTO
As plantas devem ser
envasadas fundo, colocando-se a coroa da planta 0,5cm a 1,0cm abaixo do solo,
deixando apenas as 4 últimas folhas superiores acima do solo. Ao envasar a
planta, deve ser colocada delicadamente no vaso, evitando-se comprimir o solo
ao seu redor, pois a gloxínia prefere solo muito solto.
Após 30 dias no vaso, as
plantas iniciam o florescimento; os dois primeiros botões florais devem ser
eliminados para provocar uma maior emissão de novos botões. Dessa maneira, a
planta apresentará maior número de flores abertas no momento da
comercialização. Cada flor pode durar de uma a duas semanas.
4. CONDIÇÕES DE CULTIVO
O
cultivo da gloxínia é feito em estufas, com controle geral de luminosidade,
umidade e temperatura.
4.1. Luminosidade
A luminosidade ideal está ao
redor de 25,8 Klux, sendo controlada com camadas alternadas de filmes plásticos
e telas de sombreamento do tipo Sombrite a 50-60%.
A luminosidade excessiva
pode causar manchas amareladas e queimaduras nas folhas e retardamento do
crescimento.
4.2. Temperatura
A
temperatura ideal varia de 180C noturnos a 240C diurnos.
Temperaturas muito elevadas
podem provocar o abortamento de botões florais. A temperatura da água não deve
ser inferior a 100C, podendo prejudicar as folhas e raízes.
4.3. Umidade
A umidade relativa dentro da
estufa deve ficar entre 50 e 70 por cento.
4.4. Substrato
(do canteiro)
O substrato deve ser
bem orgânico, leve e com boa capacidade de retenção de umidade. Uma mistura é
feita de húmus, vermiculita ou pó de xaxim e areia na proporção em volume de
1:1:1. O pH deve ser corrigido a 6, com a adição de calcário dolomítico.
4.5. Irrigação
A cada transplante as
mudas devem ser imediatamente irrigadas, pois são muito sensíveis à
desidratação. A irrigação deve ser sempre feita evitando-se molhar as folhas e
acumular excessos de água, o que propicia o aparecimento de doenças. O
substrato do vaso deve ser mantido úmido e nunca deve secar completamente. Como
medida preventiva, aplicar fungicidas na água de irrigação, como, por exemplo,
Benomyl, Captan, Chlorothalonil e Tiofanato
Metílico.
4.6. Adubação
As gloxínias exigem
adubação moderada. Cuidados devem ser tomados com excessos de teores de fósforo
e uréia.
A bibliografia
estrangeira indica bons resultados com adubações semanais com a fórmula
15-16-17 ou 15-15-15 (1,1 kg/378 litros de água) alternadas com nitrato de
cálcio (2 libras/100 galões de água).
5. CONTROLE
DA ALTURA DAS PLANTAS
O controle químico do
tamanho das folhas e da altura das plantas pode ser feito com a aplicação de
B-nine 1 a 2 semanas após o plantio no canteiro. Na primeira aplicação,
dissolve-se o B-nine na proporção de 0,10% em água (2 colheres de sopa para 4
litros de água). A segunda aplicação deve ser feita de 7 a 10 dias após a
primeira.
6. DOENÇAS
6.1. Mofo-cinzento
(Botrytis sp.)
Doença que ataca as
flores, principalmente durante os períodos úmidos e frescos. Eliminar as flores
doentes e pulverizar com Benomyl, Captan, Chlorothalonil ou Tiofanato Metílico.
6.2. Podridão-da-coroa
(Pythium sp.)
Ataca
a coroa e as hastes florais. As plantas infectadas devem ser descartadas.
6.3. Podridão-das-raízes
(Phytophthora sp.)
A infecção ocorre
primeiramente ao nível do colo da planta, alastrando-se por toda a planta,
acarretando a morte. Para o controle, empregar substratos leves e isentos de
parasitas(esterilizados). Prover boa drenagem, maior aeração entre as plantas
(espaçar os vasos) e controlar melhor a irrigação. Remover os vasos com plantas
doentes.
7. PRAGAS
As
pragas mais comuns das gloxínias são os ácaros, pulgões, tripes e lagartas.
De acordo com a bibliografia
estrangeira e com um levantamento feito junto a produtores das regiões de
produção do Estado de São Paulo, o controle dessas pragas vem sendo feito com
produtos à base de Bacillus thuringiensis, Dicofol, Fluvalinate, Endolsulfan,
Abamectin, Dimetoato e Fenitrothion.
8. OBSERVAÇÃO FINAL
Após o florescimento, as
plantas iniciam um período de repouso. Nessa fase, diminuir lentamente a
irrigação; as folhas murcham e secam. O rizoma deve ser mantido no vaso em
local seco, a 13ºC, por 6 a 8 meses no máximo. Esse não deve ser arrancado do
vaso sem a proteção do solo, pois perde rapidamente a vitalidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Barcelona, Espanha, 1981. 208p.
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1980.
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PITTA, G.RB.; CARDOSO,
R.M.G. & CARDOSO, E.J.B.N. Doenças de plantas ornamentais. Instituto
Brasileiro do Livro Científico Ltda. São Paulo. 1990. 174p.
SWEET, J. & CUMMISKEY, R Gloxínia. In: BALL, V. Ball Redbook. 15.
Ed. Growertalks Bookshelf, Batavia, IL, USA, 1991. 802p.
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Clarendon Press, 1956. 4v.