
CULTIVO COMERCIAL DE VIOLETA
AFRICANA
1. INTRODUÇÃO
A
violeta africana (Saintpaulia ionantha Wendl.) é uma espécie
florífera perene pertencente à família Gesneriaceae, da qual existem perto de
125 gêneros e acima de 2.000 espécies conhecidas. Destas, aproximadamente 300
têm sido cultivadas.
A
violeta africana foi descoberta em 1892, nas montanhas de Usambara, em Tanga,
no Leste da África, pelo Barão Walter von Saint Paul, governador da German East
África. Hermann Wendlan, um proeminente botânico alemão, deu o nome do gênero, Saintpaulia,
em homenagem a esse descobridor (DECKER, 1952; KIMMINS 1980).
Atualmente,
é uma das espécies mais difundidas e apreciadas como planta de vaso para
decoração de interiores no mundo todo (TOMBOLATO et al., 1987).
2. Cultivares
Existem
no Brasil mais de uma centena de cultivares, a maior parte deles originária do
Japão e dos EUA. A identificação desses cultivares tem sido muito difícil uma
vez que, mesmo entre os produtores, há divergência de nomenclatura. A gama de
tipos existentes, variando quanto ao formato e à coloração de flores e folhas,
tem despertado a curiosidade das pessoas e levado à formação de pequenas
coleções domésticas.
Em
nível comercial, existe um conjunto de características desejáveis de planta que
devem orientar a escolha dos cultivares a serem multiplicados. O padrão visual
adequado do vaso seria semelhante a um buquê, com as folhas contornando
completamente o centro forrado de flores e botões. Deve-se observar que as
folhas e os pecíolos apresentem um desenvolvimento compatível com o tamanho do
recipiente: se muito pequenas, deixarão grande porção do vaso à vista, se muito
grandes, poderão sofrer danos durante o processo de transporte e
comercialização.
O
florescimento deve ser abundante, e o pedúnculo das inflorescências (estas em
forma de cimo) não deve ser demasiado longo para não colocar as flores
distanciadas do centro da planta. A haste principal do cimo deve estar bem
ereta, com tendência à posição vertical, e as flores, ligeiramente projetadas
para cima e para as laterais do vaso.
As
características da flor não seguem um padrão exato: ela deve ser relativamente
simétrica e de coloração atraente e as pétalas, persistentes, não se soltando
do cálice antes de murchar naturalmente. As flores devem apresentar longa
durabilidade, chegando a permanecer abertas durante um mês todo, nos melhores
cultivares.
3. PRODUÇÃO DE MUDA
3.1 Manutenção
de plantas matrizes
Os
cultivares escolhidos para a multiplicação serão conservados em local apropriado
dentro de estufa ou túnel plástico, nas mesmas condições de cultivo das plantas
em fase de florescimento (ver item 3.4 - transplante definitivo).
As
plantas, após mantidas no matrizeiro por nove semanas, serão descartadas. A
cada três semanas, pode-se colher de três a cinco folhas por vaso. As folhas
colhidas devem-se apresentar sadias e bem desenvolvidas, retirando-se
normalmente as folhas mais externas.
Portanto,
efetuam-se quatro coletas de folhas: a primeira no momento da constituição do
lote e , as demais, a cada três semanas. Quando a quarta colheita é realizada,
renovam-se as plantas matrizes escolhendo-se no lote de produção sempre as
melhores plantas, cuidando-se de observar todas as características desejáveis.
3.2.
Propagação
3.2.1. Propagação
tradicional
A
propagação é feita tradicionalmente através de folhas. O limbo é deixado
intacto, enquanto apenas uma fração de pecíolo é conservada. Essa fração deve
corresponder, no máximo, a 1cm de comprimento, pois, quanto mais longo, maior a
lentidão para a formação das mudas. Alguns produtores chegam a eliminar
totalmente o pecíolo, sem perda na eficiência da brotação. A folha não
necessita ter atingido o desenvolvimento máximo para ser empregada na produção
de mudas. A partir do momento em que o limbo atinge 5cm de comprimento, a folha
já pode servir para a propagação.
As
folhas devem ser colocadas ligeiramente fixadas sobre um substrato
pasteurizado, composto de material do tipo casca de arroz carbonizada, pó de
xaxim ou vermiculita de textura grossa, puros ou mistura.
Esses
materiais apresentam características de baixa densidade e elevada porosidade,
retêm a umidade sem excesso e permitem boa aeração. As folhas devem ser
posicionadas de maneira a não se tocarem e a permitir que o limbo receba luminosidade
suficiente para a produção de elevada quantidade de mudas. Os produtores
usualmente colocam-nas com uma pequena fração do pecíolo, fixadas no substrato
ligeiramente inclinadas, formando um ângulo de 45º, ou, sem pecíolo,
horizontalmente sobre o substrato.
A
temperatura ambiente ideal para produção é de 21ºC.
Cada
folha chega a produzir uma dezena de brotos, porém apenas três a quatro mais
desenvolvidos podem ser aproveitados. Em cerca de oito a doze semanas, as mudas
estarão prontas para o transplante; no inverno esse período pode ser mais
prolongado.
3.2.2.
Propagação via semente
A propagação dos cultivares de
violeta é basicamente feita pela brotação na base do pecíolo das folhas, como
já exposto. Novas mudas, porém, podem ser obtidas via semente, método eficiente
para a criação de novos cultivares. Nesse caso, essas plantas apresentarão
características diferentes dos paternais.
Para
a obtenção de sementes, é necessário realizar artificialmente a polinização das
flores. Em nossas condições, a frutificação natural ocorre muito raramente.
O
primeiro passo consiste na escolha, entre os cultivares de que se dispõe de
duas plantas com características desejáveis, as quais devem ser identificadas
com um número, a menos que seja conhecido o verdadeiro nome do cultivar.
Uma
delas será considerada progenitor feminino ou planta-mãe e receberá o pólen da
outra planta, considerada progenitor masculino.
Logo
no início da abertura da flor, por medida de segurança, as anteras da planta
feminina devem ser retirada com a ajuda de uma pinça ou tesourinha. Alguns dias
após, quando as pétalas estiverem totalmente abertas e o estigma receptivo,
colhem-se algumas anteras do progenitor masculino, abrindo-as com uma pinça sobre
um pedaço de papel, pois são de difícil deiscência. Com o auxílio
De
um pincel, coletam-se grãos de pólen e poliniza-se - estigma da planta
escolhida, identificando-se com uma etiqueta o cruzamento e a data da
polinização. Por convenção, o número ou nome da planta-mãe é sempre colocado
antes da planta fornecedora de pólen, separados por X, que indica a realização
de um cruzamento.
O
melhor momento para a polinização é a metade do dia, quando o ar estar mais
quente (RECTOR, 1956).
Uma
ou duas semanas após, observar-se uma turgescência no ovário, indicando que a
fertilização dos óvulos ocorreu, passando o fruto a se desenvolver lentamente.
No período de formação das sementes, deve-se tomar muito cuidado quanto ao
ataque de Botrytis, que acarretaria o apodrecimento do fruto ainda
verde. Nas condições de elevada temperatura e umidade predominante em nosso
País, os frutos só chegam à maturação com um controle eficaz de podridões no
pedúnculo ou no próprio fruto (ver item 3.5 - controle de pragas e moléstias).
Normalmente
depois do quarto ou quinto mês de crescimento, pode-se notar, com o fruto
contra a luz, que as sementes começam a maturar no seu interior. A partir desse
momento, o fruto pode ser colhido; com a ajuda de uma pinça, ele é abeto e, as
sementes, retiradas e imediatamente colocadas sobre o pó de xaxim peneirado e
umedecido. O recipiente (bandeja, copo plástico ou vaso) deve ser coberto com
um filme plástico para manter a umidade.
Decorridas
três semanas poderá ser observada a presença de pequenas plântulas com duas
folhinhas redondas. Quinzenalmente, devem receber uma pequena cobertura de
adubo foliar para preencher suas necessidades nutricionais. As plântulas podem
permanecer nesse ambiente até atingir tamanho suficiente para O transplante.
A
partir desse momento, as mudas devem receber tratamento semelhante àquelas de
propagação vegetativa.
O
produtor de plantas envasadas normalmente não se deve preocupar com trabalhos
de cruzamento e seleção de plantas de semente, pois há uma demanda de espaço
suplementar dentro da estufa, um gasto de tempo desnecessário para, finalmente,
obter plantas altamente heterog6enea. As plantas obtidas por cruzamento t6em
normalmente características intermediárias entre os dois paternais: poucas
constituição de novos cultivares de valor comercial. A maior parte delas deve
ser descartada, podendo-se até observar recombinantes com características
totalmente estranhas e indesejáveis.
3.2.3.
Propagação in vitro
A
expressiva multiplicação obtida in vitro é que torna aplicável sua utilização,
pois, na propagação convencional, em nível de produtor, a taxa de multiplicação
está por volta de 1:4, quando, pela cultura in vitro, pode-se estimar que cada
folha venha a produzir, após cinco meses, aproximadamente 200 mudas, independentes
do cultivar utilizado.
A
qualidade da muda produzida in vitro é visivelmente superior à da muda
convencional: as folhas em formação de roseta, bem desenvolvidas, com brilho
mais intenso e coloração verde mais acentuada que na muda comum.
A
propagação de violeta africana através de cultura de tecidos pode utilizar com
êxito explantes a partir de diversas estruturas do vegetal, como o limbo
foliar, pecíolo, pétalas e anteras. U método simples de propagação utiliza
limbo e pecíolo, de folhas sadias previamente lavadas em água corrente.
A
esterilização superficial consta de uma passagem rápida por álcool 70% (cinco
segundos), hipoclorito de cálcio 1% + Tween 20 (2-3 gotas) por dez minutos e
lavagem quatro vezes em água destilada autoclavada.
Após
a desinfecção, cortam-se as folhas e os pecíolos em segmentos de + ou - 1cm,
desprezando-se as bordas danificadas pelos esterilizantes, sendo os exemplares
obtidos inoculados em frascos contendo meio de MURASHIGE & SKOOG (1962)
(MS) + cinetina 0,2mg/I (KIN) e ácido naftalenoacético 0,2mg/I (ANA) e 20g/I de
sacarose (TAKEBAYASHI 1987).
Após
quatro semanas nesse meio de indução à regeneração, os explantes já apresentam
início de brotação, sendo transferidos para 1/2 MS + 6-benzilaminopurina
0,5mg/I (6-BA), Nesse meio, formam tufos com múltiplas brotações passadas
três-quatro semanas.
Em
todos os meios utilizados, os pH deve ser ajustado para 5,7, mantendo-se os
frascos, cobertos com papel alumínio, câmara clara, a 25ºC com 16 horas de
fotoperíodo.
Uma
vez divididos, os brotos são transferidos para estufa, em bandejas contendo uma
mistura de xaxim e vermiculita na proporção de 1:1, umedecida com solução de
adubo foliar NPK:7-6-19, 1g/I.
Decorridas
duas semanas, com as bandejas cobertas com polietileno transparente, a cobertura
e retirada, completando-se a fase de aclimatação sob umidade de decrescente por
mais quatro semanas.
Após
esse período, as mudas, já bem desenvolvidas, com folhas expandidas e
totalmente enraizada, são transferidas para copos plásticos. A partir desse
momento, segue-se o procedimento normal de produção.
As
plantas florescem seis-oito semanas após o transplante para o vaso podendo-se
observar grande uniformidade entre elas.
3.3. Primeiro
transplante
As
mudas obtidas são transplantadas para pequenos recipientes individuais (copos
de plásticos de 6 cm de altura) ou bandejas coletivas. Diversos substratos
podem ser utilizados, desde que sejam leves, de boa drenagem e ricos em matéria
orgânica; usualmente, uma parte da mistura é constituída por terra ou areia.
Nessa
fase inicial, fertilizantes químicos, principalmente fósforo, devem ser
adicionados em pequena concentração na forma solúvel. O substrato empregado
pode ser o mesmo utilizado no transplante definitivo, porém diluído à metade
com material inerte, como pó de xaxim e vermiculita.
A
profundidade de plantio das mudas é idêntica àquela na qual estavam crescendo
no meio de propagação, de modo a evitar encobrir o centro, onde se originam, as
folhas.
As
plantas permanecem nessa fase de desenvolvimento por dois-três meses, em função
da luminosidade e da temperatura, até atingir tamanho suficiente para o
transplante definitivo. Igualmente à fase de produção de mudas, durante os
meses de inverno o desenvolvimento é mais lento e demorado. O ponto do
transplante é determinado pela passagem da planta para a fase adulta, o que é
indicado por alterações em sua estrutura, como encurtamento do pecíolo,
expansão do limbo e início de formação de botões florais.
3.4.
Transplante definitivo
Todo
o ciclo da cultura da violeta-africana deve ser efetuado em ambiente fechado,
protegendo as plantas das intempéries. A irrigação e a qualidade do substrato
devem ser rigorosamente observadas.
3.4.1 Módulo
de produção
Uma
estrutura semelhante a uma estufa, geralmente metálica, de madeira, de concreto
ou mesmo de bambu, deve ser construída para sustentar coberturas plásticas, ou
de fibra de vidro, e telas de sombreamento fixas e, igualmente, uma cobertura
plástica e uma tela de sombreamento removível. Para melhor controle da
temperatura, podem ser instalados exaustores que forcem a circulação do ar.
As
laterais devem ser fechadas, permitindo, porém, sua abertura para possibilitar
a circulação de ar em dias quentes.
No
interior colocam-se os vasos de violeta em bancada com 80 ou 90cm de altura do
solo, de modo a proporcionar maior comodidade aos trabalhadores.
A
bancada pode ser de telha de amianto, ripa de madeira ou grade de ferro,
facilitando o escoamento do excesso de água.
3.4.2.
Condições ambientais
Diferentemente
de outras plantas, a violeta-africana cresce melhor com temperaturas noturnas
elevadas e diurnas mais baixas. Em nosso clima, o estabelecimento dessas
condições é dificilmente conseguido devido à elevação acentuada da temperatura
no período da tarde.
Deve-se
cuidar, sobretudo durante as ondas de frio no inverno, para que a temperatura
noturna não desça abaixo de 21ºC. A diurna pode chegar a 14ºC sem provocar
danos ao desenvolvimento das plantas; abaixo desse nível, há inibição do
florescimento (KIMMINS, 1980). Evitar temperaturas elevadas, acima de 28ºC, que
podem afetar a qualidade das folhas e flores (TEIXEIRA, 1972).
A
intensidade luminosa tem ação direta sobre o estímulo do florescimento,
enquanto o comprimento do dia não apresenta nenhuma influência. A luz solar
jamais deve incidir diretamente sobre as plantas (TEIXEIRA, 1972).
A
intensidade luminosa ideal está entre 10,8 e 11Klux, ocorre a destruição da
clorofila, acarretando clorose nas folhas (KMMINS, 1980).
O
controle de temperatura e luminosidade é conseguido através de camadas
alternadas de tela de sombreamento (a 50%) e de filme plásticos transparente.
Normalmente, durante o inverno, são necessárias duas camadas de filme plástico
transparente e uma tela de sombreamento, para os dias mais ensolarados e, no
verão, o inverso, duas camadas de tela de sombreamento e uma de filme plástico.
Uma opção para o sombreamento pode ser a pintura do filme plástico com tinta
látex branca.
Para
a elevação da temperatura, nos dias mais frios, é necessário o aquecimento do
ar com aquecedores a gás ou queima de carvão vegetal.
O
aquecimento da zona radicular, através de serpentinas de água quente sob os
vasos, também é uma maneira de estimular o crescimento das plantas nos períodos
frios. Esse sistema pode ser até mais econômico em termos de energia, porém
requer um investimento inicial mais significado.
Por
outro lado, a temperatura da raiz pode influenciar os processos de crescimento
da planta (absorção e translocação de nutrientes, crescimento, distribuição de
matéria seca e produção de flores) de maneira mais efetiva que a temperatura
ambiente (VOGELEZANG, 1988).
O
aquecimento das bancadas age também sobre a rapidez do enraizamento das plantas
e início de florescimento, encurtando o tempo de cultivo. A durabilidade das
flores é maior nas plantas cultivadas em ambientes com aquecimento do sistema
radicular.
3.4.3.
Substrato
Para
o transplante definitivo. O substrato deve ser mais rico em nutrientes minerais
que aquele utilizado na fase do desenvolvimento.
Sua
composição pode ser bastante variável segundo a disponibilidade de material na
época e na região em que for instalada a estrutura de produção de
violeta-africana. Para produtores que não empregam fertilizantes na água da
irrigação, a composição da mistura pode ser rica em nutrientes minerais; caso
contrário, deve ser fraca, observando-se para que os elementos a fornecer via
irrigação não atinjam níveis muito elevados e provoquem distúrbios.
Deve-se
verificar, segundo a análise química, os níveis de cada elemento (5):
100 a 200mg/100cm3 de P; 1,30 a 1,60meq/100cm3 de K; pH
em CaCI2 entre 5,5 e 6,0; 10,0 a 15,0 meq/100cm3 de
Mg trocável, 15 a 20% de capacidade de troca catiônica (CTC ou T) e 75-85% de
saturação das bases (v),
No
caso de adubação na água de irrigação, podem-se adicionar 75 ppm igualmente de
nitrog6enio e potássio, lembrando-se, porém, de diminuir sua quantidade no
substrato inicial. Em qualquer situação, quinzenalmente, devem-se aplicar
micronutrientes via foliar.
A
mistura já preparada deve ser pasteurizada, para a prevenção de muitas pragas e
moléstias (WILSON, 1955), tratando-se com vapor d'água por quinze a
vinte minutos.
3.4.4.
Irrigação
A
irrigação, normalmente manual, pode ser feita por aspersão na produção de mudas
e no primeiro transplante. Nos vasos definitivos, deve ser manual, evitando
molhar folhas e flores. É preciso evitar irrigação excessiva, devido à
suscetibilidade das plantas ao encharcamento e à proliferação de fungos de solo
do gênero Pythium que atacam as raízes e rapidamente destrõem a planta
(TOMBOLATO et al., 1987). A temperatura da água de irrigação e das folhas devem
ser semelhantes, pois um diferencial de 8ºC poderá causar-lhes manchas
cloróticas, diminuindo a qualidade visual das plantas. Por esse motivo, deve-se
evitar a irrigação nas horas quentes do dia. É conveniente servir-se de
aquecedor de água para compensar as diferenças da temperatura.
3.5. Controle
de pragas e moléstias
As
principais pragas que atacam a violeta são os ácaros, os tripés e, mais
raramente, as cochonilhas e os pulgões. Tais pragas são facilmente controladas
com pulverizações de inseticidas.
Os
ácaros, dificilmente visíveis a olho nu, provocam o endurecimento da região
central: as folhas novas se tornam mais pilosas, as flores se apresentam
defeituosas e algumas não chegam a abrir-se (WILSON, 1955). Como acaricidas,
podem ser recomendados aqueles à base de Dicofol, Clorobenzilato ou Propargite.
Os
trips são muito pequenos (1-2 mm de comprimento0; alojam-se dentro das flores,
sugando a seiva elaborada e, em conseqüência, diminuindo a durabilidade da
flor. Seu combate pode ser feito com inseticidas sistêmicos, como Acephate ou
Mevinfos.
As
cochonilhas e os pulgões são raros em cultivos comerciais, em ambiente fechados.
As cochonilhas são visíveis a olho nu, branca, de aspecto pulverulento, e se
acumulam na região central da planta, sendo controladas, como os pulgões, com
inseticidas sistêmicos.
As principais
moléstias - podridão das raízes, podridão das flores e oídio - são provocadas
por fungos.
As
raízes podem ser atacadas por fungos do gênero Pythium, capazes destruir
a planta. O melhor método de controle é a pasteurização preventiva do
substrato antes do plantio das mudas, pela passagem de vapor d'água
através do substrato durante quinze-vinte minutos.
Podridões
das pétalas das flores poderão ocorrer em conseqüência do ataque do Botrytis
cinerea, também conhecido como fungo-cinzento. A podridão se inicia
geralmente no centro da flor, destruindo as pétalas e. em estágio mais
avançado, pode atacar as folhas. Esse fungo pode ser problema em condições de
umidade relativa alta. O melhor controle é a rápida eliminação dos focos.
Produtos como Benomyl e Triforine também agem eficazmente em seu controle.
O
oídio se apresenta como pequenas manchas pulverulentas sobre as folhas,
alastrando-se facilmente e acarretando amarelecimento da região atacada e,
consequentemente, necrose. Pode atacar todas as partes tenras da folha,
inclusive o pedúnculo da flor. A principal causa é a má ventilação do ambiente
e o excesso de umidade relativo do ar. Os vasos devem permanecer meio
afastados, de modo a facilitar a aeração.
4.
Comercialização
O
padrão comercial emprega vasos de barro de 12cm de diâmetro, ou de plástico nas
mesmas proporções. Vasos plásticos requerem maiores cuidados a fim de evitar o
encharcamento. Esse tipo de recipiente tem sido preferido por ser mais leve e
limpo, conferindo melhor aspecto ao produto.
Na
comercialização, colocam-se seis vasos, dispostos dois a dois, em uma caixa de
papelão sem tampa.