Cultura viva: a Universidade e a comunidade em sintonia
Especial Congresso Uesb

Foto: Nagual Pardo
Na Uesb, a valorização cultural como forma de promover o conhecimento também foi realizada durante o 1º Congresso Uesb: universidade, ciência e cultura. Ações diversas mostraram a importância de compartilhar conteúdos que rompem com o saber tradicional, mas também contemplam a formação dos estudantes.
A Universidade defende que as experiências culturais e artísticas possibilitam a ampliação dos códigos que produzem sentidos, visão e a capacidade de leitura no indivíduo. Nesse sentido, a proposta é contribuir para que as pessoas reflitam sobre o que lhes cerca. De acordo com a pró-reitora de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa), a professora Adriana Amorim, “quando a gente ensina, seja nas aulas, seja na prática, que esses códigos existem e como eles funcionam, aos poucos, mesmo sem se dar conta, a pessoa vai se emancipando”, pontua Adriana.
A Universidade defende que as experiências culturais possibilitam a ampliação dos códigos que produzem sentidos, a visão e a capacidade de leitura no indivíduo.
A pró-reitora relembra o quanto as mudanças tecnológicas ocorridas nesses primeiros 25 anos do século 21, como as plataformas de áudio e vídeo, impactaram também na área da cultura tanto no acesso quanto na produção cultural. “A gente tem essa democratização no acesso, mesmo diante dos problemas na internet, tem todas as suas vantagens. Possibilita as pessoas lerem mais sobre isso, estudarem sobre isso”, comenta.
Durante o Congresso, o Festival Universitário Intercampi de Cultura e Arte da Uesb (Fuica) teve uma curadoria que propôs integrar a beleza e o rigor estético ao sentido da experiência universitária. Exposições, oficinas, apresentações cênicas e musicais fizeram parte da programação. Estudante de Licenciatura em Teatro, Diego Silveira, roteirizou uma apresentação teatral para o momento. Nela, a discussão girava em torno de refletir o quanto as pessoas se perdem de si ao passo que se deixam influenciar por personalidades da internet. Segundo ele, é importante trazer esse tipo de discussão para que o público, ao visualizar o conhecimento, o debate e as reflexões acontecendo, a experiência seja maximizada.
“As pessoas se sentem atravessadas, elas refletem, pensam ‘aquilo ali é importante. Olha como o conteúdo que a gente poderia estar lendo normalmente está sendo apresentado de uma forma cênica’. É que isso toca, que vai gerar memórias e lembranças de um conhecimento que vai ficar no subconsciente, que logo no seu consciente também vai conseguir debater melhor para poder criar repertório de opinião, de argumentação também nas suas produções acadêmicas”, pontua o aluno.

Foto: Ascom
Cultura atravessa fronteiras – Para além das artes, a cultura de um povo no cotidiano influencia no processo de aprendizado. Como é o caso de Clinzen Fona Cletche, de Guiné-Bissau, atualmente é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Química, campus de Jequié e participa do 1º Congresso Uesb. O aluno relata o quanto as similaridades do país de origem com a Bahia contribui com sua formação, por meio da sensação de pertencimento.
A cor das pessoas, a dança, as comidas e até a forma de recepcionar o faz lembrar de sua cultura. “Cheguei e encontrei pessoas com a mesma cor que eu. Então, isso também me identifica com a cultura. A forma de chegar, de conversar e a simplicidade na alma. Eu falo que o baiano tem um sentimento sem filtro. Portanto, ele chega em um ambiente, conversa com todo mundo e fica de boa com toda a gente. Isso é a mesma coisa que eu vivo lá no meu país”, conta Clinzen.
O africano estuda os metais ruins em amostras de feijões comercializados, por meio de técnicas de análise multivariada. A ideia é que a pesquisa contribua para o controle de qualidade alimentar da leguminosa, tanto no país quanto em Guiné-Bissau. “Eu vou chegar lá implementando tudo o que eu aprendi aqui. Porque eu estou mais focado para essa área de segurança alimentar.”, complementa o mestrando.
Ser brasileiro requer, também, conhecer de sua ancestralidade. Assim propõe o programa de extensão Conexão Quilombos Memória, Identidade, Cultura e Geração de Renda. A ideia é que a Universidade se relacione com os quilombos e associações da agricultura familiar da região de Itapetinga, por meio dos cursos do campus, visando atender demandas que as comunidades quilombolas e agricultura familiar apresentam.
Ser brasileiro requer, também, conhecer sua ancestralidade.
De acordo com o coordenador do Conexão Quilombolas, Luciano Lima, o foco é unir o saber científico e o conhecimento popular. “Por meio de encontros de integração que despertam e deixam os sujeitos dessas comunidades bem à vontade, eles expressam histórias e, dessa forma, a cultura vai aparecendo, a partir de músicas, culinárias, esculturas, trabalhos de pinturas”, pontua. O professor destaca que esse trabalho desenvolvido permite todos evidenciar como a comunidade se expressa no mundo.
O programa busca contribuir com os quilombolas e agricultores familiares com atividades focadas na geração de renda e para a melhoria da capacitação técnica e profissional dessas comunidades, visando assegurar a permanência da juventude na comunidade local. Durante o Congresso, pesquisas realizadas no projeto foram apresentadas na Mostra de Extensão, além disso, fotografias de ações desenvolvidas ao longo de seis anos.
Encerramento – Para encerrar as atividades do Congresso, promovendo um espaço coletivo de cultura, também destacam-se as apresentações musicais do grupo de Maracatu Teiuguaçu, composto por estudantes da Uesb e, também, do musicista Roberto Mendes.
Para Roberto, na universidade se comunga a diversidade e isso é importante para construir uma unidade entre os jovens. Sendo a cultura, defendida por ele, um regra de comportamento, iniciando no que se come e no que se fala. “O homem é um só, mas o que ele come e o que ele fala é o que se difere entre um e outro”, diz Roberto.
O musicista pontua a importância da universidade enxergar a importância de buscar uma unidade nessa mistura. “Ela é fundamental para tirar do Estado essa possibilidade de união e de fusão das variantes que compõem a unidade chamada humanidade”, defende o artista.
