Internacionalização em pauta: Congresso abre espaço para a troca experiências com outros países
Especial Congresso Uesb

Foto: Francisco Schettini
Uma universidade é um espaço de encontro ente cultura, conhecimento, e pessoas. Vindas de diversos lugares, cada contexto de vida promove uma troca rica de saberes e histórias de vida. Pensando nesse aspecto, a internacionalização se consolida como uma ferramenta de pluralização de rostos, idiomas e narrativas de vida dentro da Instituição.
Nesse sentido, o 1º Simpósio Internacional da Arint: Diálogos sem Fronteiras, organizado pela Assessoria de Relações Internacionais (Arint), convidou a comunidade interna e externa a refletir sobre a importância desse processo de internacionalização da Universidade. Reunindo mesas, rodas de conversa e apresentações culturais dedicadas ao assunto, a programação reúne estudantes e representantes de universidades africanas, europeias e latinas.
O Simpósio promove a troca de experiências pessoais, acadêmicas, culturais e profissionais.
Jackson Reis, assessor de Relações Internacionais da Uesb, explica que os principais objetivos do evento são o compartilhamento de saberes; a exposição da produção científica dos alunos; e a confraternização entre os alunos estrangeiros, os convidados e os alunos brasileiros dos três campi, além de “discutir com a comunidade acadêmica diversas ações no campo da internacionalização”. Para isso, o Simpósio promove a troca de experiências pessoais, acadêmicas, culturais e profissionais.
A diversidade de países representados no evento garante que o debate seja amplo e plural. Ao todo, estão presentes representantes de 19 países, dentre eles Moçambique, Timor-Leste, Peru, Colômbia, Espanha e França. No total, estão inscritos 30 alunos estrangeiros, além de convidados especiais de universidades parceiras.

Foto: Julie Hevellyn
África e cultura no centro – Com um público tão diverso, a partilha cultural se tornou central na programação do Simpósio, com diversas apresentações preparadas pelos alunos espalhadas ao longo dos três dias de evento. Os estudantes da pós-graduação Elias Tomás e Domingos Machalele, conduziram um desses momentos. Domingos, que é aluno do curso de Doutorado em Memória: Linguagem e Sociedade da Uesb, conta que, para ele, essa experiência é uma oportunidade para aumentar a curiosidade dos brasileiros em relação aos países africanos e mostrar que “a África também existe, também está na corrida de desenvolvimento, não é uma ilha. A cultura, mais do que tudo, é importante”.
A Uesb também acredita nisso, tendo a meta de firmar 20 convênios com países da África, América Latina e Caribe estabelecida em seu Plano de Desenvolvimento Institucional – o que representa 50% da meta universitária de firmar 40 convênios internacionais. No momento, a instituição já tem 35 convênios firmados e 54% de seus estudantes estrangeiros são provenientes de países africanos.
Manuel Cumboto é angolano e estudante do Mestrado em Educação pela Uesb. Para ele, a aproximação com o continente africano é benéfica para todos os lados: “essa questão da internacionalização das universidades acaba contribuindo bastante, não só na África, mas também nos países onde esses africanos têm estudado”, comenta. Stéphanie Gasse, professora titular da Universidade de Rouen – Normandy da França foi além, afirmando que as parcerias ajudam as universidades a resolverem seus problemas através da troca de experiências. A Universidade de Rouen desenvolve trabalhos com a África Subsaariana e Francófona há mais de 20 anos, e a professora explica que “é uma coisa importante para fortalecer as redes, as parcerias e falar sobre os problemas que a gente encontra e como a gente consegue resolver”.
Experiências de internacionalização – Os esforços se mostram recompensadores quando analisamos as experiências de internacionalização, incluindo um olhar sobre a gestão e o desenvolvimento das equipes que trabalham nos projetos. Monica Candela Sempere, chefe do setor de mobilidade e internacionalização da Universidad Miguel Hernández de Elche da Espanha, aproveitou uma das mesas para compartilhar suas experiências na Universidade onde trabalha e nos programas de intercâmbio desenvolvidos pela Instituição. Para ela, esse momento é fundamental para mostrar “que todo mundo tem a oportunidade de poder sair, de poder realizar uma mobilidade fora deste continente, do Brasil”, comenta.
Maria Pastor Valero, professora da Universidad Miguel Hernández de Elche, acredita que o compartilhamento de experiências é enriquecedor para o aprendizado conjunto: “hoje em dia, temos em comum muitos problemas, e que as soluções vêm também de escutar diferentes perspectivas sobre eles”.
No momento, a Instituição já tem 35 convênios firmados, e 54% de seus estudantes estrangeiros são provenientes de países africanos.
Vivências dos alunos – A experiência dos próprios alunos não é esquecida no evento, que preparou uma roda de conversa especialmente para eles. Manuel conta que vir estudar no Brasil foi uma experiência pessoal enriquecedora: “Aqui, consegui entender o que é ser africano, consegui entender o que as pessoas pensam sobre a África”, comenta. Além disso, o enriquecimento acadêmico também é positivo: “Estou tendo uma formação no Brasil, com um país com maior realce no campo da educação, tão desenvolvido, tão avançado”, finaliza.
Há também um espaço dedicado à produção acadêmica dos estudantes, com o objetivo de mostrar as pesquisas desenvolvidas pelos intercambistas na Uesb. Domingos, que é um dos alunos a apresentar artigos, fala um pouco sobre sua produção. “Na minha área das Línguas, trago essa experiência de como é que nós, africanos, resistimos à colonização linguística. É verdade que em todos os países africanos, onde o colono passou, herdamos a língua, mas as nossas línguas locais não morreram”, comenta.
Momentos de descontração e confraternização entre alunos, servidores, professores e convidados, promovem a troca experiências os participantes podem se divertir em uma roda de samba “Corpos, movimentos e vozes amefricanos”, com direito a comidas típicas de diversos países. Afinal, internacionalizar também é compartilhar o que é nosso, e a roda de samba é um dos grandes ícones da cultura brasileira.
