Vacina e desigualdade
A vacinação contra a Covid-19, em muitos países, começou ainda no final de 2020. No entanto, há uma disparidade na distribuição dos imunizantes entre os países. De acordo com o site da BBC News, os países mais ricos lideram o ranking de vacinação, enquanto que nas nações mais pobres, como, por exemplo, o Sudão, somente 0,2% da população está imunizada contra o vírus.
Essa discrepância acontece devido à desigualdade social global, na qual, os países desenvolvidos possuem mais recursos financeiros, enquanto os países subdesenvolvidos não conseguem aplicar de forma apropriada os seus recursos. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, a desigualdade humana inicia-se na ocasião em que um único indivíduo apropria parte de uma terra e toma posse daquele espaço. A partir desse momento originou o contrato social, que é baseado em um contrato de submissão dos mais fracos com os mais fortes. O que acontece nos dias atuais é análogo à afirmação do filósofo. Os países mais carentes encontram-se em posição submissa, pois dependem das vacinas doadas pelas nações que têm estoque de doses dos imunizantes, como por exemplo os Estados Unidos, que segundo site da VEJA, estocavam milhões de doses da AstraZeneca.
A vacinação contra o novo coronavírus é importante para evitar a transmissão da doença e proteger a população das complicações que a doença pode desencadear, como pneumonia grave, insuficiência respiratória, entre outras sequelas, incluindo a morte. No Brasil, o número de mortes causadas pela Covid-19 já ultrapassou a marca de 400 mil vidas perdidas. A vacinação coletiva é a forma mais eficaz de proteger a todos, mas essa estratégia de saúde coletiva movimenta-se de um jeito lento, principalmente nos países subdesenvolvidos. De acordo com o podcast “Café da manhã”, da Folha de São Paulo, até este momento foram administradas 1,5 bilhão de vacinas pelo mundo. Contudo, os países ricos que possuem somente 15% da população mundial, concentram 45% dos imunizantes. Já os países de média e baixa renda, com quase metade da população mundial, ficaram com apenas 17% dessas doses. Quando analisamos a taxa de pessoas que tomaram pelo menos uma dose da vacina, o índice nos países mais ricos é de um terço da população, enquanto que nos países mais pobres, menos de 1% tomaram a primeira dose dos imunizantes. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a distribuição global das vacinas contra a Covid-19 é um “escândalo de desigualdade que está perpetuando a pandemia”.
Países como Israel, Canadá e Estados Unidos já estão voltando ao novo normal, enquanto países como, por exemplo, Brasil e Índia continuam vivendo com necessidades de restrições rígidas para conter o avanço da pandemia. O adequado seria que toda população mundial estivesse voltando ao seu novo normal, com a finalidade de um equilíbrio na imunidade de todos. Mas não é o que acontece, justamente porque poucos países possuem muitas doses de vacinas e muitos países possuem poucas doses. Todavia, a retomada das atividades nos países desenvolvidos e o avanço do novo coronavírus nos países subdesenvolvidos é preocupante, pois ainda não há estudos que comprovem o período de proteção da vacina. Segundo portal de notícias do G1, a possibilidade de vacinação anual, como acontece com a vacina contra a gripe, não está descartada, mas ainda não existem dados concretos sobre a necessidade dessa imunização a cada 12 meses.
Na assembleia ministerial anual da organização, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, solicitou que os Estados Membros apoiem esforço para vacinar pelo menos 10% da população de todos os países até setembro e que alcancem a meta de pelo menos 30% até o final do ano, diante desse cenário desordenado, é fundamental esse pronunciamento. Ele também comemorou o posicionamento do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao defender a quebra de patentes das vacinas contra a Covid-19, ainda ressaltou que “vários fabricantes disseram que têm capacidade para produzir vacinas se as empresas de origem estiverem dispostas a compartilhar licenças, tecnologia e know-how. Acho difícil entender por que isso ainda não aconteceu”. Para controlar uma pandemia é necessária a colaboração de todos, pois só assim será possível vencer a luta contra a Covid-19.

