Conduta Imperdoável
Insensível, cruel, desumano, egoísta, assassino. Esses adjetivos poderiam caracterizar qualquer grande vilão do cinema. Lorde Voldemort, da famosa saga Harry Potter, está aí para comprovar o que o egoísmo e a antidemocracia são capazes de fazer no mundo. “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. Essa é a vida”, disse o presidente Jair Messias Bolsonaro, sobre a doença da Covid-19, em entrevista. Mas será que ele realmente lamenta? Ao observar a realidade do país e ver dezenas de caixões serem lacrados, constato que não. Essas mortes poderiam ter sido evitadas, por ele mesmo, a autoridade máxima do Brasil. Bolsonaro não lamenta, ele facilita que a morte chegue aos lares brasileiros a cada minuto. Até o dia 21 de maio de 2021, 446 mil mortes em decorrência do novo coronavírus constam nas estatísticas. O egoísmo exacerbado do presidente continua matando, mas não mata a fome, o desemprego, a violência ou a Covid-19. Quem morre nesta história é o brasileiro e com ele, a esperança de um Brasil melhor.
Há quem discorde de que Bolsonaro seja um genocida. Há quem discorde que ele seja egoísta. Há quem acredite que Bolsonaro só faz o que é melhor para o país. Mas há também aqueles que viram os olhos de seus entes queridos fecharem pela última vez. E há certas coisas incontestáveis: um presidente que minimiza uma pandemia, debocha das autoridades de saúde de todo o mundo, sai em passeio de moto provocando aglomeração, recusa a compra de 70 milhões de doses da vacina Pfizer, e veta uso obrigatório de máscara (imprescindível para conter a proliferação do vírus), não está interessado no bem-estar do povo. Alegria, força e vivacidade, eram os adjetivos usados para caracterizar o povo brasileiro. O presidente Jair Bolsonaro lança um Avada Kedavra, uma maldição da morte em tudo o que há de bom, em tudo o que o Brasil tardou para conseguir.
Me pergunto até quando choraremos sobre os corpos de pessoas que foram retiradas de nós à força. Até quando teremos que escolher entre almoçar ou jantar, trabalhar ou viver. Até quando teremos a sombra da morte nos acompanhando cada vez que deixamos a nossa casa. Recentemente, em mais um dos seus ataques à democracia e à liberdade, Jair Bolsonaro afirmou em transmissão ao vivo que se não houver voto impresso em 2022, não terá eleição. Ele não está disposto a deixar o poder. Ele sabe que está dizimando o povo brasileiro. Ele só não lamenta. Para nós, brasileiros, que precisamos colocar comida na mesa e sobreviver dia após dia, os dias de glória como foi cantado por Chorão, estão distantes do país tropical, tudo o que temos neste momento são os dias de luta. Só lamento.

