A escassez de mulheres negras na política do Brasil
No Brasil, cargos políticos em sua grande maioria são ocupados por homens brancos, o que não condiz com a sua população que é formada, em sua maior parte, por pessoas que se autodeclaram negras. De acordo com o (Pnad) Pesquisa Nacional de Domicílios, mulheres negras totalizam menos de 1% na Câmara dos Deputados e somam apenas 2% no Congresso Nacional. Números que nos levam a refletir o porquê desses dados serem tão baixos. Deve haver uma explicação para essa desigualdade de cargos políticos entre homens, mulheres e mulheres negras. O caso da vereadora Marielle Franco que foi assassinada em 2018 e até nos dias atuais continua sem resolução, é um triste exemplo de como políticas negras são tratadas com tanta irrelevância.
Ainda persiste uma ideia arcaica na opinião de parte da população brasileira de que lugar de mulher não é na política. Isso implica diretamente no cenário de representação de minorias em cargos políticos, uma vez que, se o candidato for uma mulher negra a possibilidade dela se eleger é menor do que uma mulher branca ou um homem. As chances de uma mulher negra entrar para o âmbito político em si já uma trajetória árdua, em vista que na cadeia de privilégios mulheres negras se encontram na base, abaixo de homens brancos, mulheres brancas e homens negros. Uma mulher negra na política tem que trabalhar muito mais para ter o mínimo de reconhecimento.
Em 2009, foi criada a lei n° 9.504/1997, que determina que 30% das vagas dos partidos sejam ocupadas por mulheres, se a lei está em vigor ela tem que ser comprida. Entretanto, persistem ações que infringem a lei. Ao invés de financiar mulheres para que elas possam dar seguimento às suas candidaturas, os partidos criam candidatas fantasmas e assim “cumprem” os 30% exigidos, mas na realidade é só mais um crime de corrupção no nosso cenário político, o que interfere na inserção de mulheres negras na política.
No livro Sejamos todos feministas de Chimamanda Ngozi, ela cita que quanto mais chegamos perto do topo menos mulheres negras encontramos. Uma pesquisa realizada pelah consultoria Indique Uma Preta, aponta que mulheres negras ocupam apenas 8% de cargos de liderança no mercado de trabalho. É uma triste realidade que reflete uma sociedade machista e racista. Pessoas negras são vítimas de racismo e por conta disso são impedidas de exercer as mesmas funções de uma pessoa branca. Mulheres negras são vítimas de um sistema já corrompido por um julgamento que inviabiliza pessoas pretas e prejudica de inúmeras formas todo o povo preto que vem sofrendo com esses estigmas há mais de 300 anos. A falta de mulheres negras na política está muito além do machismo. Mulheres negras no poder incomodam. Há pessoas que não aceitam ver mulheres em geral ocupando cargos que em sua esmagadora maioria seriam ocupados por homens.
Como vou ter minhas necessidades atendidas, enquanto mulher negra, se o cenário político é em sua maioria tomado por homens brancos? Uma vez que eu consiga me identificar com uma candidata que saiba como as mulheres negras são afetadas por uma sociedade machista e racista, nós conseguimos traçar um caminho para evolução. Onde mulheres negras possam ocupar cargos de maiores patentes e que consigam fazer a diferença sem ter medo de ser brutalmente assassinadas. E assim realizando as diferenças e atendendo as necessidade das minorias que são tão ignoradas pelo sistema político brasileiro.

