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Democracia ilusória

A ilusão sobre a existência da democracia no Brasil

Jair Bolsonaro, atual presidente do Brasil, manifestou por várias vezes nessas últimas semanas (06/05) o seu desejo pela volta dos votos impressos nas eleições. Ele afirma que só por meio desta decisão teremos uma democracia verdadeira, sem fraudes. No domingo (09/05) o presidente separou uma parte de seu discurso de dia das mães para falar em defesa do voto impresso novamente. “Ganhe quem ganhar, mas na certeza, não na suspeição da fraude. Não podemos admitir isso porque o voto é a essência da democracia”. Selecionei esse trecho de seu discurso, que foi o que mais me trouxe questionamentos: que democracia é essa proclamada pelo chefe executivo da República?

Sabemos que a eleição, mais precisamente o voto, é conhecida pela sociedade como o período de democracia social, em que por meio da escolha da maioria da população é dado a certo candidato o poder de comandar de frente a gestão do país. Mas para votar de forma consciente é necessário conhecimento sobre a política do país, as causas e consequências de cada decisão tomada pelos governantes. Afinal, uma democracia em que se conhece somente as partes que conseguem ser divulgadas, filtrando a mídia da maioria dos acontecimentos e negligenciando o trabalho da imprensa no âmbito político não é uma democracia de verdade. É somente uma falsa democracia gerada pela falta de conhecimento sobre as situações que cercam o país. E infelizmente não será a volta do voto impresso que mudará essa situação atual no Brasil, muito menos irá trazer a essência da democracia.

O tema implícito da democracia ilusória que agrega a omissão de informações faz vínculo com outro tema bastante conhecido, a censura. Essa, nos dias atuais, se faz mais presente do que se imagina e de maneira cada vez mais explícita, não somente no campo informativo, mas no meio artístico e cultural também. Como exemplo, tem uma notícia que repercutiu internacionalmente, em que Bolsonaro propaga filtro para o cinema, onde ele quer que passe pela averiguação minuciosa do governo as produções cinematográficas, sendo feita a seleção do que se deve ou não passar nas telas do cinema. De acordo com o portal G1-notícias, publicado em 19 de julho de 2019: o presidente Jair Bolsonaro afirmou que se o governo não puder impor algum filtro nas produções audiovisuais brasileiras, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), ele extinguirá a agência. “Vai ter um filtro sim. Já que é um órgão federal, se não puder ter filtro nós extinguiremos a Ancine(…)”, afirmou o presidente após participar de uma solenidade em comemoração ao Dia Nacional do Futebol, na sexta-feira (19/07). O até então prefeito de São Paulo, Bruno Covas fez questão de enfatizar em um de seus discursos políticos sua opinião sobre a fala do presidente. “Em São Paulo não haverá filtros em conteúdos de artistas” e concluiu, “O nome disso na verdade é censura”. Esta fala de Bruno Covas percorreu a minha mente desde que ouvi pela primeira vez, só então compreendi que a censura se mantinha presente no Brasil de maneira subentendida.

A essência da democracia defendida pelo presidente da república, me fizeram compreender o título de um filme brasileiro indicado ao Oscar, produzido pela cineasta Petra Costa, “Democracia em vertigem”. Realmente a democracia brasileira é uma espécie de ilusão do movimento, sem equilíbrio, desnorteada pela tontura das próprias ações.

Samilly Almeida
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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