Ineficácia do teste rápido para Covid-19
por: Helena Assis

A entrevistada, Valdimery Assis da Silva, fala sobre o teste rápido para Covid-19: “Não é totalmente eficaz”. Foto: Delsuc Bezerra Trindade
Com o constante avanço da pandemia de Covid-19 no Brasil, surgem dúvidas em relação à eficácia dos testes realizados no país. O teste rápido, por sua vez, tem sido muito utilizado, já que apresenta o resultado em poucos minutos e é uma opção mais barata em relação aos outros tipos de teste. Ele avalia o sangue do paciente com um reagente, que mostra duas faixas coloridas caso o indivíduo possua anticorpos para Covid. Porém, apesar dos benefícios, esse tipo de exame não é plenamente aceito entre os especialistas, visto que mesmo após duas semanas de infecção, período em que o teste é indicado a ser feito, ele apresenta 30% de possibilidade de erro.
O Conselho Nacional de Saúde afirma que os testes rápidos não possuem finalidade confirmatória, porque têm limites de detecção. Dessa maneira, resultados negativos não excluem a presença do novo coronavírus e resultados positivos não devem ser usados como evidência de infecção. Contudo, os hospitais do Brasil continuam usando o teste rápido como forma de diagnóstico 100% eficaz, contrariando essas orientações.
Valdimery Assis da Silva é uma das muitas pessoas que receberam um diagnóstico incorreto pelo teste rápido da Covid-19. A aposentada, de 56 anos de idade, precisou realizar o exame para fazer uma cirurgia, em agosto de 2020, e recebeu um falso resultado positivo. Em decorrência desse diagnóstico incorreto, Valdimery foi alocada na ala dos infectados por Covid no hospital, sendo perigosamente exposta ao vírus.
EXTRA!Ordinário: Por que você precisou realizar o teste para Covid-19?
Valdimery Assis da Silva: Porque eu precisei fazer uma cirurgia e era necessário o teste. Caso eu estivesse com Covid, eu iria fazer o procedimento convencional, se não, eu faria a laser. Então eles fizeram o teste rápido e deu positivo.
EXTRA!Ordinário: E o que você sentiu ao receber o diagnóstico positivo?
Valdimery: Foi uma mistura de sentimentos porque quem veio trazer a notícia foi Alex [meu genro] e Leandro [meu filho]. Eles chegaram até mim, com a cara de assustados, e disseram que o teste deu positivo. Já no momento eu fiquei sem saber o que fazer, mas depois eu fui refletir, porque eu estava na quarentena, eu não saía para lugar nenhum. As pessoas aqui dentro de casa, também não saíram para lugar nenhum. Pensei, “não é possível”. E quando Leandro e Alex foram questionar com o médico, ele disse que não tinha como não ser, ainda chamou outro médico para confirmar. Ele afirmou que o teste rápido não tinha erro.
EXTRA!Ordinário: Então você estava com dúvidas, em relação a estar com a doença?
Valdimery: Não, não foi dúvida. Eu tinha certeza que eu não estava. Só que você está ali, vulnerável, porque teria que fazer uma cirurgia.
EXTRA!Ordinário: Então, você acha que esse diagnóstico positivo para Covid, te deixou abalada para fazer a cirurgia e também durante o processo de recuperação?
Valdimery: Sim, fiquei muito abalada. Quando eu acordei, eu fiquei procurando ar. No momento que eu fiquei ali na cirurgia eu acho que o meu consciente ficou pensando no resultado do teste. Quando a enfermeira chegou no meu ouvido, ela disse para mim, “ocorreu tudo bem”, só que aí eu tive uma crise de pânico. Eu tremia muito e ficava como se eu tivesse com falta de ar, mas eu não estava com falta de ar, foi meu psicológico. Abalou o meu psicológico.
EXTRA!Ordinário: E a quarentena obrigatória, por conta do coronavírus, você cumpriu? Como foi?
Valdimery: Fiquei sim, 14 dias. Sem dormir direito, sem me alimentar. Foram dias terríveis.
EXTRA!Ordinário: Como foram seus dias na ala dos infectados?
Valdimery: Era durante a noite inteira os idosos gritando como se estivessem pedindo socorro. Eu tive um problema sério porque a minha pressão subiu, e o açúcar também, porque eu não dormia com os gritos deles.
EXTRA!Ordinário: Como você já estava desconfiada que não estava com a doença e que tinha sido exposta de maneira errônea ao vírus no hospital, você realizou um novo teste?
Valdimery: Sim, depois de 14 dias eu fiz outro teste e deu negativo.
EXTRA!Ordinário: Após passar por toda essa situação, você tomou alguma providência jurídica?
Valdimery: Com certeza! Porque aí eles não vão fazer com outra pessoa. Quando eu procurei a advogada, ela disse para eu fazer outro teste, o de contraprova. 15 dias depois, eu fiz outro teste, em outro laboratório, o resultado foi o mesmo, negativo. Os dois testes que eu fiz, deram resultado negativo.
EXTRA!Ordinário: Como está o andamento do processo na Justiça?
Valdimery: Como estamos em pandemia, está tendo muita demora porque as audiências são por videoconferências. Tem seis meses que a advogada entrou com o processo contra o hospital, então agora estamos esperando. Mas ela disse que ainda no mês de abril iam marcar a audiência.

