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Publicitário Daniel Nunes conta como é trabalhar no ramo da Publicidade e sua perspectiva para o futuro dessa área

por: Iuri Brito

Foto do entrevistado Daniel Nunes em um fundo preto, no seu ambiente de trabalho. Foto: Danilo Nunes.

 

A propaganda está inserida em nossas vidas de várias formas, em um modelo de sociedade liberal de consumo. É uma área de extrema relevância para a construção das imagens de pequenas e grandes marcas. É notável que tanto o público consumidor como boa parte das empresas não tem noção do processo de trabalho por trás de uma campanha publicitária e como a publicidade impacta em suas vidas. Com o surgimento de mídias não tradicionais como é o caso das redes sociais, muito precisa ainda ser explorado para que marcas alcancem públicos maiores.

Daniel Nunes trabalha no ramo da publicidade desde 2016 e hoje comanda uma agência premiada internacionalmente no concurso Prêmio Lusófonos de Criatividade, voltada para o mercado publicitário de países de Língua Portuguesa, na categoria “Campanha para Redes Sociais”.  A empresa de Daniel trabalha com empresas localizadas dentro e fora de Vitória da Conquista – BA e cada vez mais ganha espaço no mercado publicitário local. Nesta entrevista, o publicitário nos contará sobre sua trajetória na publicidade e os rumos desse mercado para o futuro.

 

EXTRA!Ordinário: Como foi seu início na área da publicidade aqui em Vitória da Conquista?

Daniel Nunes – A minha formação é em cinema e meu curso é bem específico por ele ter ênfase em documentário, mas na verdade publicidade é uma coisa que eu gosto desde pequeno, quando naquela época eu preferia assistir aos comerciais do que os filmes. Quando eu era mais novo eu achava que ser publicitário era dirigir aqueles carros de som que passavam na rua. Então a minha meta seria essa, até eu entender o que a publicidade é de fato. Quando eu tive a oportunidade de fazer um intercâmbio em Barcelona pelo Ciência sem Fronteiras, peguei algumas matérias de publicidade e propaganda o que me despertou a minha vontade de infância, que era ser publicitário.

 

EXTRA!Ordinário: Sobre a sua formação em Cinema, você acha que isso te atrapalhou ou te ajudou na hora de trabalhar com publicidade?

Daniel Nunes – Ela me ajudou a ter uma noção diferente na verdade. Como eu tinha dito antes eu gostava de comerciais e a forma mais fácil para dirigir um comercial é primeiramente ter noção com o audiovisual. Então eu até passei para o vestibular para publicidade e propaganda na FTC de Salvador – BA e na época eu não fui por que era muito caro pra mim. Minha família não tinha condições de bancar minha estadia lá. Para ser contratado em uma agência no primeiro semestre de curso você precisa ser um gênio, e naquela época eu não era, até hoje eu não sou na verdade. Mas por exemplo, hoje nós ganhamos o prêmio Lusófonos na categoria de rede social, e nessa categoria nós usamos quatro esquetes de vídeo com vários personagens para uma loja de informática. Em nenhum momento nós vendemos nenhum serviço da loja, nós falamos sobre tudo o que eles poderiam prover para um cliente em forma de humor, trazendo as necessidades que pessoas comuns têm com a informática durante o período pandêmico. O importante foi ter uma equipe que entendia o que eu queria e nisso você aprende a trabalhar com um time, ninguém consegue ser gênio sozinho em nenhuma área e a equipe que a gente tem aqui, por menor que ela seja, é muito criativa.

 

EXTRA!Ordinário: De acordo com minhas pesquisas, boa parte dos seus clientes são empresas locais. Você acha que esses clientes tanto os que estão hoje quanto os que já trabalharam com você, valorizam o trabalho de uma agência e tem noção do que vocês fazem?

Daniel Nunes –  Hoje a maioria dos nossos clientes são locais. Hoje o cliente mais distante que temos está em Jequié – BA. Eu acho que o problema não é nem a valorização, mas sim a educação. Para as pessoas valorizarem alguma coisa elas precisam entender o que é. A gente precisa entender quais lugares nós precisamos estar, onde a gente vai ser valorizado. Então o que a gente precisa mesmo são de clientes que realmente entendam o que a gente faz, até porque já passou clientes aqui que não entendia o que a gente fazia, e esses clientes precisam ser demitidos na mesma velocidade em que são admitidos. Regionalmente a gente tem uma certa dificuldade com publicidade e as pessoas tendem a não valorizar aquilo que elas não entendem.

 

EXTRA!Ordinário: E você acha que o mercado de trabalho está favorável para quem trabalha com publicidade?

Daniel Nunes – Eu acho que o mercado mundial está favorável para todo mundo. Hoje em dia para trabalhar em empresas como a Apple e o Google você não precisa mais de um diploma, você precisa resolver problemas. Na verdade, desde que o mundo é mundo, quem está empregado é quem resolve problema. Na publicidade a gente faz isso e se os empresários soubessem fazer eles não contratariam a gente. Com a pandemia, houve um aceleramento desse mundo digital, então o churrasquinho da esquina que só era vendido na esquina, hoje pode ser vendido pelo Instagram. Então a área da comunicação acelerou muito hoje em dia, até mesmo nós podemos atender clientes do mundo inteiro. Tem pessoas aqui em vitória da Conquista que presta serviço para o Brasil inteiro e tem comerciais em São Paulo que são rodados para grandes marcas que boa parte da edição acontece em Vitória da Conquista. Então o mercado é muito amplo, se você consegue resolver algum desses problemas e tem qualidade naquilo que você faz, você não vai ter o emprego, mas você vai ter muito trabalho.

 

EXTRA!Ordinário: Essa é nossa última pergunta para encerrar: a publicidade é uma área mutável e eu queria saber o que você espera dela para o futuro com as novas ferramentas digitais disponíveis para o mercado?

Daniel Nunes – Eu espero que ela seja menos invasiva. Quando você entra no Google e faz uma pesquisa você fornece dados e esses dados são vendidos. Conhecimento e informação sempre foram uma mina de dinheiro e nós tivemos até problemas políticos no mundo com isso. Com essas vendas de dados você consegue saber quem é o candidato que vai ganhar a eleição por exemplo. Eu não posso esperar que a publicidade seja mais humana, a função dela nunca foi tornar o mundo igual, ou mais humano. Ela sempre teve a função de vender um produto. Com isso nós conseguimos trabalhar com outras coisas como exemplo levantar causas sociais, mas ainda é um trabalho muito pequeno da publicidade, mesmo ela tendo esse poder. 

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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