Uma ajuda voluntária: de estudantes para estudantes
por: Joanderson Santos

Giovana é uma das fundadoras do projeto online, We Around The World WAW (“Nós ao redor do mundo”) e foi nossa porta-voz para falar sobre este projeto humano e voluntário, que ajuda estudantes de todo o país. Foto: Julia Mei.
Falar sobre educação de língua estrangeira no Brasil costuma ser um tema silenciado pela falta de acesso a informações confiáveis. O percentual de estudantes que querem fazer uma graduação no exterior cresce a cada novo ciclo concluído dentro do ensino médio, nas escolas brasileiras. Apesar disso, a falta de informações gratuitas e de qualidade sobre os trâmites para o intercâmbio é um impeditivo.
Com isso, foi criado um projeto, We Around The World (WAW) (tradução: “Nós ao redor do mundo”), criado por estudantes de cursos diversos, em São Paulo, com propósito em espalhar para todo o país. Os membros do projeto ajudam estudantes que querem ingressar no ensino fora do Brasil, mas que não conseguem. O projeto oferece dados atualizados sobre intercâmbio e a prova de aplicação para ingressar numa universidade, sendo 100% gratuito pelas mídias sociais, para tirar dúvidas de forma rápida, fácil e com credibilidade. Como também possui consultoria online para aqueles que querem estar mais avançado e preparado para conseguir uma bolsa de intercambio.
Nossa entrevistada, Giovana Sigolo, 19 anos, professora de inglês e CCO- Chief Communications Officer (Diretora de comunicação do projeto WAW) nos ajudou a entender melhor sobre sua criação do WAW. A principal intenção dessa entrevista é para que possa ser transmitida a funcionalidade do projeto e sua importância dentro do meio da educação da língua estrangeira.
EXTRA!Ordinário: Giovana, como surgiu a We Around The World e qual foi a inspiração para a sua criação?
Giovana Sigolo – A WAW surgiu com uma reunião entre seis amigos. Nos falamos que precisava fazer algum projeto em conjunto. O Instagram estava começando a crescer nessa área, não era mais uma rede só para fotos. Com a chegada da pandemia, ela começou a ser muito mais que uma rede de divulgação, então falamos: “vamos entrar no mundo do Instagram e ver o que vem com isso”. A inspiração para a criação da WAW veio de criadores de conteúdo que moram fora do país, que compartilham no dia a dia e mostram para as pessoas que, estudar fora é uma possibilidade, algo real, e essa com certeza foi a nossa maior inspiração.
Por exemplo, a Júlia Alves, ela mora nos Estados Unidos, ela fez a University of Tampa; o Maicon César que fez Tufts University, ele é um homem que veio de uma comunidade mais pobre e teve uma história comum para a maioria dos brasileiros e conseguiu chegar aonde ele está.
A gente teve contato com pessoas de fora durante a nossa application (Tradução: “Aplicação”)[ Prova para ingressar em universidades norte-americana] com alunos de todo o mundo, então, alunos da Coreia, da Itália, de Harvard, mostrando para nós que é possível chegar no mesmo nível e conseguir um bom intercambio. Foi o que nos motivou e inspirou a criar o projeto.
EXTRA!Ordinário: Qual o propósito inicial deste projeto e quais foram os motivos?
Giovana Sigolo – O nosso propósito inicial sempre foi dar informação para aquelas pessoas que não tinham acesso. Achar informações sobre o processo da application (Tradução: “Aplicação”) [Prova para ingressar em universidades norte-americana] para os Estados Unidos é algo que você consegue achar, mas tem muitos termos que fica impossível para entender. Em questões técnicas é muito difícil. A recomendação do que você realmente tem que fazer e o que você não precisa fazer, queríamos divulgar para as pessoas, compartilhar para que, na prática, eles conseguissem também. Então, fizemos nossa application (Tradução: “Aplicação”) [Prova para ingressar em universidades norte-americana] , no qual nós prestamos o vestibular e decidimos a partir daí que estávamos aptos de conhecimento para abrir o projeto.
Nossos motivos foram justamente pela falta de informação. Quando se pesquisa alguma coisa, por exemplo, o que significa tal termo, o que é tal coisa para a prova de intercâmbio, era muito difícil achar, porque a informação é muito escassa e as pessoas que estavam com a gente nos auxiliando, professores e estudantes da área, não estavam mais atualizados para ajudar, eles já tinham feito o vestibular faziam anos, então não sabiam como era o processo naquele momento, então, tivemos que descobrir muita coisa na marra, isso foi a alavanca inicial que a gente precisou. Depois isso, criamos WAW e começamos distribuir informações no Instagram sobre cada processo para ser intercambista.
EXTRA!Ordinário: Qual a diferença entre o WAW para as outras fontes de informações já existentes?
Giovana Sigolo – O principal ponto da WAW é justamente focar mais no voluntário do que na parte da consultoria, apesar que trabalhamos com os dois atualmente. O nosso diferencial é que são pessoas que viveram o processo do vestibular recentemente e que conseguiram ter resultados com esse processo. Fazemos publicações no Instagram e em outras redes sobre pontos interessantes e importantes, caso o aluno tenha interesse em continuar e se aprofundar em conseguir uma bolsa, temos nossa consultoria personalizada só para ele. Cada uma das pessoas que aplicava a consultoria na WAW é especializada em um setor específico, as pessoas garantiam a consultoria de professores especializados no assunto desejado.
Eu que já era professora de inglês, me especializei na área geral de consultoria para auxiliar da melhor forma possível e comecei a dar consultoria só para isso. Estamos todos os dias atualizando sobre cada ponto que possa mudar nessa área de intercambio e na aplicação da prova, focando na parte voluntária. Nosso time é composto por pessoas aptas e especializadas que abraçaram a causa e estão buscando novas informações e atualizações para serem repassadas para aqueles querem entender, mas que possuem dificuldade, como foi o nosso caso no começo desse processo.
EXTRA!Ordinário: Em sua opinião, qual sua visão sobre esses intercambistas que querem conseguir seu lugar no mundo?
Giovana Sigolo – Olha, precisamos entender que não é fácil, mas não é impossível, nem sempre é o que a gente está procurando também, as pessoas focam muito no querer estudar fora, mas precisamos ter consciência de que é um processo complicado, muitas vezes não vai ter bolsa para você, muitas vezes por uma questão você não vai ser considerado, e outro vai, ter noção do que você está fazendo. As pessoas precisam quebrar essa barreira do sonho encantado, esse sonho imaginável que a gente tem desde criança não é tão simples assim, precisamos ser sim realistas, mas tendo foco e as informações necessárias, é possível.
Temos que melhorar o ponto de ser um pouco mais cuidadoso nas decisões que você faz com o seu futuro, não é uma decisão simples, não é a mesma coisa que estudar todos os anos de sua vida do ensino médio, fazer cursinho para entrar em medicina e depois saem, você realmente tem que saber o que você está fazendo, ter carinho com o seu futuro. Ser intercambista é conseguir um olhar gigante do mundo que não conhecemos, é uma oportunidade única e só sua, por isso criamos a WAW, para auxiliar os aqueles que querem realizar tudo isso. Então, meu conselho é ter dedicação e pé no chão para que possa dar certo.

