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A Bahia queima

Faltando apenas três meses para fechar o ano de 2022, a Bahia já registrou mais focos de incêndio de janeiro a setembro do que em todo o ano de 2021. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) já registrou, até o dia 24 de setembro deste ano, mais de 50 mil focos ativos no estado, já ultrapassando os 49.829 do ano anterior.

Com a chegada dos meses mais quentes do ano, o desconforto tão notado pelas pessoas não é apenas sentido pela população. A fauna e a flora também sofrem grandes consequências decorrentes da baixa umidade presente nesse período. Em 2020, segundo o G1, as regiões oeste e sudoeste da Bahia registraram no último trimestre do ano uma umidade relativa do ar chegando a 12%, um índice que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera desértico. Por conta dessas características não mais tão singulares para o período mais quente do ano, o número de incêndios na Caatinga aumenta, trazendo outras tantas consequências para todo o ecossistema local.

Apesar das pesquisas apontadas pelo INPE mostrarem o aumento crescente das queimadas na região Norte e Nordeste, grande parte da população se mantém crendo que não será afetada pelas consequências causadas pelo fogo. Problemas respiratórios, temperaturas mais altas, o tempo mais seco, perde de vegetação local, entre outras, são consequências recorrentes de queimadas florestais.

Em entrevista ao Jornal Correio, o geógrafo Valney Dias Rigonato, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), afirma que o crescente número de incêndios florestais tem se dado principalmente pelo aumento das temperaturas e do efeito estufa. O desequilíbrio ambiental afeta cada canto do planeta, até mesmo aqueles que insistimos em não ver, mas que compõem nossa região.

Em 2020 foi registrado um incêndio na Chapada Diamantina, próximo a região de Mucugê e Andaraí, que se iniciou por volta do dia 06 de setembro desse mesmo ano e que tomou uma proporção que afetou as regiões de Capa Bode e o Parque Nacional da Chapada Diamantina. Já em 2021 foram registrados incêndios em Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, norte da Bahia, que duraram 17 dias e atingiram cerca de 2 mil hectares, comprometendo a vegetação local e matando diversos animais da região.

As queimadas na Bahia têm crescido anualmente e a população, em sua grande maioria, não toma nota sobre esses pequenos acontecimentos. O fogo só se torna notícia quando ele toma proporções gigantescas, fazendo com que a população volte sua atenção por alguns minutos para o noticiário. Atenção essa, que deveria ser dada constantemente, visto que o fogo na verdade não queima longe, mas sim em nossos quintais.

Liss Tauane e Rodrigo Azevedo
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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