A falsa revolução eco-industrial e o desgaste ambiental proveniente dela
Dados fornecidos pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos são assustadores, foi relatado que o Brasil produz mais de 82 mil toneladas de lixo por ano, sendo que dentre elas apenas 2% são reciclados. É importante ressaltar também que o relatório publicado pelo Plano Nacional traz consigo as metas e propostas de redução e solução desta problemática. O texto publicado divulgou que tem como objetivo reciclar pelo menos 14% de todo o lixo acumulado pelo país. E que em 2040 quase metade destes resíduos já devem estar sendo reciclados, tratados e até mesmo transformados em recursos energéticos mais econômicos.
Mas, enquanto estes planos de ação não entram em prática, o que deve ser feito com todo este lixo anualmente produzido para que ele gere menos impacto ambiental, é uma dúvida frequente de muitos cidadãos. A incerteza fica ainda maior depois que um estudo da ONU de 2019 revelou que a produção de roupas e outros produtos de moda duplicou entre os anos 2000 e 2014. Apontando que a indústria de moda é responsável por 20% do desperdício de água no mundo e gerador de 8% dos gases do efeito estufa.
Com os dados expostos, uma tendência entre as marcas foi lançada e muitas passaram a se conscientizar, se reinventar e se tornarem mais sustentáveis. Porém, para algumas, esta tendência não passa de uma mentira. O Greenwashing (Lavagem verde em tradução literal) enganou e engana muitos consumidores que tentam de verdade se reeducar ecologicamente. Não só no mundo da moda, o Greenwashing tomou conta de prateleiras de supermercados e outras diversas maneiras de propaganda.
Esta jogada de marketing nada mais é do que uma maneira de uma empresa se passar por sustentável, com o intuito de ganhar e ou permanecer com seus clientes, sem arcar com custos de responsabilidade ambiental. A estratégia pode variar, como por exemplo, uma coleção de produtos cujos rótulos têm estampados selos originais de campanhas sustentáveis, como eco-friendly (amigo do meio ambiente) ou free animal cruelty (sem crueldade animal) mas sem comprovação ou garantia disso. E, até mesmo, escândalos maiores como o caso da famosa empresa automobilística Volkswagen, que falsificou resultados de emissões de poluentes em motores a diesel de sua fabricação.
Devido a este e outros escândalos e enganações, o Greenwashing passou a ser considerado crime, segundo a Lei nº 9.605/98: empresas que façam uso de propagandas sobre sustentabilidade ambiental em seus produtos ou serviços têm a obrigação de explicarem-na a partir dos rótulos dos produtos e do material de publicidade. Apesar das sanções legislativas tomadas, ainda é possível encontrar marcas e empresas governamentais ou não praticando esta armadilha.
Entretanto, antes mesmo de divulgados os dados da ONU em 2019, algumas empresas já tinham esta visão consciente e refletiam isso em seus produtos e propagandas. Como exemplo, a indústria brasileira de calçados Melissa. A empresa faz parte da campanha Fashion Revolution (Revolução da Moda), um movimento global que conecta designers, líderes, makers (criadores), acadêmicos e fashion lovers (amantes da moda) que estão sempre ligados em questões ambientais. Além de que seus produtos são inteiramente sustentáveis, recicláveis e veganos. A marca também participa da campanha Índice de Transparência Modal. Para mais informações sobre a marca, acesse o site.
Em decorrência desta necessidade de um olhar mais atento ao meio ambiente e procura por mudança, empresas e indústrias, sejam elas modais, alimentícias ou outras, vêm tentando de fato se reinventar e buscar formas alternativas de produção mais sustentáveis. Mudanças estas que devem ir além do que já é proposto ou determinadas por lei – como a troca de canudos plásticos por de papel ou biodegradáveis feita pela Nestlé. Outro exemplo a ser seguido é da indústria alimentícia Aurora Alimentos que já recebeu o Prêmio de Sustentabilidade com o projeto Tampinha Voluntária, uma campanha interna de coleta de tampinhas de plástico pelos próprios empregados da cooperativa.
Logo, ressalvando tudo o que foi citado e exemplificado, nota-se que é possível estabelecer uma relação de consumo, lucro e venda de empresas e indústrias com maior equilíbrio e sustentabilidade com o meio ambiente, quando adotado este estilo de vida.

