Queimadas na Chapada Diamantina ameaçam o ecossistema
Os incêndios na região da Chapada Diamantina (BA) são recorrentes em determinada época, todos os anos. Geralmente, no período entre os meses de setembro e novembro, quando há menos chuva na região, o solo fica muito seco e, por vezes, chega a pegar fogo sozinho, alastrando-se rapidamente. Em outras vezes, o fogo pode ser criminoso, gerado pelas queimadas em fazendas próximas ao Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e a outros locais de preservação ambiental.
O bioma da Chapada é importantíssimo para o ecossistema. De acordo com o site Ibicoara Chapada Diamantina, lá se encontram várias espécies de animais, como: tamanduá bandeira, tatu canastra, mico, macaco prego, gato selvagem, capivara, quati, luís caixeiro (porco-espinho ou ouriço caixeiro), cutia, paca, onça-pintada, arara, curió, e inúmeros tipos de répteis. As serras, em determinadas áreas, oferecem sustento a jaguatiricas, onças, mocós, veados, teiús e seriemas. Algumas destas espécies estão ameaçadas de extinção. Também são catalogadas mais de 50 espécies de orquídeas e cerca de 50 espécies de aves, que são de um valor incalculável ao patrimônio natural brasileiro.
A Chapada Diamantina é uma região da Bahia que agrega os municípios de Abaíra, Andaraí, Barra da Estiva, Ibitiara, Iramaia, Itaetê, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Novo Horizonte, Palmeiras, Rio de Contas, Ruy Barbosa, Seabra, Souto Soares, Tapiramutá, Utinga, Wagner, Boninal, Bonito, Ibicoara, Iraporanga, Jussiape, Lençóis, Mucugê, Nova Redenção, Piatã e Jacobina. O Parque Nacional da Chapada Diamantina possui 152 mil hectares de área distribuídos por sete destas cidades.
Em setembro de 2022, no início do mês, um incêndio de grandes proporções tomou conta da Serra do Barbado, entre os municípios de Piatã e Rio do Pires. De acordo com uma matéria do G1 Bahia, o fogo se alastrou por uma área de proteção ambiental, onde são abrigadas nascentes e vegetação característica da caatinga e do cerrado, o site destacou que o fogo se alastrou rapidamente por conta do período de seca e das altas temperaturas. Também no mês de setembro, dia 28, focos de incêndio foram registrados em localidades próximas às cidades de Ibicoara, Mucugê e Palmeiras. De acordo com o site Sociedade, o corpo de bombeiros, juntamente a brigadistas e ao Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), fez o controle dos focos na madrugada do dia primeiro de outubro.
Em outubro de 2020, um incêndio que começou às margens da rodovia BA-142 que liga os municípios de Andaraí e Mucugê, tomou proporções gigantescas em uma área que estava preservada há cerca de 20 anos. Na época, quem passava pela rodovia se assustava com as chamas e com a fumaça que tomavam conta do cenário. Por todos os lados, corpo de bombeiros, brigadistas e aviões do Graer tentavam controlar as chamas. Na noite do dia 10 de outubro, a chuva amenizou a situação, fazendo com que no dia seguinte, o incêndio fosse totalmente controlado, segundo o corpo de bombeiros.
Os incêndios também atingem municípios vizinhos à Chapada Diamantina e chegam às áreas de proteção ambiental. Em outubro de 2021, foi registrado um incêndio de grande proporção no município de Miguel Calmon, vizinho a Jacobina, e atingiu o Parque Estadual Sete Passagens, destruindo uma área de 650 hectares.
A Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL) cobra do governo municipal medidas efetivas no combate e na prevenção dos incêndios florestais na Chapada Diamantina. De acordo com o site Guia Turístico Chapada Diamantina, num texto publicado em 17 de setembro de 2022, a BRAL vem monitorando a área do PNCD e já registrou diversos focos de incêndio. A brigada ressalta que são comuns os incêndios naturais, mas que os incêndios criminosos não são investigados como deveriam pela Polícia Civil, por falta de suporte do estado, e deixam impunes os criminosos, que praticam novamente as queimadas, causando grandes perdas no bioma da região. Os incêndios queimam em minutos, o que a natureza construiu em milhões de anos e todos saem prejudicados, pelo fogo da negligência, que se alastra como um furacão sobre nossas florestas.
A falta de monitoramento, por parte do Instituto Chico Mendes de Proteção da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração dos Parques Nacionais, também é um fator que dificulta o combate aos incêndios. Além disso, a BRAL denuncia a falta de suporte e estrutura às brigadas de incêndio e o desperdício de dinheiro público que poderia ser investido na proteção do meio ambiente. Esses fatores contribuem para a precarização da preservação do ecossistema da Chapada Diamantina e podem afetar uma das regiões mais ricas e belas do Brasil.

