O holocausto ecológico do bolsonarismo
A floresta tropical amazônica, que cobre boa parte do noroeste do Brasil e se estende até a Colômbia, o Peru e outros países da América do Sul, é a maior floresta tropical do mundo. Famosa por sua biodiversidade, ela é atravessada por diversos rios, entre eles o grandioso rio Amazonas.
Nos últimos anos, a floresta amazônica vem sofrendo as consequências da ganância dos poderosos que olham para ela apenas como uma fonte natural de lucros para seus bolsos, que irão sustentar um estilo de vida à custa de muitas vidas e, principalmente, vidas inocentes. Vidas da fauna, flora, das comunidades ribeirinhas, vidas indígenas, que estão perecendo para satisfazer caprichos de pessoas, em sua maioria homens, brancos que se colocam à disposição para deixar a boiada passar, porque evidentemente isso trará melhorias para a economia. Como se não bastasse o desmatamento e as queimadas para uma expansão agrícola insustentável, a crescente demanda da mineração, juntamente com condições climáticas cada vez mais extremas, está acelerando a degradação dos ecossistemas da nossa floresta.
Nesse contexto, os esforços para salvar a Amazônia precisam abraçar tanto o global quanto o local. A mudança nas políticas nacionais de uso da terra e a luta contra a crise climática devem acelerar. Os países que compartilham o bioma Amazônia devem fortalecer a governança de suas florestas, integrar os setores produtivos e promover atividades econômicas sustentáveis, sem as quais seria impossível preservar os ecossistemas e gerar benefícios socioeconômicos locais.
Porém tudo fica mais difícil quando se tem no governo um mandatário que desdenha de evidências científicas e as deslegitima, quando esse vai contra às vontades e necessidades da população, como o ocorrido em 2019, quando o atual presidente do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), órgão federal que registra a vegetação de biomas brasileiros desde de 1970, Ricardo Galvão, foi exonerado do cargo devido às divulgações verídicas sobre o aumento da supressão da cobertura vegetal na Amazônia. Em 19 de julho, o presidente Jair Bolsonaro, que se assume cético no que diz respeito às mudanças climáticas e também defensor da liberação de áreas protegidas para o desenvolvimento (seja ele qual for), questionou dados do INPE que revelavam aumento de 88% no desmatamento da floresta amazônica em comparação com o mesmo mês de 2018. Bolsonaro disse que “os dados são mentirosos”, que eles “assustam o mercado internacional”, nos colocando em “situação de vulnerabilidade”, e, por isso, “não devem ser públicos”. Salles, então Ministro do Meio Ambiente, também atacou sistematicamente o INPE e anunciou, em entrevista coletiva na companhia de Bolsonaro e do General Heleno, da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), que o ministério vai contratar outro sistema de monitoramento para “complementar” porque seus dados são imprecisos.
Devemos analisar que, tanto no Brasil como no mundo, a exploração ilegal de madeira e expansão de fronteiras agrícolas e da mineração, contribuem para grandes áreas desmatadas, seja por corte ou queimada. Nesse sentido, combater o desmatamento, que neste último ano atingiu mais de 10 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas na Amazônia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e levar para as autoridades e à sociedade a importância da conservação dos recursos naturais, que se faz mais que necessário. Dessa maneira, é crucial que existam ainda mais informações e políticas públicas, no intuito de conscientizar a população sobre a atual situação da Amazônia e como a sociedade se encaixa no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas, que afetam a todos igualmente.
As árvores têm capacidade de reduzir os gases de efeito estufa, por causa da fotossíntese. Por isso, a floresta Amazônica precisa ser preservada a todo custo para não agravar ainda mais o aquecimento global. No entanto, o que está acontecendo é o exato oposto, uma vez que a floresta está desaparecendo neste exato momento com as queimadas, que mandam para a atmosfera ainda mais gases poluentes. Além da fauna e da flora, o desmatamento na Amazônia afeta principalmente a população ribeirinha e os povos indígenas, que têm perdido cada vez mais espaço, espaço esse que é a casa deles. Tudo não passa de um ciclo de destruição. A floresta e a identidade desses povos brasileiros queimam na mão daqueles que honram os bandeirantes e saqueadores que por aqui passaram em outras épocas, mas que deixaram essa herança que ainda insiste em se proliferar como um vírus que queima, desmata e vende nossa floresta.

