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As queimadas na região da chapada diamantina e seus impactos na sociedade

A obra O Quinze — popular romance brasileiro de 1930 — de Rachel de Queiróz, trata acerca do período de seca sofrido pelo Brasil em 1915. A autora vivenciou pessoalmente em sua infância os impactos advindos desse mal. O livro se configura como um marco para a história e ressalta fatos tristes ocorridos na nação: as queimadas e incêndios. Por meio da obra, pode-se inferir que há uma série de infortúnios oriundos desses acontecimentos e urge a necessidade de intervenção governamental em prol de mudar a cruel realidade vivida pelo Brasil.

Dessa forma, pode-se encontrar na cultura brasileira uma série de produções que retratam essa temida escassez. Exemplifica-se que na emérita obra O Auto da Compadecida, seu personagem de maior apelo — João Grilo, interpretado por Matheus Nachtergaele — é um homem nordestino que tem a sua história de vida definida pela crise social da seca. Em sua maioria, os personagens do livro, escrito por Ariano Suassuna — reconhecido escritor e dramaturgo brasileiro —, são um retrato da realidade de muitos brasileiros.

É de imprescindível importância ressaltar que a estiagem e a vegetação seca se configuram por serem condições climáticas que facilitam a ocorrência de incêndios. Segundo o portal de notícias G1 — mantido sob orientação da Central Globo de Jornalismo — e os dados coletados pelo satélite de referência, foram identificados no Brasil 222.798 focos de queimadas no ano de 2020, um número que representa um aumento de 12,73% em relação ao mesmo período do ano anterior. A região mais seca do Brasil tem esporádicas estiagens cruéis, que podem ocasionar em queimadas dada a baixa umidade. De acordo com o IBGE — Instituto brasileiro de geografia e estatística —, a área mais seca está concentrada no nordeste brasileiro e é caracterizada pela escassez de chuvas. Ela contabilizou aproximadamente 41.000 focos de queimadas no período de 2020.

Segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Bahia — um dos estados pertencentes à região do nordeste — teve em 2021 um grande aumento do espaço total com seca. É pertinente elencar que nesse estado há uma área denominada Chapada Diamantina, ela corresponde a um parque nacional que abarca um conjunto de municípios onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Muito embora a área seja de grande relevância no turismo da Bahia, ela tem sofrido com uma série de queimadas que necessitam de investigação. É fundamental entender que a área conta com uma vasta vegetação de cerrado e caatinga, além de muitas nascentes, o que a torna uma região de suma importância para a fauna e flora.

Segundo a Constituição Federativa do Brasil de 1988 — lei maior do ordenamento jurídico nacional —, de acordo com a lei 6.938/81 está assegurada pela Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA): a preservação, a recuperação e a melhoria da qualidade ambiental. Contudo, tal lei não se efetiva na sociedade. É necessário expor relatos de integrantes da Bravos — Brigada Voluntária que atua na Chapada Diamantina e outras áreas da Bahia —, que afirmam ainda que há uma grande carência no que se diz respeito ao envolvimento do governo nas ações contra incêndios. A instituição atua apenas com arrecadações e doações recebidas e sofre com as queimadas que destroem o meio ambiente. Dessa forma, urge o temor de que a norma finde em desuso, sob pena de confirmar o proposto por Dante Alighieri em A Divina Comédia, clássica obra da literatura internacional: “As leis existem, mas quem as aplica?”.

Dadas essas questões, entende-se que, muito embora tenha a sua existência e preservação garantida por lei, o meio ambiente está em constante risco. É um fato a responsabilidade do governo em erradicar as queimadas, de modo a proporcionar a vida para a fauna e flora. Contudo, a maioria dos focos de incêndio não consegue ser precisamente identificado, dessa forma, quase não há punição efetiva. Sendo assim, a Chapada Diamantina segue sofrendo com o descaso das instituições governamentais que deveriam assegurar o seu mantimento. Logo, faz-se necessário citar a Teoria das Instituições Zumbis de Zygmunt Bauman — famoso sociólogo polonês —, as esferas de poder existem, mas não se efetivam na prática.

Elisabethe Chaves
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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