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Atividade Pesqueira: a grande vilã da população marítima mundial

Corriqueiramente vemos as grandes ONGs lutando pelos oceanos. No imaginário popular, o plástico é o grande vilão da história. Sim, isso está correto. Porém, não da forma como imaginamos. Apesar de um movimento crescente pelo fim do uso dos canudos de plástico, esses só representam cerca de 0,025% dos lixos nos oceanos. Existe um grande questionamento por parte de alguns ativistas da razão do canudo ser conhecido como um grande vilão, já que representa uma parte tão irrisória da poluição. Claro, há registros de animais marinhos mortos por conta deles, então é necessário também reduzir o seu consumo.

A verdade é que os resíduos consumidos diariamente pelos humanos não chegam a representar 30% da poluição nos oceanos. Estima-se que cerca de 85% de todo o lixo que está hoje nos oceanos são provenientes dos materiais de pesca. Os dados que são divulgados pelo Greenpeace são alarmantes por dois motivos: são empresas gigantescas que fazem isso e o foco das campanhas de preservação não está onde deveria. Alguns dados apontam ainda que cerca de 640 toneladas de materiais de pesca são descartados ao mar por ano; e todos os dias, são lançadas ao mar redes de pesca suficientes para dar 500 voltas no planeta.

Um dos fatores mais preocupantes sobre a quantidade de plástico nos oceanos é o tempo de sua decomposição, que é estimada em 450 anos. A título de comparação, o plástico foi inventado em 1862, sendo assim, o primeiro plástico ainda não foi decomposto. Justamente por essa longevidade e resistência, o plástico é amplamente usado pelas grandes indústrias pesqueiras. O principal problema é quando o plástico que está no oceano começa a se desintegrar, ele se torna o que conhecemos como microplásticos, que são ingeridos pelos peixes e posteriormente, pelos humanos.

A ameaça da indústria pesqueira à vida nos oceanos – e à raça humana – não para por aí. Existe um fenômeno conhecido como pesca acidental, que ocorre em grande escala todos os dias e deixa um gigantesco rastro de morte por onde passa. A pesca ou captura acidental, se caracteriza na pesca de outros animais que não são o alvo original da atividade. Quando capturados juntos aos outros peixes, tartarugas marinhas, aves marinhas e elasmobrânquios (animais que compreendem tubarões e raias) não resistem nas redes e acabam morrendo, sendo esse processo o causador da diminuição da megafauna.

A técnica responsável por essa destruição é conhecida como arrastão, que consiste em jogar uma rede no mar que é arrastada por um barco em alta velocidade, levando tudo em seu caminho. Outro grande problema desse tipo de pesca é a destruição da fauna marinha, responsável diretamente pela maior produção de oxigênio do planeta.

Talvez a mais vil das atrocidades cometidas pela indústria da pesca seja um tipo de prática ilegal, que ocorre principalmente em partes da Ásia: a eliminação dos predadores. Peixes que estão no topo da cadeia alimentar, por vezes, são um estorvo para os pescadores. Tubarões e golfinhos se alimentam dos peixes que poderiam ser capturados pela indústria. É comum que em alguns locais do Japão e China, esses predadores sejam atraídos para a margem para serem abatidos. Não para o consumo, mas para não atrapalharem os negócios.

Em uma breve explicação e até que óbvia, quando se remove quem está no topo da cadeia alimentar, outra espécie assume o topo. Quando essa espécie é caçada para alimentar os exageros da raça humana, bagunça cada vez mais a cadeia alimentar. Em dado ponto da alteração na cadeia, os fitoplânctons serão afetados por isso, consequentemente, a produção de oxigênio no planeta também.

A indústria pesqueira é certamente uma das indústrias que mais ameaça a vida na terra, o que assusta é o quão despercebido isso passa pela sociedade. Caso o consumo de peixe não seja reduzido, existe a possibilidade de em 40 anos não existir mais vida nos oceanos. Saber que o plástico que nós humanos comuns usamos no dia a dia não é o maior problema é de certa forma reconfortante, mesmo sabendo que podemos fazer mais individualmente, porém, saber que o principal problema é maior que nossos esforços, é desesperador.

Cyro Amorim e Natan Pires
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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