O descarte do lixo e o seu impacto ambiental
Desde os primórdios da humanidade, os impactos causados pela ação humana provocam diversos problemas ambientais, como: mudanças climáticas, desmatamento, queimadas, poluição, entre outros. Hodiernamente ações impensáveis e desenfreadas ainda são realizadas por nós seres humanos, agravando as adversidades no ecossistema e comprometendo a qualidade de vida das próximas gerações. A questão do descarte de resíduos sólidos, por exemplo, abarca todos os cidadãos, dado que todos produzem lixo. Apesar disso, grande parte da população não se importa com a forma de descarte, como também não percebe os impactos negativos gerados por esses detritos no meio ambiente. Descartar lixo em locais proibidos ou de forma inadequada pode ocasionar alagamentos e inundações, obstruções de vias públicas, contaminação do solo e até transtornos na saúde pública, gerando doenças como cólera, disenteria, febre tifoide, leishmaniose, leptospirose e outras.
É comum que as pessoas pensem que o problema do lixo acaba a partir do momento que o serviço de coleta do mesmo é realizado. Porém, alguns fatores determinantes não são levados em consideração, como por exemplo, para onde é encaminhado esses resíduos e as suas consequências posteriores. Segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a pesquisa sobre as características gerais dos domicílios e moradores do país aponta que cerca de 20 milhões de brasileiros não possuem acesso a nenhum tipo de serviço de coleta de lixo, dessa forma acabam despejando resíduos sólidos na natureza. Além disso, um dos maiores obstáculos é o destino desses resíduos, que geralmente são encaminhados para locais como lixões a céu aberto ou aterros sanitários. As consequências produzidas por esses ambientes inadequados de descarte são graves para a saúde e bem estar de habitantes que residem em áreas próximas. Esse manejo inadequado causa problemas como a atração de vetores que transmitem doenças (como ratos, moscas, baratas, mosquitos e escorpiões), a emissão de gases do efeito estufa que contribui para o aumento do aquecimento global, a produção de chorume – líquido proveniente da decomposição de matéria orgânica em aterros sanitários que possui várias substâncias tóxicas e metais pesados, entre outros impasses.
Uma outra problemática a respeito desse tema são as ações realizadas pelo governo com o objetivo de desviar a atenção de questões principais das pautas midiáticas. Como em 2019, no mandato do então presidente Jair Bolsonaro, que em parceria com Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, dirigiu um projeto denominado “Programa Lixão Zero”. Esse programa visava três objetivos principais: erradicar os lixões do país até o ano de 2024, reduzir os impactos ambientais causados pelo lixo e mudar adequadamente a destinação ambiental dos resíduos sólidos. Dessa forma, iniciou-se a substituição dos lixões por aterros sanitários controlados, que apesar de possuírem um impacto menor, ainda assim não eliminam os rejeitos da natureza. Todavia, esse planejamento foi feito para contrapor a principal questão da época, que era o fracasso da política ambiental dos biomas brasileiros, principalmente da região Amazônica. Após o início do programa, o nível de diminuição dos lixões foi analisado, e na visão de Ricardo Salles, pelo ritmo atual dessas reduções, o fim dos lixões só ocorreria em 2063. Por isso, uma das propostas feitas pelo Presidente da República, por meio do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, foi cobrar de 100% dos brasileiros mais impostos para a limpeza urbana até 2024, objetivando financiar essa gestão de resíduos. No entanto, essa taxa não seria viável para grande parte da população, posto que muitos cidadãos enfrentam dificuldades na sua sobrevivência diária e, em função disso, não teriam condições de pagar essa parcela.
Nessa perspectiva, as ações governamentais de Jair Bolsonaro apenas contribuem para o retrocesso das questões ambientais. Outrossim, a falta de interesse de grande parte da sociedade acerca desse tema contribui para que o atual governo continue contornando esse assunto. Por esse motivo, é preciso de uma maior fiscalização no cumprimento das metas, como também, seria essencial que a população contribuísse para o melhor funcionamento do descarte de lixo, pelo menos na região em que residem. Essa contribuição pode ser iniciada a partir da redução do uso de produtos industrializados e uma maior utilização de produtos reutilizáveis, a fim de reduzir o descarte de embalagens, por exemplo; e separar corretamente os materiais tóxicos dos orgânicos, dos metais, dos papéis e dos plásticos. Ademais, nota-se que essas contribuições são coletivas, não podem ser resolvidas apenas com a reeducação da comunidade, também necessita-se de um apoio por parte dos governantes, que devem prezar pelo melhor funcionamento das práticas de preservação ambiental.

