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Agronegócio: o responsável por boa parte da degradação ambiental

O agronegócio está sempre presente em nosso cotidiano nos provendo produtos do nosso consumo alimentício diário, como a carne bovina, o café, a soja, frutas, vegetais, entre outros produtos oriundos da agricultura e pecuária. Entretanto, o agronegócio contribui fortemente para a degradação do meio ambiente de diversas formas. Entre elas, destacam-se a poluição do ar, desperdício excessivo de água e a contaminação do solo e da água por uso de agrotóxicos.

Segundo a publicação “Reduza seu consumo de carne” publicada pelo grupo Greenpeace, as indústrias encarregadas da produção de carne bovina são responsáveis pela emissão de gases poluentes emanados no meio ambiente. Os gases que são liberados na produção, contribuem para o aumento do efeito estufa e aceleram o aquecimento global. Segundo a reportagem do site Mercy For Animals, o setor pecuário poderá ser responsável por 80% dos gases emitidos em apenas 32 anos. Quando falamos em produção de carne bovina, nos referimos a cadeia produtiva que engloba diversos setores produtivos, desde a criação e abate de bois, indústrias de processamento, geradores de serviço, até chegar em sua fase final de vendas e consumo.

Além dos gases poluentes liberados pelas indústrias de produção de carne, que afetam diretamente o meio ambiente, outra agressão ambiental muito comum do agronegócio, é o uso de agrotóxicos. No Brasil, o uso de agrotóxicos teve início na década de 60 e desde então, vem sendo utilizado nos processos de produção agrícola e pecuária. A produção agrícola usa os agrotóxicos para a manutenção de produtos, contenção de doenças, pragas e controle de crescimento da vegetação. Enquanto as produções não agrícolas, usam na manutenção de florestas nativas ou implantadas, outros ecossistemas e também de ambientes hídricos, conforme a publicação postada pelo site do Ibama, em 2022.

Diante disso, a poluição do solo e da água, tem início na aplicação direta nas plantas. O veneno entra em contato direto com o solo para o plantio e por consequência chegam às águas subterrâneas; podendo assim, chegar aos rios e lagos por meio da chuva. O que é extremamente prejudicial para as espécies marinhas e para o reservatório de abastecimento de água municipal, como consta na reportagem “Impacto do uso de agrotóxicos” publicada pelo site CONSEQ.

Apesar do uso de agrotóxicos ser prejudicial para o meio ambiente e seres humanos, em fevereiro de 2022 foram liberados pelo governo do atual presidente Jair Bolsonaro 1.629 agrotóxicos, que já haviam sido banidos em países de primeiro mundo, segundo a notícia publicada pelo site Brasil de Fato. Aumentando ainda mais a propagação do veneno, que pode chegar em nossas mesas, em nosso consumo hídrico e até de forma indireta, para aqueles que possuem contato direto com trabalhadores da área agrícola ou pecuária, que por obrigatoriedade da função, acabam tendo contato com os produtos químicos e podem contaminar outras pessoas através de resíduos em roupas e sapatos.

Por analogia com a poluição da água e do solo advinda do uso de agrotóxicos, também destaca-se o desperdício de água . De acordo com a publicação do site Rural Centro em 2021, segundo a ONU (Organização Das Nações Unidas), 70% de toda a água consumida no mundo é usada na irrigação das lavouras, cálculo que se levanta para 72% no caso do Brasil, que é um país com alta produção nesse setor da economia. Depois do departamento agrícola, vem a atividade industrial, que é equilibrada por 22% do consumo de água no mundo.

A principal estratégia que pode ser adotada para poder diminuir o consumo de água e o desperdício na atividade seria a utilização da irrigação por gotejamento. A irrigação trata-se de uma prática agrícola apta a abastecer a falta total ou parcial de água para as plantas. Na agricultura irrigada, equipamentos e técnicas específicas são utilizadas para fornecer água de forma artificial, garantindo a produção da lavoura, mesmo quando não há uma oferta natural de água. Nesse método é utilizado uma quantidade mínima de água, já que é despejada sobre o solo em forma de gotas de maneira mais econômica. Com essa forma de irrigação, seria possível economizar até 50% da água que hoje é utilizada. Segundo a matéria Alimentar Para Construir o Futuro, as condições de clima e de solo brasileiro são excelentes para esse setor, que compromete 26,6% do PIB nacional.

Contudo, também é importante citar outras formas sustentáveis para a produção agrícola e pecuária; como é o caso da agricultura familiar, que é a principal responsável pela produção dos alimentos liberados para o consumo da população brasileira. É composto por pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. A agricultura familiar se conecta com o agronegócio em termos econômicos, pequenos produtores rurais também fomentam o agronegócio, de acordo com o artigo publicado em março de 2022 pelo site Broto.

Sendo assim, o agronegócio é uma atividade essencial para a sobrevivência, principalmente para os consumidores e produtores. Pois, faz parte da economia primária. É ela quem oferece alimentos e matérias-primas, como produção de tecidos (fibras vegetais como o linho e algodão), energia, biocombustíveis (cana-de-açúcar), ferramentas, mobiliário, materiais de construção (eucalipto e outros tipos de madeira), entre outros. E apesar de contribuir com a degradação do meio ambiente, existem outras maneiras de se exercer o agronegócio de forma menos agressiva e mais ecológica.

Ana Flávia Costa e Thainá Oliveira
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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